Pequenos notáveis

Tratados e avaliados como obras de arte,
25 bonsai vão a leilão na Sotheby's

Rachel Campello


Junípero: miniatura perfeita
Bordo arakawa: vermelho do outono nas folhas
Teixo japonês de 600 anos: tronco retorcido pela idade

O presidente Bill Clinton tem um, que ganhou no Japão. O príncipe Charles tem vários chegado a jardinagem, ele os cultiva em sua propriedade. Com admiradores por toda parte, os bonsai, árvores em miniatura que chineses e indianos desenvolveram há dois milênios por motivos práticos, como facilitar o transporte de plantas medicinais, transformadas depois pelos japoneses em exercício de paciência, harmonia e equilíbrio, saem das casas e floriculturas para o patamar das obras de arte. Nesta quinta-feira, a casa de leilões Sotheby's, de Londres, põe à venda 25 bonsai antigos (entre 28 e 600 anos) a preços inversamente proporcionais a seu tamanho. O leilão, em si, é uma raridade. Bonsaísta que se preze detesta desfazer-se de sua obra. "O cultivador é médico, pintor, arquiteto, escultor e pai ao mesmo tempo", explica o mestre japonês Tomio Yamada, considerado a maior autoridade do assunto.

Os bonsai que a Sotheby's vai leiloar fazem parte da coleção que o especialista alemão Helmut Rüger mantém em Frankfurt. Entre eles há jóias como um bordo (a árvore cuja folha enfeita a bandeira do Canadá) arakawa de setenta anos, estimado em 11.200 dólares, parte pela perfeição, parte pela beleza da cor avermelhada no outono. Com mais do dobro dessa idade 160 anos , um junípero (tipo de pinheiro), exata réplica da versão em tamanho normal, está cotado em 20.000 dólares. Há também uma miniazaléia satsuki de 75 anos, por 1.200 dólares. Mas a estrela do leilão é o teixo japonês de tronco retorcido pela idade 600 anos , tão caro que a Sotheby's só informa a avaliação a quem se interessar em dar lance. Diz a lenda que, ao olhar para ele, um imperador japonês do século passado sorriu de puro prazer. Essa é, em última instância, a avaliação mais importante do bonsai: não a idade, nem o tamanho, mas a reação que a estética e o movimento despertam.

Geneticamente, um bonsai literalmente, planta em bandeja é idêntico à árvore de tamanho normal. Ele não cresce por dois motivos: espaço e terra limitados ao tamanho do vaso e podas constantes de raiz, galhos e copa. Pode ser curvo, reto ou inclinado para um lado, efeitos que se obtêm com o uso de arames estrategicamente colocados. O formato é sempre triangular, e ele deve ser exposto ao sol, chuva e vento, para ganhar resistência. Qualquer árvore de tronco rígido pode ser cultivada na forma de bonsai, mas as que têm frutos, flores e folhas pequenos se adaptam melhor à miniaturização. "Os bonsai são dependentes. Para sobreviver, exigem muita disciplina", avisa o engenheiro agrônomo Edson Anderman, cultivador de Curitiba.

No Brasil, aonde a prática chegou no começo do século, um bonsai genuíno não sai por menos de 70 reais, podendo passar de 10.000. Abaixo disso, desconfie: deve ser imitação barata. "É muito comum pessoas pegarem uma muda em beira de estrada, colocarem num vaso e venderem como bonsai", explica a bonsaísta Marli da Cunha Saraiva, de Campinas. Custam 30, 40 reais, mas morrem por falta de espaço e terra.

 

Pouco tamanho, muita história

Os bonsai (sem plural) surgiram na China e na Índia e chegaram ao Japão há cerca de 1000 anos

O mais velho de que se tem notícia está numa casa na periferia de Tóquio, tem origem desconhecida e cerca de 1500 anos.

O tamanho da arvorezinha varia entre 5 centímetros e 1,50 metro

Bonsai de árvore frutífera dá fruto no tamanho normal, seja maçã, laranja ou manga

 

 




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