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A química
do vício
Pesquisadores
americanos descobrem
por que um fumante acende um cigarro
a cada cinqüenta minutos, em média
Karina Pastore
Contexto
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Um único cigarro contém 4.700
substâncias, mas apenas uma causa dependência: a nicotina.
Depois que um fumante traga, ela demora apenas nove segundos para chegar
ao cérebro e desencadear a liberação de dopamina,
neurotransmissor responsável pela sensação de prazer.
Esse processo é conhecido, mas os pesquisadores se perguntavam
por que motivo uma pessoa viciada em nicotina sente necessidade de fumar
de cinqüenta em cinqüenta minutos, em média. Uma equipe
de estudiosos da Universidade de Chicago parece ter encontrado a resposta
para o mistério a compulsão por nicotina obedeceria
a um ritmo biológico. Que só não tem precisão
suíça porque há de se levar em conta as peculiaridades
e circunstâncias de cada fumante. Em artigo publicado na revista
científica Neuron, o médico Daniel McGehee e sua
equipe relatam que duas substâncias produzidas no cérebro,
os neurotransmissores GABA e glutamato, ajudam a manter alto o nível
de dopamina liberado graças à ação da nicotina.
O efeito dura cerca de uma hora, justamente o tempo que um fumante leva
entre um cigarro e outro.
"O
estudo abre a possibilidade para a criação, a longo prazo,
de novos remédios contra o tabagismo", diz o psiquiatra Montezuma
Pimenta Ferreira, responsável pelo ambulatório de tabagismo
do Hospital das Clínicas de São Paulo. Ao identificar as
substâncias responsáveis pela duração do bem-estar
causado pelo cigarro, os especialistas têm um alvo certo contra
o qual atirar. Podem desenvolver drogas que bloqueiem a ação
do GABA e do glutamato. Uma vez atingido esse obje, a longo prazo,
de novos remédios contra o tabagismo", diz o psiquiatra Montezuma
Pimenta Ferreira, responsável pelo ambulatório de tabagismo
do Hospital das Clínicas de São Paulo. Ao identificar as
substâncias responsáveis pela duração do bem-estar
causado pelo cigarro, os especialistas têm um alvo certo contra
o qual atirar. Podem desenvolver drogas que bloqueiem a ação
do GABA e do glutamato. Uma vez atingido esse objetivo, os níveis
de dopamina no cérebro cairiam poucos segundos depois da primeira
tragada e a pessoa não teria motivação pelo
menos química para continuar fumando.
Desvendar
por completo os mecanismos de ação da nicotina é
um dos grandes desafios da medicina. Há 1,1 bilhão de fumantes
em todo o mundo e ocorrem 4 milhões de mortes por ano relacionadas
ao tabaco. O vício está vinculado a 90% dos casos de câncer
de pulmão, 80% dos de enfisema pulmonar, 25% dos de infarto e 40%
dos de bronquite crônica. De acordo com a Organização
Mundial de Saúde, a nicotina é, depois da morfina, a droga
que mais provoca dependência. De cada 100 dependentes, apenas três,
ao final de um ano, conseguem abandonar o cigarro.
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O
pirulito da discórdia
Muita
gente que tenta entrar para o clube dos não-fumantes recorre
aos chicletes e adesivos de nicotina. Esses artifícios suprem
a necessidade orgânica da substância, sem que a pessoa
tenha de ingerir a fumaça venenosa do cigarro. Recentemente,
foram colocados à venda nos Estados Unidos pirulitos de nicotina,
nos sabores framboesa, limão, uva e morango. Os fabricantes
dizem sem nenhuma comprovação que eles
têm efeito mais rápido que o de chicletes e adesivos.
Apontam, ainda, uma outra vantagem, esta de ordem psicológica:
o leva-e-traz à boca se assemelha ao gesto de fumar, o que
serviria de consolo para o sujeito que deseja parar com o cigarro.
Mas há um senão: as crianças podem confundir
esses pirulitos com guloseimas normais.
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