Edição 1 649 -17/5/2000

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O populismo ameaça a democracia
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Nações Unidas

Missão vexame

Tropas da ONU viram
reféns de guerrilha africana


AP
Capacete azul em Serra Leoa: caos


As missões de paz da ONU são daquelas boas intenções que se revelam um fiasco quando colocadas em prática. A comprovação está na desastrosa atuação das enviadas a Serra Leoa, país africano que é um dos mais pobres do mundo e vive em guerra civil há dez anos. Os conflitos na região se intensificaram nas últimas semanas, quando os rebeldes da Frente Revolucionária Unida se aproximaram da capital do país, Freetown, com o objetivo de depor o presidente, Ahmad Tehan Kabbah. Um batalhão de 8.700 "capacetes azuis", como são conhecidos os homens da ONU, foi recrutado às pressas para colocar ordem na situação. Estados Unidos, França e Inglaterra se negaram a enviar gente para o vespeiro. Os soldados acabaram vindo de vários países africanos vizinhos. Mal equipados e sem treinamento adequado, 500 deles tornaram-se presas fáceis no campo de batalha. Ao mesmo tempo em que reforça o esquema de proteção militar ao governo local, a ONU tenta negociar com os guerrilheiros a libertação dos reféns. A questão que se levanta não é sobre a competência dos soldados recrutados da ONU, mas sobre o papel de uma missão civilizada numa região onde a marca registrada dos guerrilheiros é amputar os braços dos que não cooperam com suas atividades, crianças inclusive. A moral da história é mais do que óbvia. "As forças de paz não podem ter sucesso se não houver paz a manter", afirma Dennis Jett, ex-embaixador americano e autor do livro Why Peacekeeping Fails (Por que as Missões de Paz Fracassam).