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Edição 1 747 - 17 de abril de 2002
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DVDs

A.I. – Inteligência Artificial (A.I. Artificial Intelligence, Estados Unidos, 2001. Warner) – Criado pelo cineasta Steven Spielberg a partir de uma idéia que lhe foi presenteada pelo colega Stanley Kubrick, esse filme tornou-se a grande homenagem póstuma ao realizador de 2001 – Uma Odisséia no Espaço. A comovente história do robô-menino David (Haley Joel Osment), que sofre com a rejeição de seus pais adotivos humanos e é condenado a vagar por um mundo futurista ao lado de outro andróide (Jude Law), traz uma quantidade impressionante de informações de bastidores na sua versão para DVD. Há um disco extra recheado de documentários. Entre os momentos mais interessantes estão aqueles em que o próprio Spielberg mostra como eram as idéias originais de Kubrick e como elas evoluíram até o filme ser realizado.

M.A.S.H. (Mash, Estados Unidos, 1970. Fox) – Já em suas cenas iniciais, Mash causa desconforto. Enquanto soldados feridos não param de chegar a bordo de helicópteros, os médicos que irão tratar deles, como o jovem capitão Pierce (Donald Sutherland), parecem mais interessados em se divertir – como se não estivessem no front da sangrenta Guerra da Coréia, nos anos 50. A intenção do então desconhecido cineasta Robert Altman foi usar do humor negro para denunciar a insensatez de um outro conflito em andamento na época em que o filme veio à tona: a Guerra do Vietnã. O DVD traz bons adicionais, como comentários do diretor sobre cada uma das cenas principais e um documentário que mostra de que forma Altman driblou as dificuldades para realizar a produção sem intromissões do estúdio.

 

DISCOS

Divulgação
Pimps: estranhas combinações

Bloodsport, Sneaker Pimps (Sum) – Surgido nos anos 90 na Inglaterra, em meio a uma leva de artistas tristonhos que proliferaram na ilha (fenômeno batizado como trip hop), o Sneaker Pimps recauchutou seu estilo nesse novo CD. Ele lembra muito pouco Becoming X, disco de estréia do quarteto. Além disso, os vocais não estão mais a cargo da cantora Kelli Dayton, mas de um homem. Bloodsport tem influências óbvias do funk do americano Prince e da música eletrônica do grupo alemão Kraftwerk. Por mais que pareça indigesta, a mistura resulta em faixas acima da média. O funk Sick e as baladas Black Sheep e M'Aidez, por exemplo, têm melodias tecidas no violão que podam o som mecânico dos teclados. Até as faixas mais estranhas – Kiro TV, que satiriza a fama – têm refrãos perfeitos para ser cantados na pista de dança.

Visão Futurística do Passado, Quinteto Violado (Atração) – O grupo pernambucano é um daqueles raros exemplos de como é possível atualizar ritmos folclóricos do Brasil sem descaracterizá-los. Esse talento está bastante claro em Visão Futurística do Passado, CD gravado ao vivo em comemoração aos trinta anos do quinteto. Eles interpretam maracatus, xotes, frevos e baiões. Algumas releituras soam melhores que as canções originais. É o caso de Leão do Norte, composta pelo pernambucano Lenine. Palavra Acesa, que já havia aparecido em dois álbuns anteriores do Quinteto Violado, ganhou um arranjo de flauta que revela a influência da cultura moura na música do Recife. Há que se destacar, finalmente, canções do próprio grupo, como a instrumental Frevo na Primavera.

 

LIVROS

Kurt Cobain: Fragmentos de uma Autobiografia, de Marcelo Orozco (Editora Conrad; 224 páginas; 33 reais) – Mais um lançamento para as viúvas inconsoláveis do Nirvana. O jornalista brasileiro Marcelo Orozco conta a história da banda de rock mais importante da década passada, e do líder e vocalista Kurt Cobain, a partir de suas músicas. Ele garimpa anedotas em torno delas e decifra as mensagens contidas em suas letras. O livro conta, por exemplo, que o nome da canção Smells Like Teen Spirit foi tirado de uma frase escrita na parede do quarto de Cobain. Outro sucesso do grupo, Heart-Shaped Box, por pouco não foi roubado de Cobain pela ex-mulher, Courtney Love. O livro traz fotos, a discografia completa do Nirvana e cita as participações dos seus integrantes em discos-tributo e outros projetos.

 
Cacalokfouri
Gutiérrez: Cuba suja e deplorável

Animal Tropical, de Pedro Juan Gutiérrez (tradução de José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 342 páginas; 32 reais) – Não espere encontrar uma Cuba ensolarada e sestrosa em Animal Tropical. Da pena de Pedro Juan Gutiérrez, um dos maiores escritores do país na atualidade, a ilha de Fidel Castro emerge como um lugar antes de tudo paupérrimo, sujo e deplorável. Mas que serve de excelente cenário para suas histórias – na maioria das vezes, permeadas por opiniões cáusticas sobre tudo e relatos de aventuras sexuais um tanto pornográficos. O estilo de Gutiérrez é direto e agressivo, mas irresistível. Nesse livro, ele narra a história de um escritor que luta contra a burocracia cubana para participar de um congresso na Suécia. Batalha vencida, ele se divide entre amantes conquistadas nos dois países. Como já fez em outros textos, Gutiérrez dá seu próprio nome ao protagonista – só não se sabe até que ponto o enredo corresponde à sua realidade pessoal. Leia trechos do livro.

 

JUVENIL

O Senhor dos Bonsais, de Manuel Vázquez Montalbán (ilustrações de Cárcamo; tradução de Rosa Freire d'Aguiar; Companhia das Letrinhas; 86 páginas, 19 reais) – Mais conhecido por seus romances policiais, o escritor espanhol cria aqui uma bela fábula dirigida ao público infanto-juvenil. O mal surge na forma do sr. Jai, um homem enorme e arrogante que tem como diversão transformar árvores, animais e até seres humanos em miniaturas. Seus planos enfrentam a oposição do garoto Procusa e seus amigos. Há mais que um enredo de aventura no livro, contudo. Montalbán usa o cultivo do bonsai (aquelas árvores diminutas criadas pelos japoneses) como símbolo, para criticar fenômenos como o autoritarismo e o conformismo.

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler
   
 
   
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