Edição 1931 . 16 de novembro de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"A saudade imensurável é mais suportável que a visão do sofrimento e a certeza de nossa impotência diante dele."
Izolda Maria Rosas Lages
Recife, PE

 

Fase final da vida

Gostaria de cumprimentar a revista pela excelente reportagem "Em busca de um final sereno" (9 de novembro), sobre o resgate da dignidade no fim da vida, e pela foto de capa, que mostra de modo claro que a finitude não precisa ser sinônimo de dor e sofrimento.
Monica M. Trovo Araújo
Enfermeira do Hospital Universitário da USP
São Paulo, SP  

Quando VEJA escreve sobre algo tão sensível à nossa cultura, solidariza-se com a dor de muitos. Vários pacientes vieram me falar dessa reportagem como se vocês os entendessem. Parabéns! Falar da morte é sempre uma forma de refletir sobre a vida. Espero outras matérias que abordem a vivência dos profissionais que trabalham com esses pacientes.
Claudia Usui
Assistente social da Santa Casa
Sorocaba, SP  

Aceitar, eis o segredo. Resignação e, acima de tudo, fé. Em quê? Em quem? Não importa. Mas tendo sempre a certeza de que a vida é a nossa melhor escola. Muitas vezes escutei de minha mãe, já no fim desta vida: "Só se leva da vida a vida que se leva". Façamos bom uso da nossa.
Juliana Marques
Paris, França  

A matéria abordou de forma maravilhosa as escolhas que os pacientes podem fazer em relação ao seu tratamento. Apenas gostaria de esclarecer que o tratamento paliativo a que VEJA se refere recebe juridicamente o nome de ortotanásia, ou seja, é o direito do usuário do serviço de saúde no estado de São Paulo, ou, na sua impossibilidade, de seus familiares, de recusar tratamentos dolorosos ou extraordinários para tentar prolongar a vida; e de poder decidir também pelo local de sua morte. Por mais humanizada que hoje esteja, a UTI não tem o mesmo aconchego e carinho que a família pode oferecer a um doente terminal.
Andréa Zuppo Franco
São Paulo, SP  

No tratamento multidisciplinar dos pacientes com câncer com intenção curativa, prolongar sua sobrevida livre de doença e a sobrevida global é o objetivo principal, mesmo à custa de toxicidade aceitável. Entretanto, é fundamental considerarmos a qualidade de vida do paciente como desfecho importante do tratamento naqueles com doença avançada, além de prolongar a sobrevida sempre que possível. Nesse contexto, cuidados paliativos e de suporte, para o controle dos sintomas decorrentes do mal e de seu tratamento, tornam-se cada vez mais relevantes, especialmente em nosso meio, em que grande parte dos pacientes é diagnosticada com o câncer em fase avançada.
Gilberto de Castro Junior
Médico oncologista
São Paulo, SP  

São 6 horas da manhã e acordo mais uma vez na UTI de um grande hospital esperando meu colega para passar o plantão e inicio uma de minhas muitas navegações diárias pela internet tendo a grata satisfação de ler a reportagem. É extremamente gratificante ver que a imprensa começa a debater esse assunto, que tem sido alvo de grandes discussões entre nós, médicos intensivistas, pacientes e familiares. Até quando devemos investir num paciente? Será via digna um paciente ventilado mecanicamente, ligado a uma máquina de diálise, mantendo pressão arterial à custa de drogas vasopressoras e, pior do que isso, às vezes com um câncer terminal?
Sergio Elia Mataloun
Médico intensivista
São Paulo, SP  

A reportagem emocionou-me e alegrou-me por fazer saber que já podemos, em nosso país e por meio de uma revista tão lida como VEJA, falar sobre a dignidade da escolha de morrer em casa. Aproveito para elogiar o fotógrafo pelo retrato da dona-de-casa paulista Maria Lima Spazzapan, de 57 anos, com a filha Alessandra. A foto tem a beleza e a sensibilidade necessárias para ilustrar magnificamente a matéria. Eu diria que essa foto vai além da matéria, questionando-nos sobre o morrer em família.
Maria Buser
Basiléia, Suíça

É extremamente importante que esse assunto seja divulgado para o público leigo, uma vez que muitas pessoas no fim da vida têm sofrido bastante por falta de informações sobre uma parte da medicina que não está só preocupada com alta tecnologia e procedimentos sofisticados, mas também com o alívio de sintomas incapacitantes e a qualidade de vida, trazendo dignidade ao ato final da existência. O trabalho da doutora Goretti deve ser multiplicado em várias instituições de saúde pública e particular. Pretendo utilizar a matéria como bibliografia recomendada em meus cursos.
Maria Julia Kovács
Professora livre-docente do Instituto de Psicologia da USP
São Paulo, SP

 

Eduardo Giannetti

Um presente para os leitores. As idéias de uma das mentes mais privilegiadas do país numa entrevista que reafirma um poder de Giannetti, que deve inspirar todos os professores: a capacidade singular de resumir conceitos complexos em frases e exemplos simples e acessíveis (Amarelas, 9 de novembro).
Rodrigo Flores
Concórdia, SC  

O economista tratou com maestria, simplicidade e competência de um tema complexo para os economistas: os juros. Parabéns.
José Tiacci Kirsten
Professor titular do departamento de economia da USP
Por e-mail  

Tem sido um prazer ler a revista, em especial a arguta entrevista do economista e autor Giannetti. Contudo, devemos ter cautela com a afirmação de que o país não poderia crescer mais de 3,5% ao ano, pois seria inflacionário (por atingir o limite da atual capacidade de fábricas, fazendas etc.). O Brasil já produziu altas taxas de crescimento apesar de a poupança interna ser historicamente baixa. Quando existe potencial de alto crescimento, seja aqui, seja em outros países, os empresários investem, utilizando poupança interna e externa, e há aumento da capacidade produtiva, de emprego, renda e bem-estar, sem necessariamente gerar inflação.
Paulo Areas, empresário
Rio de Janeiro, RJ  

A entrevista do escritor, economista e filósofo Eduardo Giannetti é um brinde desta revista aos seus leitores e uma lição para que estes aprendam a refletir melhor sobre o momento e o futuro do Brasil.
Jorge Harley Garcia Figueiredo
Itabuna, BA  

Concordo com o economista quando ele afirma que o Brasil não tem a vocação da espera. Porém, é necessário observar que a falta dessa vocação também tem sua origem nos sucessivos governos. Em relação à poupança, por exemplo, quantos "governos" entenderam o dinheiro como patrimônio a ser respeitado? Basta lembrar confiscos, compulsórios e novos tributos e taxas. Num país de tradição cartorial, herdada dos lusitanos, parece que o único patrimônio sempre respeitado é a propriedade de imóvel, pois tem escritura e registro. Assim, como nem sempre a população quer ou tem condições de comprar um imóvel, prefere consumir rapidamente a deixar seu dinheiro guardado num banco, que pode evaporar com uma simples "canetada" vinda de Brasília.
Anderson Fazoli
São Paulo, SP

 

Caixa dois

Brilhante a reportagem ("O caixa dois foi mesmo o seu, o meu, o nosso suado dinheirinho", 9 de novembro). A jornalista Julia Duailibi está de parabéns, pois conseguiu explicar em riqueza de detalhes como funcionava o esquema do valerioduto. O senhor Marcos Valério e sua corja poderiam parodiar a célebre frase do jogador Vampeta, depois de ele (não) ter jogado pelo Flamengo, quando soltou a seguinte pérola: "Eles fingiam que pagavam, a gente fingia que jogava". No caso do carequinha seria: "Eles (o BMG) fingiam que emprestavam, a gente fingia que pagava".
Sergio Lima Medeiros
Boa Vista, RR  

Excelente a reportagem referente ao "nosso suado dinheirinho" escorregando pelo caixa dois para partidos e políticos desonestos. Na realidade, tudo é pago pelo povo através de uma carga tributária escorchante e desumana. Fala-se em 90 bilhões de reais ou talvez o dobro se somarmos a famosa corrupção "legal", que são privilégios aprovados por lei que beneficiam deputados cassados e outros protegidos do serviço público com generosas aposentadorias. Não é suficiente descobrir quem roubou, mas como trazer de volta esse "suado dinheirão" para devolver aos seus legítimos donos, os sacrificados trabalhadores brasileiros ("O calvário do nosso dinheirinho", 9 de novembro).
Cláudio Froes Peña
Porto Alegre, RS

 

O dinheiro de Cuba

A forma como parlamentares do PT reagem às revelações do suposto financiamento de Cuba para a campanha de Lula mostra como o conceito de democracia é distorcido por determinados elementos desse partido. Liberdade de imprensa para eles é o repórter poder escrever tudo aquilo que o partido permite. Oposição era o que eles faziam. Denuncismo é o que os outros fazem hoje. Antes chamavam de corrupção, agora de dinheiro não contabilizado. Ditadura era um período negro da história brasileira, atualmente parece um projeto de governo ("O vôo do dinheiro de Cuba", 9 de novembro).
Marcus de Medeiros Matsushita
Marília, SP  

Diante dos repetidos desmentidos quanto ao dinheiro vindo de Cuba, eu gostaria que alguém do PT explicasse o deslocamento de um avião particular para fazer uma viagem São Paulo–Brasília–São Paulo com a exclusiva finalidade de transportar três caixas de bebida. Será que o senhor presidente, que tanto gosta da expressão "eu estou convencido", também "está convencido" de que o Brasil é hoje um país de débeis mentais ou de alcoólatras em permanente estado etílico?
Alfredo Serafim
Rio de Janeiro, RJ  

VEJA, com matérias sobre o caixa dois do PT e investigações sobre o caso Cuba, consagra-se, cada vez mais, como um veículo de comunicação sério, imparcial, que, com o jornalismo investigativo, desmascara os políticos cara-de-pau, usurpadores da nação.
Marcos Penha
Ilhéus, BA

 

Petistas ontem e hoje

Bastante significativa a resposta da revista aos pseudodemocratas do PT com relação ao conceito que têm do semanário ("Pimenta nos olhos dos outros...", 9 de novembro). Usando a tática de sempre, eles partem para a agressão e se esquecem de que o véu da santidade foi descoberto. Esse comportamento é que é insuportável, pois o PT não aprende. Acredito na matéria, e logo as provas aparecerão, como já estão efetivamente aparecendo. Chega de PT!
Paulo Andrade
Por e-mail  

Na realidade, o PT não queria chegar ao poder, pois sua situação como eterna oposição era bastante confortável, assegurava espaço na mídia, e o partido vivia em eterna campanha, garantindo assim a simpatia da população e as mordomias de seus dirigentes. É muito difícil para quem sempre foi a flecha se acostumar a ser o alvo.
Tutmés Toledo Gomes Marcelino
Maceió, AL

 

Madeireiras

Na qualidade de assinante de VEJA e habitante da Amazônia Legal, quero externar minha alegria com a revista pela abordagem do problema enfrentado pelo setor madeireiro ("Menos de 1% tem o selo verde", 9 de novembro). Sou prestador de serviços nessa região e, portanto, nunca derrubei uma única árvore. O Ibama, porém, é um órgão desprezível, que trata empresários sérios como bandidos e é administrado como se fosse o PT nacional. Em nossa cidade, há poucos dias, os funcionários do órgão não podiam acessar o sistema por falta de pagamento à Brasil Telecom. Entende-se o motivo de o Ibama querer prejudicar os bons madeireiros. Estes não dão propina, não contribuem com campanhas eleitorais. O Ibama é uma fonte inesgotável de boas reportagens.
Valdemir Alcantara
Sinop, MT

O Brasil tem vocação natural para os negócios florestais, em razão da natureza exuberante, quantidade e qualidade de terra disponível para cultivo, mão-de-obra com custo acessível, entre outros fatores. Porém, está longe de ser uma potência competitiva no setor madeireiro simplesmente porque vocação natural é diferente de vantagem competitiva, e não podemos confundir os dois conceitos, sob pena de sermos sempre uma promessa de país. A vantagem competitiva é sempre construída, jamais herdada. Apesar da inestimável contribuição que o setor florestal já proporciona atualmente a nossa economia, as questões cruciais relativas a seu desenvolvimento ainda são tratadas de forma inadequada tanto pela sociedade em geral quanto pelos governos. A propagação da idéia conservacionista/não-produtiva de floresta tem atrapalhado significativamente os avanços dos investimentos, das pesquisas de novas espécies para usos comerciais, novas aplicações de produtos madeireiros, novas tecnologias, entre outros. Além disso, essa visão que se propaga sobre a floresta intocada tem alimentado a ilegalidade, o contrabando e a miséria de populações inteiras que dependem da floresta para sobreviver. Junte-se a isso o fato de o país estar passando por uma crise de valores nunca vista, com a corrupção se alastrando como erva daninha em todas as esferas de poder. Outro grande empecilho ao fortalecimento do setor florestal é o descompasso existente entre a legislação florestal federal e as estaduais. Tome-se como exemplo Mato Grosso, estado que vem ocupando muito espaço nos jornais e revistas atualmente, graças aos absurdos que por lá têm ocorrido. O Brasil precisa escolher, de uma vez por todas, se deseja usufruir ou não todas as suas potencialidades.
Patrícia F. Fanaya
Por e-mail

 

Solteirões chineses

A reportagem "O país dos solteirões" (9 de novembro) mostra claramente o que é o partido comunista antes e depois de assumir o governo. Vemos Stedile incentivando as famílias humildes a ter muitos filhos para criar um problema social que "somente eles terão a chave para resolver", e a China impondo um filho por casal. Outra consideração é: até quando vamos permitir que seja tabu falar abertamente em controle de natalidade ou planejamento familiar?
José Francisco da Silva Algarve
Rio de Janeiro, RJ

 

Cameron Clapp

A exemplo do físico inglês Stephen W. Hawking, autor de Uma Breve História do Tempo, é belíssima a lição de vida dada à humanidade pelo jovem Cameron Clapp ("Vida sobre próteses", 9 de novembro). É fato que o privilégio do acesso a um tratamento de Primeiro Mundo ajuda muito, porém são fatores determinantes para a vitória a disposição e a coragem.
Lidia Silva Sales
Itaquaquecetuba, SP

 

O computador de 110 dólares

Finalmente surgiu alguém disposto a contribuir para que milhões de estudantes possam usufruir o mundo digital, deixando de ser os "excluídos digitais", por incapacidade financeira própria, o que ocorre na maior parte dos casos, ou dos governos em atender a essa demanda tão necessária no mundo globalizado. Espero que essa iniciativa, se concretizada, seja abraçada por todos: governos, instituições e empresas, em benefício não somente de estudantes, mas de todos aqueles que aspiram adentrar no mundo digital e não têm condições de fazê-lo pelos preços hoje praticados no mercado ("Querida, encolhi o laptop", 9 de novembro).
José Carlos Malzoni
Sorocaba, SP

 

Nordeste

Muito boa a reportagem "O Nordeste dos europeus" (9 de novembro). O Nordeste é a região brasileira mais próxima da Europa e dos Estados Unidos e possui um litoral de 3.300 quilômetros com belíssimas praias. A matéria está certa em afirmar que a infra-estrutura atrapalha o turismo da região. As praias de Pedra do Sal e de Luís Correia, ambas no Piauí, talvez sejam as mais bonitas do Nordeste. Porém não foram nem mencionadas na reportagem porque a cidade de Parnaíba só agora conta com um aeroporto internacional. Essas praias, além de belas, são praticamente virgens.
Maria Dilma Ponte de Brito
Parnaíba, PI

 

Violência na França

A reportagem "Paris está em chamas" (9 de novembro), sobre os acontecimentos nos subúrbios franceses, levanta outra questão: a das fronteiras. Há poucas semanas os jornais contavam um fato cotidiano nas fronteiras da União Européia. Todos os dias, centenas, milhares de pessoas vindas da África e da Ásia tentam penetrar no Paraíso e são rechaçadas. O sonho dourado dessa gente é vir limpar latrinas, quebrar pedras sob a neve. Qualquer coisa que façam, qualquer salário que ganhem será melhor do que a vida que têm em seu país. Se conseguirem entrar e ficar, casarão com mulheres que mandarão vir da sua terra ou com mulheres da sua terra que por aqui já estiverem, terão filhos que irão à escola pública. Seus filhos, porém, tendo nascido na Terra Prometida, não farão disso o objeto de seu desejo. Vão desejar as belas avenidas, os carros de luxo, a vida que prometem os filmes e a propaganda. Ficam apenas nas roupas de marca que conseguem comprar com esforço ou com pequenos tráficos. E então vão transformar essa frustração em ódio, em destruição. É claro que há desemprego na França, também é claro que há setores da economia que necessitam da mão-de-obra que vem todos os dias dos degraus do império. O negócio é que não há adequação entre o sonho de uns e a realidade de outros.
Claudia Poncioni
Paris, França

 

Daslu

Com referência à matéria "Milagre de Natal" (9 de novembro), gostaríamos de informar que a Burberry não faz parte do pool de marcas importadas pela Daslu. A marca inglesa Burberry possui uma loja dentro do espaço Daslu, assim como no Shopping Iguatemi, e tem administração própria sem nenhuma ligação com os negócios da Daslu. A Burberry está importando normalmente suas mercadorias, tanto é que, independentemente dos problemas ocorridos na Daslu, recebeu e lançou sua coleção outono-inverno no mês de setembro como todas as outras lojas Burberry no mundo.
Beth Gavião Assessoria de Comunicação e Marketing
São Paulo, SP

 

Diogo Mainardi

O colunista Diogo Mainardi denunciou inominados personagens cujos perfis sugerem pessoas reais, como o senador de bigode ("Roteiro para uma CPI", 9 de novembro). Como não foi ouvido pelo colunista, que o acusou sem provas, o senador de bigode procurou-me para esclarecer as aleivosias, conforme resumo a seguir. 1) Uma única vez, há cerca de dez anos, ele foi recebido, como convidado, pela irmã do outro senador, na casa de veraneio daquela família. 2) Esclarece que já ministrou palestras remuneradas, legítimas e legais. Mas detalha que, durante a eleição de 2002, não fez palestra remunerada alguma nas empresas do irmão do senador. 3) Ele informa que não recebeu doações do irmão do senador à sua campanha ao Senado. Para o bem da verdade, porém, diz que, caso lhe tivessem sido oferecidas, aceitaria. 4) Embora sua posição sobre as privatizações seja pública, o senador se dispõe a repeti-la. Na oposição, ele era contra a venda de empresas estratégicas, mas, quando se tornou inevitável, defendeu que os fundos de pensão participassem da aquisição de estatais, como as de mineração. A sugestão se tornou rentável, pois os trabalhadores hoje detêm parcelas significativas de empresas lucrativas e evitaram a desnacionalização de setores estratégicos. Nas telecomunicações, informa que, caso tivesse sido consultado pelos diretores nomeados pelo governo anterior, teria repetido o mesmo parecer: aliança entre os fundos e o capital nacional. 5) Por fim, sugere consulta às atas do Congresso. Não há registro de discurso do senador divulgando o conteúdo das fitas com os "grampos do BNDES", pois ele não se associa a escutas ilegais. O senador está à disposição para contribuir com a elucidação das denúncias. E registra: é do tempo em que um fio de bigode representava bom caráter e honestidade, fundamentos que nortearam seu relato.
Senador Aloizio Mercadante
Por procuração do senador de bigode
Brasília, DF

 

Combate ao crime

Tendo lido atentamente a matéria "Prisões com dignidade" ("Depois de brincar de referendo... é hora de falar sério", 26 de outubro), cumpre-me informar que, aqui na Bahia, já temos em funcionamento desde 2003 o Conjunto Penal de Valença, e recentemente acabamos de formalizar outra contratação de igual gênero para o Conjunto Penal de Juazeiro, onde inclusive inovamos exigindo no edital de licitação que a empresa vencedora dotasse a unidade (construída pelo estado) com o que há de mais moderno em termos de tecnologia. O sucesso desse modelo tem resultados práticos seja na qualidade de vida do interno, seja na capacitação dele para reintegrá-lo à sociedade, além de se revelar econômico para o Estado. Estamos em fase final para licitar empresas para operacionalizar ainda os conjuntos penais de Itabuna, Serrinha e Lauro de Freitas.
Mhércio Monteiro
Superintendência de Assuntos Penais da Bahia
Por e-mail

 

Fase final da vida 2

Eu gostaria de cumprimentá-los pela forma delicada como foi abordada a matéria sobre o final da vida e os cuidados paliativos. Nestes últimos dias, fui abordada várias vezes por pacientes e colegas, todos concordando com a importância de discutir um tema que faz parte do exercício de viver. Cumprimento a jornalista Vilma Gryzinski pelo belíssimo texto "Para ler ou guardar", que complementou a discussão. Os cuidados paliativos representam o resgate da vida, oferecendo uma alternativa de tratamento que prioriza o bem-estar e a valorização de cada dia vivido. Porém, não cuidamos só de doentes terminais, um termo estigmatizante e uma condição muito difícil de ser definida. Segundo a Organização Mundial de Saúde, os cuidados paliativos oferecem um sistema de atenção integral ao paciente e à família, quando se encontram diante de uma doença que ameace a continuidade da vida, a partir do diagnóstico dessa condição. Informo, como colaboração à matéria, que não sou oncologista. Minha formação acadêmica é em medicina de família e me considero, pela dedicação exclusiva ao tema, uma paliativista.
Maria Goretti Sales Maciel
São Paulo, SP

 

CORREÇÃO: William Booth, fundador do Exército de Salvação, era inglês, e não americano ("Em busca de um final sereno", 9 de novembro).

 

GP Masters

VEJA noticiou na reportagem "Veteranos velozes" (9 de novembro) que ex-pilotos da Fórmula 1 voltarão a enfrentar o desafio da velocidade no novo circuito mundial de corridas para esportistas veteranos. O leitor Fernando G. Barbosa, de Belo Horizonte (MG), interessou-se pela nova categoria do automobilismo e pergunta: "Há algum site para que aficionados como eu possam acompanhar as provas?". No site www.gpmasters.com há informações sobre os competidores e tudo o mais sobre o Grand Prix Masters, que terá a primeira disputa no domingo (13), na África do Sul.

 

Dignidade até o fim

Para o professor-doutor Francisco Gomes de Matos, membro da Comissão de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara, do Recife, a reportagem "Em busca de um final sereno" (9 de novembro), que trata da qualidade de vida dos pacientes terminais, deu uma aula magistral sobre o que a Carta de Direitos Humanos Emergentes chama de "O direito a uma morte digna". Ele se refere a um dos projetos apresentados no Fórum de Barcelona 2004, que chamou atenção para os direitos não inclusos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. O texto defende a garantia a qualquer pessoa do direito de ter respeitada sua vontade de não prolongar artificialmente a vida. O projeto pode ser lido em: http://www.barcelona2004.org/esp/.

 
 
 
 
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