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Carta ao leitor
Os nobéis e o Brasil
Em duas matérias especiais,
publicadas na capa da semana passada e na de 7 de junho, VEJA mostrou
a seus leitores as circunstâncias que permitiram à
China e à Índia progredir em ritmo tão extraordinário.
De 1980 a 2005, a participação chinesa na economia
mundial avançou de 3,2% para 13,6%. A da Índia, de
3,3% para 6%. No mesmo período, a fatia brasileira da produção
de riqueza encolheu, de 3,4% para 2,6%. Por que o Brasil recua enquanto
eles avançam? Entre os economistas brasileiros, essa pergunta
tem motivado um debate produtivo, mas muitas vezes obscurecido por
visões ideológicas atrasadas. Para ajudar a aclarar
o horizonte, VEJA buscou uma contribuição internacional
de peso. Indagou a sete ganhadores do Prêmio Nobel de Economia,
com perfis e especialidades distintas, quais os obstáculos
para o crescimento do país.
O mais novo, James Heckman, 62
anos, visita com freqüência o Brasil e conhece o país
a fundo. Adora pescar no Pantanal e estava no Rio de Janeiro, mais
precisamente debaixo do chuveiro de seu quarto no hotel, quando
recebeu a notícia de que havia ganho o Nobel, em 2000. O
mais velho, Paul Samuelson, de 91 anos, dá aulas no Instituto
de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desde 1940. Os depoimentos
estão na reportagem assinada pelo repórter Giuliano
Guandalini, que começa na página
86. Surpreendem não só pela franqueza das
respostas como pela unanimidade de que vícios políticos
são tão prejudiciais ao crescimento quanto entraves
econômicos. De acordo com os nobéis, o populismo e
o corporativismo criam um ambiente avesso à competição
e à inovação temas, aliás, abordados
pelo pesquisador Carlos Henrique de Brito Cruz na entrevista das
páginas amarelas. Ele também fala de como visões
obtusas desestimulam a ciência e a capacidade de empreendimento
dos países. São alertas que deveriam servir como estímulo
para as mudanças que precisamos fazer com urgência.
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