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Tenho
acompanhado de perto a questão Israel-Palestina há muitos
anos. Desde a diáspora judaica, passando por Ben-Gurion e o sionismo
até a criação da OLP. Devoro vorazmente tudo que
passa em minhas mãos sobre o assunto, fontes de diversas partes
do mundo. Sinto-me satisfeito de ter lido uma série de reportagens
de rara lucidez e com imparcialidade louvável. Jamais vi um relato
tão fidedigno dos fatos. Se alguém ainda não conseguia
entender o cerne desta questão tão relevante para o mundo,
certamente compreenderá após ler aquelas páginas
de VEJA. Parabéns ("A marcha da insensatez", 10 de abril)! Não
sei por que a imprensa brasileira em geral insiste em criticar a situação
em Israel, enquanto em seu próprio país a miséria
e a corrupção correm soltas! Basta de hipocrisia! Quando
chegamos ao ponto de um representante do Movimento dos Sem-Terra (MST)
expressar seu apoio a Arafat é porque perdemos a noção
do ridículo. A
Federação Israelita do Estado de São Paulo manifesta
seu total apoio à equipe de jornalismo de VEJA pela reportagem
"A marcha da insensatez". A matéria apresenta os fatos de maneira
totalmente imparcial, sem juízo de valor e sem os preconceitos
comuns nesse tipo de cobertura. É
simplesmente impressionante o quadro
(págs. 44 e 45 da edição 1 746) mostrando
a desproporção entre Israel e os países árabes.
É como se um palmeirense se instalasse no meio da torcida do Corinthians
e lá estabelecesse seu território, à força. Gostaria
de expressar meu total contentamento com a reportagem "A marcha da insensatez".
Eu, assim como muitos judeus sionistas, não apóio a política
de Sharon. A mim me parece que é a ação de um homem
desesperado e sem opções, mas não deixo de notar
a hipocrisia de Yasser Arafat de implorar ao mundo por compaixão.
Enquanto ele condena atentados terroristas em inglês, em árabe
ele conclama os árabes a matar judeus e ocidentais e isso
me faz perguntar o que o diferencia de alguém como Osama bin Laden. Ariel
Sharon vem conseguindo em menos de dois anos o que Arafat não havia
conseguido em três décadas: a unanimidade mundial a favor
da causa palestina. A
insensatez das ações de Sharon não é maior
que a indiferença de vários líderes mundiais que
nada fazem para impedir essa humilhação por que passa toda
a humanidade. O episódio atual relembra sábias palavras
de Khalil Gibran: "Como és insensato quando queres que outros voem
com tuas asas, conquanto não possas dar-lhes sequer uma pena". A
questão Israel x palestinos desafia qualquer lógica. Ao
contrário dos outros conflitos, neste não temos mocinho
nem bandido: ambas as partes têm razão. Digamos que os judeus
tenham o "direito histórico" (a velha escritura no fundo do baú)
e os palestinos, o direito pelo "usucapião": a terra estava "abandonada"
(afinal, os judeus cometeram a imprudência de desafiar a maior potência
mundial, Roma, e foram dispersados) e eles a ocuparam! Só mesmo
uma solução salomônica para destrinchar o nó. Estamos
assistindo a um holocausto contemporâneo. Mas desta vez contra o
povo palestino. Vale lembrar que, assim como os judeus tiveram o direito
de retornar depois de milênios à Terra Prometida, os palestinos,
muçulmanos ou cristãos, têm esse mesmo direito, depois
de terem sido expulsos nas guerras de 1967 e de 1973. Esse
bloqueio, ou melhor, essa prisão submetida a Arafat por Ariel Sharon
é digna de repulsa. O povo palestino está passando, como
sempre, fome e medo. É por isso que está difícil
ver luz no fim do túnel. Mas é fundamental acreditar que
o "bicho" homem, com toda sua racionalidade, seja capaz de escolher a
forma pacífica para a sobrevivência digna da espécie
humana. Maomé, Cristo e tantos outros profetas e messias esperam
por esse dia. Se
no Brasil, país de baixa densidade demográfica e território
continental, temos problemas pela posse da terra, com governo e proprietários
de um lado e MST e grileiros do outro e não conseguimos
resolver a situação , imaginem quanto é difícil
um acordo entre israelenses e palestinos para a divisão de um território
diminuto. Só existem dois caminhos: ou se toleram e aprendem a
se respeitar ou continuam nessa rotina animalesca e imbecil de destruição
mútua.
Senhor editor,
Gostaríamos de parabenizar a revista VEJA pela excelente e oportuna
reportagem "Como e por que eles venceram" (3 de abril), que abordou a
questão do empreendedorismo em nosso país. Aproveitamos
a oportunidade para informar que a London Business School é a entidade
que coordena internacionalmente o projeto denominado Global Entrepreneurship
Monitor (GEM), do qual foram extraídas as informações
citadas na matéria. Porém, a entidade nacional responsável
pela realização da pesquisa no Brasil, bem como pela análise
quantitativa e qualitativa dos dados, é o Instituto Brasileiro
da Qualidade e Produtividade (IBQP), com sede em Curitiba.
Simplesmente lúcida e gratificante a entrevista com Jacques Barzun
(Amarelas, 10 de abril). Pessoas como ele fazem falta em nossa sociedade,
quando se apresentam de forma simples e direta, criticando e apontando
nossos erros, sem ideologias nem apologias. Deveríamos rever nossos
conceitos e pôr em discussão o tipo de sociedade que queremos.
Não há uma fórmula correta. Há a que melhor
se enquadre em nossos modelos e raízes culturais. Ela deve ser
discutida incessantemente. Ou alguém crê que a Europa e todo
seu aparato social se formaram da noite para o dia, e sem dor nem sofrimento? Considerei
primária a posição do senhor Jacques Barzun ao dizer
que "politicamente as sociedades latino-americanas não contribuíram
com nenhuma idéia original para o Ocidente". Por outro lado, o
entrevistador mostrou tibieza ao ficar calado diante de tal sandice.
Simplesmente brilhante o Ponto de vista do articulista Luiz Felipe de
Alencastro ("Brasília e o mundo", 10 de abril). O que falta ao
país é uma política externa atuante, que nos faça
ser um jogador de verdade no jogo agressivo de interesses que move o comércio
mundial.
Somos do Sesi 222 e queremos parabenizar a revista VEJA pelo ótimo
conteúdo e pelo senso crítico tão bem apurado. Mas
gostaríamos de elogiar principalmente a coluna do Arc. Essa seção
mostra a realidade do Brasil e do mundo de forma clara, simples e bem-humorada,
sem deixar uma dúvida sequer. E é por isso que nossa escola
vem desenvolvendo um trabalho com base nessa coluna, pois a consideramos
uma grande fonte de jornalismo e atualidade. Agradecemos por publicarem
material tão educativo e interessante.
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