Nações
Unidas
Missão vexame
Tropas da ONU viram
reféns de guerrilha africana
AP
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| Capacete azul em Serra
Leoa: caos |
As missões de paz da ONU são daquelas boas
intenções que se revelam um fiasco quando
colocadas em prática. A comprovação
está na desastrosa atuação das enviadas
a Serra Leoa, país africano que é um dos mais
pobres do mundo e vive em guerra civil há dez anos.
Os conflitos na região se intensificaram nas últimas
semanas, quando os rebeldes da Frente Revolucionária
Unida se aproximaram da capital do país, Freetown,
com o objetivo de depor o presidente, Ahmad Tehan Kabbah.
Um batalhão de 8.700 "capacetes
azuis", como são conhecidos os homens da ONU, foi
recrutado às pressas para colocar ordem na situação.
Estados Unidos, França e Inglaterra se negaram a
enviar gente para o vespeiro. Os soldados acabaram vindo
de vários países africanos vizinhos. Mal equipados
e sem treinamento adequado, 500 deles tornaram-se presas
fáceis no campo de batalha. Ao mesmo tempo em que
reforça o esquema de proteção militar
ao governo local, a ONU tenta negociar com os guerrilheiros
a libertação dos reféns. A questão
que se levanta não é sobre a competência
dos soldados recrutados da ONU, mas sobre o papel de uma
missão civilizada numa região onde a marca
registrada dos guerrilheiros é amputar os braços
dos que não cooperam com suas atividades, crianças
inclusive. A moral da história é mais do que
óbvia. "As forças de paz não podem
ter sucesso se não houver paz a manter", afirma Dennis
Jett, ex-embaixador americano e autor do livro Why Peacekeeping
Fails (Por que as Missões de Paz Fracassam).