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Tudo
o que sobe
tem de descer
Oscar Cabral
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Plataforma
da Petrobras: no melhor dos dois mundos, o público e o privado
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Numa
economia de mercado, a medida anunciada recentemente pela Petrobras seria
ideal. Francisco Gros, presidente da estatal, está propondo que
a empresa possa reajustar o preço da gasolina a cada quinze dias,
sempre que houver uma variação média do preço
do óleo superior a 5%. À primeira vista, nada mais justo.
É assim que a coisa funciona no mundo. Os consumidores brasileiros
ficariam ao sabor da flutuação das cotações
do petróleo no mercado internacional. Quando o petróleo
subir, a gasolina também subirá. Quando a cotação
do barril cair, o preço baixará na bomba dos postos. Ocorre
que, se há plena certeza de que o preço da gasolina subirá
quando o mercado de petróleo estiver aquecido, existe uma dúvida
enorme na sociedade sobre se custará menos abastecer o carro quando
se der o movimento contrário nas cotações do óleo
bruto lá fora. A dúvida não surge apenas do oportunismo
da medida adotada pela Petrobras. Afinal, ela vem justamente num momento
de fortes altas no preço do petróleo e com perspectivas
ainda piores, já que esse mercado é afetado com força
pela temperatura política no Oriente Médio, atualmente metido
numa guerra sem prazo para terminar.
A dúvida vem mesmo dos fundamentos econômicos que envolvem
a decisão da Petrobras. O primeiro deles é que de modo geral
o governo e suas empresas aumentam preços e tarifas em índices
sempre muito superiores aos da iniciativa privada. Invariavelmente, os
chamados preços administrados pelo governo contribuem para as taxas
de inflação mais que quaisquer outros preços da economia.
O outro fundamento que alimenta a dúvida vem do fato de a Petrobras
ser um monopólio. Ela refina hoje 98% do petróleo do país.
Está presente em todas as iniciativas de produção
de petróleo e em quase todas as de prospecção. Como
reconheceu o próprio presidente da estatal, se a Petrobras detivesse
apenas 50% do refino, a polêmica em torno da política de
preços proposta por ele simplesmente não existiria. Como
se sabe, monopólios, estatais ou privados, mandam nos preços.
Sempre os levando para cima. Por essa razão, a Petrobras não
deveria reivindicar preços livres de economia de mercado enquanto
continua abrigada sob o doce manto da proteção estatal.
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