Edição 1931 . 16 de novembro de 2005

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Carta ao leitor
As qualidades de Palocci


Pedro Armestre/AFP
Palocci: é vital reconhecer o seu papel e exigir que não haja retrocesso na política econômica

Dezenas de pessoas no Brasil exibem credenciais técnicas para ocupar o cargo de ministro da Fazenda. Mas Antonio Palocci reúne qualidades que lhe emprestam um perfil especial. Antes de mais nada, a ele deve ser creditado o mérito de reconhecer que a política econômica do governo anterior era correta e, portanto, não poderia sofrer alterações de rota. Na qualidade de integrante do PT, Palocci também mostra ser capaz de apaziguar – quando não de domar – os quadros mais à esquerda do seu partido, sempre tentados a enveredar pelos perigosos atalhos preconizados pela cartilha populista. Fundamental, ainda, é a intimidade do atual ministro com o presidente Lula. A perfeita sintonia com o chefe é condição para superar as dificuldades trazidas pela adoção de medidas impopulares, mas necessárias, como a política fiscal austera e a livre flutuação cambial. Por último, Palocci, no exercício do cargo, revelou ter grande aptidão para comunicar-se com os mais diversos estratos sociais. É um ministro que, em busca de consenso e na tentativa de não aprofundar dissensões, conversa com empresários e trabalhadores.

Esse ministro com tantas qualidades vem enfrentando enormes pressões. No interior do governo, tem de se haver com o fogo amigo disparado pelo vice-presidente José Alencar e pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Nenhum dos dois se cansa de ocupar os ouvidos de Lula com trinados populistas e eleitoreiros, vendendo-lhe a ilusão de que a reeleição é fava contada desde que o governo abra os cofres e baixe os juros a qualquer custo.

No fronte externo, o cenário não é menos difícil para Palocci. A herança dos tempos de prefeito de Ribeirão Preto, com seus Poletos e Burattis, tem-se apresentado pesada demais e está a ponto de lhe diminuir a estatura. Na semana passada, quando o fogo inimigo e o amigo atingiram o ápice, era dada como certa a saída do ministro. Não importa o desfecho, cabe ao Brasil reconhecer o papel de Palocci e exigir que não haja mudanças nos rumos da política econômica. A responsabilidade fiscal e monetária nos últimos 35 meses foi obra de Palocci, sem dúvida, mas é uma conquista de toda a sociedade brasileira.

 
 
 
 
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