Edição 1931 . 16 de novembro de 2005

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Aventura baiana com final feliz

Inacio Teixeira/AP
Mykensie, com Marcos: ajuda


Menina (americana) foge da casa onde está fazendo intercâmbio. Menina se mete em encrenca. Menina é salva por nativo pobre e gentil. Parece até filme para adolescentes a história de Mykensie Martin, 17 anos, que saiu do trepidante Oregon para Carmo do Parnaíba – a calmaria da cidade mineira, imaginem, foi apontada como causa da inadaptação. "Foi planejado. Ela já saiu daqui com artigos de toalete e um short", diz Lineu Cardoso, o preocupado "pai" brasileiro, sobre a rota que levou Mykensie de um culto mórmon a Salvador. Chegou à capital baiana de carona e de ônibus porque "queria viajar, conhecer lugares", conta o policial federal Rodrigo Kolbe, que tomou seu depoimento. Quase assaltada na praia, foi salva por Marcos Alves, 26 anos, que trabalha como garçom numa barraca. Marcos lhe deu apoio, arranjou um lugar modesto mas generoso para acomodá-la e, quando ela foi localizada, acompanhou-a à polícia. "Ela disse que queria ser independente dos pais e viver em outro lugar", conta. Despediram-se com beijos calorosos e troca de e-mails. Mykensie foi levada para a embaixada americana em Brasília, onde se encontrou com os pais verdadeiros. Já pode vender os direitos da história.

 

Desigualdade social é isso aí

 
Timothy A. Clary/AFP
AFP
Timothy A. Clary/AFP

 

Gisele, pós-Leo, Heidi, pós-parto, e Tyra, pós-dieta: notou?

O desfile da Victoria's Secret deste ano deixou evidente: ninguém sobe impunemente na passarela, de lingerie, em companhia de Gisele Bündchen. Soberbamente em forma, sem nem um sinalzinho de dor-de-cotovelo pelo rompimento com Leonardo DiCaprio, Gisele vestiu as asas nada angelicais que caracterizam o desfile e deixou a concorrência mal na foto, literalmente. Heidi Klum, a loira mulher do cantor Seal, ainda tem desculpa: teve bebê há apenas dois meses. Já Tyra Banks mostrou que a "rigorosa dieta" no último mês não adiantou muita coisa. Tyra anunciou que esse foi seu último desfile – agora vai se dedicar ao novo talk-show em que, vejam só, faz críticas ao culto à beleza: já apareceu sem maquiagem e em breve dará uma aula prática sobre celulite no próprio corpo. Material não vai faltar.

 

Calma que o leão é (quase) manso

 

Robson Fernandes
Tyson chega à delegacia: simpatia e fotos com todo mundo

Procedente de Buenos Aires, onde deu entrevista paga a Maradona, o pugilista americano Mike Tyson veio fazer turismo dirigido no Brasil. Dirigidíssimo, aliás: escolheu São Paulo para visitar, se se pode dizer assim, onde passou os dias dormindo e as noites freqüentando boates nas quais as moças só sobem no ringue contra pagamento. Deixou impressão quase unânime: é um doce de pessoa. "Ele é um ser humano sensível e interessante. Só fala muito palavrão", disse Oscar Maroni, empresário (de boate), sobre o homem que já arrancou com os dentes um pedaço de orelha do adversário. Tyson só foi Tyson quando implicou com um cinegrafista (em uma boate), destruiu sua câmera, acabou detido (na boate seguinte) e prestou depoimento numa delegacia. Onde, aliás, o lado doce reaflorou. "Ele foi amável e simpático e tirou foto com todo mundo, até com as faxineiras", conta o delegado Roberto Calaça.

 

Pablo Sousa
Ana/Anita: pé no chão, marmita e olhos castanhos


Linda, porém disfarçada

Serva devota da arte, a atriz Ana Paula Arósio, 30 anos, vive uma luta – inglória, diga-se de passagem – contra a natureza: tenta ficar mais feia. Para interpretar Anita Garibaldi no filme Garibaldi in America, título provisório do longa-metragem do diretor italiano Roberto Rondali, Ana emagreceu 7 quilos e escondeu os olhos cor de esmeralda atrás de lentes castanhas. Assim disfarçada, de pés descalços e marmita embrulhada no pano de prato, ela se esforça por expressar todas as nuances da brava catarinense. "Na minha pesquisa, descobri, por exemplo, que depois do nascimento do seu primeiro filho Anita começou a manifestar uma defesa selvagem de sua cria", relata, entusiasmada.

 

No Amazonas, como os amazonenses

 

Ribamar O Caboclo
Claudia e Polanski: o cocar não foi para a França

Estrelas do anglicístico Amazonas Film Festival, a atriz Claudia Cardinale e o diretor Roman Polanski caíram na farra amazonense (é desnecessário, visto que ele aprecia companhias com um quarto ou menos da idade dela, mas esclareça-se: cada um para seu lado). Ela passeou e, principalmente, caiu na dança. Ele nadou no Rio Negro, deu peixe para boto, brincou (com todo o respeito) com crianças caboclas e, no boi-bumbá, ganhou um enorme cocar – que, por sinal, pertencia ao cantor Wilson Nobre. "Mandei fazer há três anos. É de pena de pato e custou 1.000 reais. Mas a organização pediu e eu dei", suspira Nobre. O pior é que Polanski, até compreensivelmente, não levou o gigantesco presente para a França, onde mora. Encarregou a organização de mandar "depois".

 

Editado por Lizia Bydlowski.
Colaboraram Bel Moherdaui, Daniela Leone,
Laura Ming, Ronaldo França e Sandra Brasil

 
 
 
 
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