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Edição 1 747 - 17 de abril de 2002
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Yes, nós temos
"popozudas"

Com pouco tecido e muita sensualidade,
o jeans brasileiro vira objeto de
desejo nos EUA e na Europa


Destaque na Elle americana: "O jeans brasileiro é o mais perfeito do mundo atualmente"

Para as mulheres, escolher um jeans é um dilema. Quando o modelo não marca os quadris, a cintura fica larga. Se o comprimento é bom, a largura das pernas nunca está certa. É o corte ou o corpo que está errado? Estilistas brasileiros resolveram a equação com menos tecido e Lycra suficiente para modelar curvas e deixar à mostra umbigos femininos. Nosso jeans está sendo classificado como "milagroso" por revistas internacionais de moda. O segredo, dizem os admiradores estrangeiros, é que, além de bem cortado, ele arrebita o bumbum. As últimas edições da Elle americana e a Vogue inglesa o comparam ao Wonderbra, a marca de sutiã inglesa que ficou conhecida pelo bem-sucedido combate à lei da gravidade. O jeans brasileiro seria o Wonderbra do bumbum. O efeito Gisele Bündchen associado à expansão de grifes nacionais está provocando maior procura das americanas pelas calças brasileiras. As cantoras Alanis Morissette e Christina Aguilera e as atrizes Meg Ryan e Jennifer Lopez foram as primeiras a circular com marcas do índigo brasileiro. Britney Spears foi a pioneira ao comprar diversos modelos da etiqueta Gang quando esteve no Brasil para se apresentar no Rock in Rio no ano passado. Justíssimas e reduzidíssimas, as calças são as favoritas das meninas do funk carioca. A rendição à barriguinha de fora e ao corte sensual se deu das estrelas do show business para as ruas. "As calças são sexy e estão rompendo o puritanismo americano", diz Danna Klein, publicitária e cliente da seletíssima Bergdorf Goodman.

Na Vogue inglesa deste mês, a Zoomp ganhou editorial de moda

Como se explica o sucesso brasileiro na terra onde o jeans foi criado há mais de um século? "A Levi's 501 pode vestir qualquer um, mas faz com que todo mundo pareça igual. Nossa produção tem característica de peça única", explica Renato Kherlakian, dono da Zoomp. A empresa já faturou 1,5 milhão de dólares no mercado internacional, vendendo um par de jeans por até 250 dólares. A Forum já tem 165 pontos-de-venda nos Estados Unidos, dentre eles, lojas como Saks e Nordstrom. "Em cada modelagem, buscamos o máximo de valorização do corpo", justifica Tufi Duek, estilista da Forum. O jeans brasileiro ficou reconhecido pela invenção da cintura baixa (em limites abaixo dos trópicos do clássico saint-tropez) e pelo índigo com tactel, o que torna a peça 30% mais leve. O corte que arrebita o bumbum tem explicação técnica: mais alto atrás e nas laterais, e bem mais baixo na frente, ajusta-se melhor aos quadris e produz um caimento que os produtos similares confeccionados nos EUA ainda não têm. Mas, pelo jeito, os americanos vão logo fazer uma engenharia reversa e copiar a invenção brasileira. O Brasil já é o segundo produtor mundial do tecido e exporta anualmente 160 milhões de dólares em peças de jeans. "Há muita curiosidade em torno do jeans do Brasil", diz Ana Luísa Queiroz, que vende jeans Ellus em Paris para clientes como a atriz Chiara Mastroianni.



   
 
   
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