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Internacional
Fatwa contra os faraós
O Islã pode conviver com o Egito
antigo? O mufti diz que não

Duda Teixeira
Reprodução CNN
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AP
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| Destruição dos
budas no Afeganistão: intolerância |
O Egito é o mais populoso
país muçulmano e também o depositário
do mais impressionante patrimônio arqueológico do Oriente
Médio. Pirâmides e imagens de pedra dão testemunho
de 4.000 anos de história. Essas duas heranças culturais
conviveram em relativa harmonia até agora mas ninguém
sabe o que pode ocorrer daqui em diante. No início do mês,
um mufti, a mais alta autoridade em doutrina islâmica, baixou
uma fatwa, um decreto religioso, condenando a exposição
pública das imagens arqueológicas. O religioso baseou-se
no princípio islâmico de que qualquer representação
de figuras humanas exprime idolatria e, por isso, deve ser proibida
o mesmo conceito que levou o Talibã a explodir os
budas gigantes do Afeganistão, em 2001. Um calafrio percorreu
as autoridades egípcias. A fatwa não ameaça
apenas os milhares de esculturas em museus e templos, mas também
os trabalhos modernos expostos em praças públicas.
A questão não é
apenas econômica o turismo, que existe precisamente
por causa do passado faraônico, é a segunda maior fonte
de riqueza do país , mas política, devido à
força potencial de o decreto religioso desencadear uma onda
de fanatismo e vandalismo. Até os religiosos estão
preocupados com a proliferação de fatwas, cuja função
principal é orientar o fiel em assuntos do mundo moderno.
Basicamente questões que não existiam no tempo do
profeta Maomé, como viajar de avião. Em sites especializados
na internet, qualquer egípcio pode conversar on-line com
os muftis e consultar fatwas anteriores, classificadas por temas
("esportes e jogos", "artes e entretenimento" ou "família")
e por autor. O decreto contra o patrimônio arqueológico
egípcio surgiu como resposta à dúvida de um
cidadão comum.
O conservadorismo muçulmano
está em alta no Egito e começa a afetar todos os aspectos
da vida no país. "Há um grande recuo para o passado",
diz Mohamed al-Sayed Said, do Centro de Estudos Estratégicos
e Políticos, no Cairo. "Os modelos de desenvolvimento europeus,
que guiaram o Egito desde o século XIX, vêm sendo abafados
pelo aumento da religiosidade." Os sinais de perigo estão
por toda parte. A Irmandade Muçulmana, grupo fundamentalista
que serviu de inspiração para os terroristas da Al
Qaeda e do Hamas, ganhou nas últimas eleições
quase 20% das cadeiras do Congresso e se tornou a segunda maior
força política do Egito.
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