Edição 1 649 -17/5/2000

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Microsoft

A autopunição

Gates apresenta pacote para evitar
divisão da empresa

O governo americano só deve anunciar nesta quarta-feira sua opinião sobre as alternativas apresentadas pela Microsoft na semana passada para evitar a divisão exigida pelo juiz do processo em que a empresa está sendo acusada de prática monopolista e predatória. Mesmo assim, é praticamente certo que não serão aceitos os argumentos de defesa elaborados pelos advogados de Bill Gates. Conforme circula no mercado, a proposta foi considerada tímida e incapaz de impedir que a Microsoft continue usando seu domínio e sua força para impor produtos ao mercado e dificultar o trabalho dos concorrentes. "Os remédios propostos são inadequados", disse o procurador-geral do Estado de Iowa, Tom Miller, um dos que acusam a Microsoft de práticas monopolistas. "As medidas não previnem que, no futuro, haja novas violações à lei."

Na proposta apresentada pela Microsoft os fabricantes estariam livres para instalar em computadores equipados com o sistema operacional Windows programas de navegação na internet feitos por empresas concorrentes. A companhia também se comprometeu a fornecer a outros produtores de software informações até agora conhecidas apenas por seus engenheiros. Bill Gates só não admite abrir o "código fonte", a fórmula secreta do Windows. Quem dominar esse código poderá fazer programas quase idênticos. O documento prevê outras concessões ao governo, mas a empresa já anunciou que recorrerá até a última instância de qualquer decisão que a obrigue a se dividir. O certo é que é praticamente impossível para a Microsoft sair dessa disputa com a mesma força que entrou. Desde o anúncio da decisão da Justiça, a empresa de Gates perdeu o posto de a mais valiosa do planeta e se desvalorizou em cerca de 200 bilhões de dólares.

 
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