Computador
Terror acidental
Vírus ILOVEYOU pode ter sido criado
por acaso
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| Irmãos Onel e
Irene de Guzman: confissão |
A estimativa mais aceita é que um quarto dos usuários
de internet no trabalho em todo o planeta teve problemas
com o vírus ILOVEYOU. É um contingente de
aproximadamente 78 milhões de pessoas. Até
a sexta-feira da semana passada, as firmas de segurança
de internet já haviam identificado 21 variações
do vírus, quatro delas geradas no Brasil. As vacinas
funcionaram, mas a produção não conseguiu
ser mais rápida que a disseminação
do problema. O vírus, que em cinco horas se havia
espalhado pelo mundo inteiro, só poupou as empresas
em que a neurose de segurança está acima de
tudo. Na sede da Volkswagen, em Wolfsburg, Alemanha, ele
foi detectado antes que pudesse causar qualquer estrago.
A empresa simplesmente manteve o mesmo estado de alerta
que montou para espantar outro fantasma recente, o bug do
milênio, que deveria provocar danos na virada para
o ano 2000 mas acabou tendo um efeito pífio.
A
caçada aos autores do ILOVEYOU terminou com a identificação
dos irmãos filipinos Onel e Irene de Guzman. Eles
assumiram parte da culpa. Admitiram a hipótese de
ter contribuído para a criação do ILOVEYOU,
sugerindo que ele se teria libertado acidentalmente de seus
computadores. Toda a confusão serviu para um alerta
sobre quem realmente está protegido contra ataques
desse tipo. O vírus provocou uma desordem na economia
mundial e apontou riscos de problemas futuros enormes. Na
semana passada, um novo vírus, sem a capacidade destruidora
de seu antecessor, estava circulando na rede. Batizado de
South Park, como o desenho animado politicamente incorreto
da TV a cabo, foi rapidamente controlado e não houve
registros de maiores estragos. Os especialistas sustentam,
com razão, que a internet é um habitat fenomenal
para a propagação dos vírus e que dificilmente
haverá uma solução técnica completamente
segura para mantê-los ao largo dos sistemas. Talvez
a solução seja a eterna vigilância,
como a que se propôs a Volkswagen alemã. O
problema é que ao vigiar as mensagens em busca de
vírus os administradores de sistemas podem acabar
quebrando a privacidade dos funcionários.
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