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Edição 1969 . 16 de agosto de 2006

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Millôr
Claudio de Moura Castro
Diogo Mainardi
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Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
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LIVROS

 

Cristiano Mascaro
Alcântara, em foto de Cristiano Mascaro: visão arquitetônica

Cidades Reveladas, de Cristiano Mascaro (Be; 192 páginas; 120 reais) – Um dos melhores fotógrafos brasileiros, Cristiano Mascaro – que trabalhou em VEJA no fim dos anos 60 e início dos 70 – formou-se como arquiteto, fato que se deixa notar nas belas fotografias em preto-e-branco desse volume. Resultado de seis anos de viagens, as imagens do livro são um registro da cena urbana brasileira em toda a sua variedade. Vai da paisagem ampla ao detalhe de uma parede descascada, e de metrópoles como Rio, Salvador e São Paulo a cidades do interior como Alcântara, no Maranhão, ou Propriá, em Sergipe. As fotos são acompanhadas de ensaios sobre a obra de Mascaro, por autores como o poeta Ferreira Gullar e o arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Veja galeria de imagens.

 
Hulton Archive/Getty Images
Nathaniel Hawthorne: pai desajeitado  

Vinte Dias com Julian & Coelhinho, por Papai, de Nathaniel Hawthorne (tradução de Sonia Coutinho; José Olympio; 126 páginas; 25 reais) – Um dos grandes nomes da literatura americana, Hawthorne (1804-1864) é conhecido principalmente pelo seu retrato crítico da mentalidade puritana no romance A Letra Escarlate. Vinte Dias... é um texto de menor alcance, mas muito saboroso. Trata-se de uma espécie de diário, no qual o autor narra um período de dois meses em que sua mulher viajou, deixando-o sozinho em casa com uma cozinheira, o filho de 5 anos, Julian, e o coelho de estimação do menino. A convivência entre o pai desajeitado e o menino gera momentos impagáveis. O escritor Paul Auster, autor da introdução do livro, nota que essa é uma obra de fino humor – escrita por um autor melancólico. Leia trecho.

A Cortina, de Milan Kundera (tradução de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca; Companhia das Letras; 160 páginas; 36,50 reais) – Autor de A Insustentável Leveza do Ser, o checo Milan Kundera consagrou-se como um dos grandes nomes do romance contemporâneo. A Cortina é uma reflexão sobre o seu ofício. De autores clássicos como Miguel de Cervantes e François Rabelais a contemporâneos como Carlos Fuentes e Gabriel García Márquez, Kundera examina a arte do romance e o que ela ensina ao leitor sobre o mundo. Exilado da Checoslováquia durante o regime comunista, ele dedica alguns dos melhores momentos do ensaio a analisar como a obra de autores como Franz Kafka retratou a opressão da burocracia. Leia trecho.

 

DISCOS

Here Comes the Tears, The Tears (Sum) – Esse álbum marca a reunião de uma das duplas mais criativas do pop inglês do início dos anos 90. O cantor Brett Anderson e o guitarrista Bernard Butler eram do Suede, grupo que lançou um ótimo disco de estréia, mas cuja inspiração foi para o ralo por causa de brigas que culminaram na saída do segundo. Agora, sob o nome de Tears, a dupla mostra entrosamento de sobra. Seu trabalho de estréia exibe as mesmas qualidades do Suede, com alguns avanços. Butler é um guitarrista criativo e compõe belas melodias. Seu talento desponta na balada The Ghost of You ou no rock Brave New Century. Anderson faz lembrar David Bowie – e felizmente abandonou os gritinhos dos tempos de seu velho grupo.

 

Stephan Trierenberg/AP
Jansons: regência precisa  

Dvorák: Nona Sinfonia e Strauss: Ein Heldenleben, Mariss Jansons e Royal Concertgebouw Orchestra (Universo Musical) – Os principais grupos sinfônicos do mundo encontraram uma boa solução para driblar a crise que assola o mercado fonográfico erudito. Eles criaram selos próprios, pelos quais lançam CDs de suas apresentações ao vivo. É o caso da holandesa Royal Concertgebouw. Sob a batuta do letão Mariss Jansons, a orquestra tem dois discos lançados no país. O primeiro traz a sinfonia mais popular do compositor checo Antonin Dvorák (1841-1904). O poema sinfônico de Richard Strauss (1864-1949) tem como destaque, além da regência precisa de Jansons, os solos do violinista Alexander Kerr.

 

Monalisa Lins/AE
Bethânia: toda a obra relançada

Maria Bethânia: 60 Anos, Maria Bethânia (EMI e Universal) – Em 18 de junho, a cantora baiana completou 60 anos de idade e 41 de carreira. Para comemorar a data, a EMI e a Universal estão relançando toda a obra de Bethânia em CD, com uma qualidade de som superior e textos do pesquisador Rodrigo Faour. Muitos dos títulos eram raros e estavam fora de catálogo. Em todos os discos, Maria Bethânia comprova que é a cantora mais cheia de personalidade da MPB e uma daquelas raras artistas capazes de transformar até o popular romântico em biscoito fino – como fez, por exemplo, em As Canções que Você Fez pra Mim (1993), que se debruça sobre o repertório de Roberto Carlos.

 

CINEMA

 

Divulgação
Café da Manhã em Plutão: Patrick ou Patricia?

Café da Manhã em Plutão (Breakfast on Pluto, Irlanda/Inglaterra, 2005. Estréia nesta sexta-feira no país) – Numa interpretação sensacional, Cillian Murphy (de Vôo Noturno) faz aqui Patrick Braden, um rapaz que, numa cidade interiorana da Irlanda dos anos 60, teve o topete de virar Patricia – ou, como preferia ser chamada, "Kitten". E, numa direção igualmente merecedora de todos os elogios, Neil Jordan compara a trajetória de Kitten, que nunca perdia a pose nem o humor, à de seu próprio país, sempre dividido entre a vergonha pelo domínio inglês e o desejo de ser alguma outra coisa, talvez mais alegre e menos opressiva. Jordan já se valera da idéia do travestismo para falar da Irlanda em Traídos pelo Desejo, mas aqui alia o recurso ao tom de fábula e o faz funcionar de novo – ou até melhor. Veja cenas.

 

DVD

 

Divulgação
House: tramas e diálogos primorosos

House – A Primeira Temporada (House, M.D., Estados Unidos, 2004. Universal) – Quem nunca viu um episódio da série estrelada pelo inglês Hugh Laurie tem o que comemorar: resta-lhe o melhor da televisão por descobrir. No papel do acerbo, mal-humorado, ingrato e genial Dr. Gregory House, especialista em chegar a diagnósticos impossíveis e em enfurecer colegas e pacientes com sua arrogância e sua falta de tato hercúleas, Laurie criou (a partir de tramas e diálogos primorosos) um dos personagens mais fascinantes de toda a ótima safra recente da TV americana. Essa primeira temporada inclui um episódio absolutamente exemplar: Três Histórias, em que se descobrem as razões pelas quais House é manco – e, ainda assim, não pára de dar patadas em todo mundo.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Fnac, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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