Enquanto isso,
naquele
casarão de São Paulo...
Rosane
Collor, condenada em primeira
instância por corrupção passiva, diz que
isso não é suficiente para estragar o seu dia
Thaís Oyama
Antonio Milena
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"Antigamente,
as pessoas diziam que eu era cafona. Hoje, sou considerada
uma das mulheres mais elegantes do país"
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Um
duplo golpe atingiu o casal Fernando e Rosane Collor nos últimos
dias. A Justiça Eleitoral cassou novamente a candidatura
do ex-presidente à prefeitura de São Paulo, considerando
que, na hipótese de uma vitória, ainda seria inelegível
por ocasião da diplomação. Rosane teve reconfirmada
a condenação, em primeira instância, por peculato
e corrupção passiva no processo de compra de leite
superfaturado na Legião Brasileira de Assistência,
LBA. Em sua casa paulistana, no bairro de Cidade Jardim, a ex-primeira-dama
falou a VEJA.
Veja
A senhora acaba de ser condenada em nova sentença
e seu marido teve a candidatura cassada pela Justiça Eleitoral.
Como recebeu essas notícias?
Rosane
Primeiro, eu tenho certeza de que uma coisa tem a ver com a outra.
É claro que estão tentando me atingir para prejudicar
o Fernando. As pessoas têm medo porque sabem que ele, com
um microfone na mão, é imbatível. Esse processo
contra mim é completamente louco, não há prova,
não tem o menor cabimento. Nós vamos recorrer nos
dois casos e vamos ganhar. Eu sou uma pessoa que tem um equilíbrio
muito forte. Não permito que essas coisas acabem com o meu
dia.
Veja
A senhora mudou, está mais segura de si, desde
que voltou de Miami?
Rosane
Eu
sempre fui assim: forte, determinada. É que, talvez, na época
da Presidência, eu não quisesse mostrar a Rosane verdadeira.
Por exemplo: eu sempre fui uma pessoa muito despojada na forma de
vestir e, naquele período, passei a usar roupas muito sérias,
bem discretas. Acho que quis parecer mais velha. Era só tailleur,
tailleur. Vocês nunca me viam com decotes, por exemplo.
Veja
O que mais a chateou naquela época?
Rosane
A
pior mentira que inventaram foi aquela de que o Fernando não
quis me dar a mão na saída do palácio. Aquilo
foi um absurdo. Fui eu que não quis dar a mão para
ele! Teve a fase em que ele pediu para se separar, sim, isso é
verdade, e eu não nego. Só que, depois, ele desistiu,
e aí era eu quem estava triste, machucada principalmente
pelo fato de ele ter tirado a aliança em público.
Mas foi uma crise armada. Eu tinha vontade de perguntar: "Por que
vocês querem destruir meu casamento? Por que vocês inventam
tantas mentiras?"
Veja
Vocês quem?
Rosane
A
imprensa. Foi a imprensa. Eles faziam questão, atiçavam
o Fernando. LBA, amantes, cada vez inventavam uma coisa. Eu digo
uma coisa: tenho a consciência tranqüila de que nunca
tirei nada de ninguém. Também nunca traí e
tenho certeza absoluta de que nunca fui traída.
Veja
Na sua opinião, por que existia semelhante campanha
contra seu casamento?
Rosane
Além
da mesquinhez e da inveja, acho que teve também a questão
política. Todo mundo sabe que eu sou o equilíbrio
do Fernando. Ele mesmo já disse isso. E também porque
chegou uma hora em que eu conversava com todos os ministros. Passei
a ter um poder muito grande. As pessoas pensavam que dali a pouco
eu iria querer ser o presidente do país. Eu nunca pensei
nisso!
Veja
A senhora costuma ler?
Rosane
Eu sou uma devoradora de livros. Acabei
de ganhar um que é fantástico. É a história
de uma mulher de 35 anos que tem tudo na vida, mas que, de repente,
resolve buscar o "eu" dela. Foi o que fiz: busquei o meu eu. Em
Miami, principalmente, eu me preocupei em conhecer a Rosane melhor,
cresci culturalmente. Li tudo de Allan Kardec, Brian Weiss, Paulo
Coelho, Sidney Sheldon. Eu fiz um mergulho para me conhecer. Hoje,
acredito que a gente teve outras vidas. Fiz regressão e descobri
que fui bailarina e cantante. É por isso que eu gosto tanto
de cantar e de dançar.
Veja
Como é sua rotina hoje?
Rosane
Acordo
às 9 da manhã, faço exercícios, visito
as amigas, tem sempre um almoço, que a gente começa
a 1 e meia da tarde e vai até as 4, 5 horas. À noite,
sempre saio para jantar.
Veja
Sempre se disse que a senhora gasta demais. Importa-se
com isso?
Rosane
Não.
Eu me importei naquela época porque a imprensa entrou em
um campo muito íntimo: foi fiscalizar minha lingerie. E ainda
disseram que eu havia gasto uma fortuna, o que era uma mentira.
Eu não sou essa consumista que as pessoas dizem. Eu repito
roupa! Pelo amor de Deus, as pessoas falam que a Rosane é
gastadeira, mas eu tenho a minha mesada e trabalho muito. Hoje,
além de São Paulo, eu controlo a casa de Brasília,
a casa de Maceió e a casa de Miami. Enxuguei as despesas
em todas elas. Começou por Miami. Eu disse ao Fernando: já
que nós vamos ter de nos afastar daqui, vamos encontrar uma
fórmula de diminuir as despesas. Eu prometi que, em menos
de trinta dias, reduziria as despesas em 50%, e reduzi.
Veja
De que maneira?
Rosane
Em
Miami, acabei com o escritório, tirei carros, diminuí
50% do salário de todos os empregados. O Fernando gostou
tanto que aceitou que eu fizesse o mesmo em Maceió. De lá
eu cortei 70%. Bloqueei os celulares de todo mundo e diminuí
os salários também. Em Brasília, a mesma coisa:
eram vinte e tantos cachorros, dezesseis funcionários.
Veja
Hoje, há quantos empregados?
Rosane
Em Brasília, ficaram seis; em Miami,
quatro; em Maceió, seis; e, em São Paulo, quatro.
São vinte, ao todo, incluindo mordomos, jardineiros, motoristas,
segurança, governanta, tudo.
Veja
A senhora também interferiu nas Organizações
Arnon de Mello demitindo funcionários. Quais os critérios
que usou para isso?
Rosane
Feeling,
o meu feeling. Olho no olho. Eu conversava três, quatro horas
com a pessoa e via se ela era boa ou não era. Fora Euclides
Mello, que veio para a coordenação da campanha em
São Paulo, demiti todos.
Veja
E seu marido, o que achou disso?
Rosane
Ficou encantado, encantadíssimo.
Hoje, está tudo na minha mão. Todo mundo tem limite
de gastos, até os filhos dele. Eu libero aquela quantia e
acabou. E só eu posso liberar. E eu controlo mesmo, entendeu?
Veja
A senhora tem recebido manifestações de
apoio?
Rosane
Muitas, muitas.
Veja
Por exemplo?
Rosane
Por exemplo, antigamente as pessoas diziam
que eu era cafona e hoje eu sou considerada uma das mulheres mais
elegantes do país.
Veja
Quem diz isso?
Rosane
Todo mundo. As grandes damas da sociedade
paulistana dizem isso.
Veja
Com essa mudança de estilo, quando a senhora olha
fotos da época em que era primeira-dama sente algum constrangimento?
Rosane
Não me preocupo com esses detalhes.
Foi uma época que passou. Mas que foi linda e maravilhosa.
Poucas pessoas têm o privilégio de, aos 25 anos, ser
a primeira-dama do país. Quer queiram, quer não, eu
vou ficar na história. E essa história não
terminou ainda.
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