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Carta ao leitor
As qualidades de Palocci
Pedro Armestre/AFP
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| Palocci: é vital reconhecer o seu papel e
exigir que não haja retrocesso na política econômica |
Dezenas de pessoas no Brasil exibem
credenciais técnicas para ocupar o cargo de ministro da Fazenda.
Mas Antonio Palocci reúne qualidades que lhe emprestam um
perfil especial. Antes de mais nada, a ele deve ser creditado o
mérito de reconhecer que a política econômica
do governo anterior era correta e, portanto, não poderia
sofrer alterações de rota. Na qualidade de integrante
do PT, Palocci também mostra ser capaz de apaziguar
quando não de domar os quadros mais à esquerda
do seu partido, sempre tentados a enveredar pelos perigosos atalhos
preconizados pela cartilha populista. Fundamental, ainda, é
a intimidade do atual ministro com o presidente Lula. A perfeita
sintonia com o chefe é condição para superar
as dificuldades trazidas pela adoção de medidas impopulares,
mas necessárias, como a política fiscal austera e
a livre flutuação cambial. Por último, Palocci,
no exercício do cargo, revelou ter grande aptidão
para comunicar-se com os mais diversos estratos sociais. É
um ministro que, em busca de consenso e na tentativa de não
aprofundar dissensões, conversa com empresários e
trabalhadores.
Esse ministro com tantas qualidades
vem enfrentando enormes pressões. No interior do governo,
tem de se haver com o fogo amigo disparado pelo vice-presidente
José Alencar e pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Nenhum dos dois se cansa de ocupar os ouvidos de Lula com trinados
populistas e eleitoreiros, vendendo-lhe a ilusão de que a
reeleição é fava contada desde que o governo
abra os cofres e baixe os juros a qualquer custo.
No fronte externo, o cenário
não é menos difícil para Palocci. A herança
dos tempos de prefeito de Ribeirão Preto, com seus Poletos
e Burattis, tem-se apresentado pesada demais e está a ponto
de lhe diminuir a estatura. Na semana passada, quando o fogo inimigo
e o amigo atingiram o ápice, era dada como certa a saída
do ministro. Não importa o desfecho, cabe ao Brasil reconhecer
o papel de Palocci e exigir que não haja mudanças
nos rumos da política econômica. A responsabilidade
fiscal e monetária nos últimos 35 meses foi obra de
Palocci, sem dúvida, mas é uma conquista de toda a
sociedade brasileira.
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