|
|

PROFESSOR DE IQUITOLOGIA EM SECO
PELA UNIVERSIDADE SEMI-ÁRIDA DE GARANHUNS |
Discutem se Lula é apenas mau-caráter,
apenas desonesto, apenas megalomaníaco.
Ou tudo junto. Sempre discordei. Sempre
afirmei que Lula é um fronteiriço. E agora
está provado: da fronteira da Bolívia.
NÃO, JÁ NÃO SE
FAZEM
MAIS BOLÍVARES COMO
ANTIGAMENTE
Pois é, aí estão
os novos Bolívares, por atacado. Agora são três,
ou quatro, se contarmos também com o Kitchnet. Do bolivarismo
antigo, com um objetivo limpo e compreensível, surgem-nos
agora esses três mosqueteiros também querendo libertar
os povos andinos, ainda não decidiram bem de quê. Uns
dos outros? Chávez de Morales, Morales de Lula, Lula socialista
de uma parte e neopolichinelo do outro, querendo provar ao mundo
a doutrina do Eta-nóis-hein-mãe!? Os três
juntos provando de uma vez por todas que esse negócio de
alfabetização num tá cum nada?
O mundo, e as enciclopédias,
estão cheios de sub-heróis, heróis setoriais,
falsos heróis, quase todos simples e adorados exterminadores
de povos. Povos que, em geral, adoram um antipovo. Mas a quase nenhuma
dessas figuras míticas podemos tirar nosso chapéu
metafórico.
Porém, aqui entre nós,
na América do Sul, houve um herói do qual não
podemos duvidar. Garibaldi, o Giuseppe. Nasceu herói, cresceu
herói e morreu herói. Geneticamente herói.
Embora até o fim da vida registrasse sua profissão
como agricultor. E não tava nem aí pra dinheiro.
Mas, a julgar por onde podemos
julgar, pelo feito realizado, Bolívar foi ainda mais herói
do que ele. Eu diria mesmo, pela maneira como fez, e pelos poderosos
que enfrentou, que foi o Ronaldinho Gaúcho dos Andes. Embora
Garibaldi, com mais razão, pudesse ser chamado de Giuseppinho
Gaúcho.
Se Lula, como faz sempre, não
procurar no Google, que não chega ainda a ser uma
autoridade cultural, mas procurar na Britannica, verá
que não tem razão quando defende a ignorância
como padrão de cultura. Pois, segundo essa Britannica,
Simoncito, soldado estadista a quem seis repúblicas latino-americanas
devem sua libertação do domínio espanhol, "é
considerado o maior gênio do mundo hispano-americano. Há
poucas figuras na história européia, e nenhuma nos
Estados Unidos, exibindo sua formação de força
e delicadeza, caráter e temperamento, visão profética
e capacidade poética".
Pois bem, Lula, esse companheiro,
além de ser um grã-fino rico, estudou em Madri e Paris,
e teve vasto e algumas vezes sólido contato com os pensadores
racionalistas como Locke, Hobbes, Buffon, D'Alembert. Além
disso, estudou Montesquieu, Rousseau e... Voltaire, que você
tanto aprecia. Em Paris também estabeleceu contato com Humboldt,
que voltava da América do Sul e lhe demonstrou que os povos
andinos estavam maduros para se libertarem do domínio espanhol.
No ápice de sua carreira,
o poder de Bolívar estendia-se do Caribe à fronteira
da Bolívia com a Argentina. Do tamanho do Brasil, Lula! Isso
conquistado a pé e a cavalo em mais de 200 batalhas. E, pra
não encher ninguém, morreu aos 47 anos (se Lula o
imitasse não estaria aí nos exaltando), foi
um belo pensador social. Por escrito. E até precursor do
Vinicius.
Vinicius (1954):
"Eu sou o branco mais preto do Brasil".
Bolívar (1816):
"De boa linhagem, sangue branco, mas sou mais é um crioulo".
|