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Edição 1969 . 16 de agosto de 2006

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Carta ao leitor
Os nobéis e o Brasil

Em duas matérias especiais, publicadas na capa da semana passada e na de 7 de junho, VEJA mostrou a seus leitores as circunstâncias que permitiram à China e à Índia progredir em ritmo tão extraordinário. De 1980 a 2005, a participação chinesa na economia mundial avançou de 3,2% para 13,6%. A da Índia, de 3,3% para 6%. No mesmo período, a fatia brasileira da produção de riqueza encolheu, de 3,4% para 2,6%. Por que o Brasil recua enquanto eles avançam? Entre os economistas brasileiros, essa pergunta tem motivado um debate produtivo, mas muitas vezes obscurecido por visões ideológicas atrasadas. Para ajudar a aclarar o horizonte, VEJA buscou uma contribuição internacional de peso. Indagou a sete ganhadores do Prêmio Nobel de Economia, com perfis e especialidades distintas, quais os obstáculos para o crescimento do país.

O mais novo, James Heckman, 62 anos, visita com freqüência o Brasil e conhece o país a fundo. Adora pescar no Pantanal e estava no Rio de Janeiro, mais precisamente debaixo do chuveiro de seu quarto no hotel, quando recebeu a notícia de que havia ganho o Nobel, em 2000. O mais velho, Paul Samuelson, de 91 anos, dá aulas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desde 1940. Os depoimentos estão na reportagem assinada pelo repórter Giuliano Guandalini, que começa na página 86. Surpreendem não só pela franqueza das respostas como pela unanimidade de que vícios políticos são tão prejudiciais ao crescimento quanto entraves econômicos. De acordo com os nobéis, o populismo e o corporativismo criam um ambiente avesso à competição e à inovação – temas, aliás, abordados pelo pesquisador Carlos Henrique de Brito Cruz na entrevista das páginas amarelas. Ele também fala de como visões obtusas desestimulam a ciência e a capacidade de empreendimento dos países. São alertas que deveriam servir como estímulo para as mudanças que precisamos fazer com urgência.

 
 
 
 
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