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NORML fumar
maconha"

Sem querer, o prefeito de Nova York
faz campanha a favor da droga

AP
Bloomberg na propaganda da NORML: elogios ao prefeito que fumou e gostou


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"Com certeza. E gostei." Assim, com a maior candura (e fortes segundas intenções de passar uma imagem de homem sem papas na língua nem nada a esconder), o bilionário Michael Bloomberg respondeu à pergunta fatídica para políticos americanos – "O senhor já fumou maconha?" – em entrevista à revista New York em abril do ano passado, quando ainda era um pré-candidato pouco levado a sério do Partido Republicano à prefeitura de Nova York. Depois disso, os atentados de 11 de setembro aconteceram, o prefeito Rudolph Giuliani virou herói e carregou seu partido – e Bloomberg – para a vitória nas eleições municipais. Agora, um ano depois, o desabrido novo prefeito colhe os frutos da inconfidência: a frase, com sua foto em destaque, virou slogan de uma campanha em favor do abrandamento da repressão policial contra quem é pego fumando maconha. Logo em seguida vem o elogio: "Enfim, um político honesto". E o adendo: "É NORML fumar maconha" – sendo NORML, espécie de abreviatura de "normal", a sigla em inglês de Organização Nacional por Reformas nas Leis sobre Maconha, o grupo que organiza a campanha.

AP
AFP
Cortina de fumaça: Clinton não tragou, Bush se diz abstinente desde 1974

"Não gostei de terem usado meu nome. Mas suponho que a Primeira Emenda me impeça de proibir", resignou-se Bloomberg. Ou seja: nem vai dar-se ao trabalho de tentar atropelar o sagrado pilar da liberdade de expressão, tal como é garantida pela Constituição americana. Amparada nela, a NORML montou uma campanha de 500.000 dólares que inclui cartazes, outdoors e anúncio de página inteira no The New York Times. "Não queremos prejudicar o prefeito", jura o diretor executivo da organização, Keith Stroup. "Só queria poder perguntar-lhe: o senhor deveria ter sido preso quando fumou maconha?" O alvo da campanha da NORML é a sanha com que a polícia de Nova York, cujo comando é da alçada da prefeitura, enquadra quem acende seu baseado em público. A lei diz que o infrator tem de ser algemado e preso. Em 1992, 720 pessoas passaram pelo vexame; em 1999, o número saltou para 33.471. A proposta da NORML é que a punição não se aplique a ninguém pego com menos de 30 gramas da droga.

Bloomberg, 60 anos, divorciado, dono de um império de comunicações, freqüentador assíduo de festas da alta sociedade nova-iorquina, está aprendendo na prática o espinhoso ofício da política, em que o melhor é falar sem falar. Encaixa-se nesse princípio básico a impagável cortina de fumaça que acompanhou a histórica confissão do ex-presidente Bill Clinton, o primeiro a admitir que fumou maconha, sim, "mas não traguei". Ou a inabalável firmeza com que o atual presidente, George W. Bush, proclama que está limpo desde 1974 – sem manifestar palavra sobre a vida antes disso, uma esbórnia de bebedeiras e, suspeita-se fortemente, drogas, particularidade essa alimentada pela eterna boataria sobre uma prisão por porte de cocaína. Resta a Bloomberg ter fé de que nada advirá de suas observações, na mesma entrevista, a respeito de outro assunto delicado: vida amorosa. O prefeito, que não tem namorada fixa, comentou, com ar satisfeito, que as socialites de seu círculo "adoram me arranjar encontros com as amigas delas". O que será que sairá disso?

   
 
   
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