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Tales
Alvarenga
HH vai azucrinar o PT
"O brasileiro não está
muito interessado no
cérebro e na ideologia da senadora Heloísa
Helena. O que o brasileiro ama é o coração
e a fibra da mulher"
O PT transformou em mártir a senadora
Heloísa Helena, de Alagoas, quando a expulsou de seus quadros
no ano passado, junto com os deputados Luciana Genro, João
Fontes e João Batista Babá. Como Joana d'Arc, Heloísa
Helena foi para a fogueira, mas dela saiu como celebridade. O que
fez a senadora para que o PT a sacrificasse? Ela apenas exigiu que
o partido de Lula, eleito para governar o Brasil, continuasse defendendo
as bandeiras que defendia quando ainda não era governo.
Foi um grande erro do PT a expulsão
de Heloísa e dos outros três. Na semana passada, lá
estavam eles fundando o Partido do Socialismo e da Liberdade (PSOL),
que será chamado apenas de SOL. Se todos os trâmites
da criação do SOL forem seguidos, Heloísa será
sua candidata à Presidência da República em
2006. Ela não tem chances de ganhar. Mas de uma coisa se
pode ter certeza. De megafone na mão, santa Heloísa
vai azucrinar o PT da mesma forma que o PT azucrinou os tucanos
nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso. Usará, para
isso, as mesmas acusações que os petistas faziam a
FHC. Heloísa Helena dirá que o PT se ajoelhou perante
o FMI. Que o PT governa contra os pobres e a favor dos banqueiros.
Que o PT no poder é um partido neoliberal e que Lula, José
Dirceu, Antonio Palocci e Luiz Gushiken traíram seu passado
para bajular a elite brasileira.
As idéias dos integrantes do SOL saem
do lixo da história. Num documento assinado por Luciana Genro
e João Batista Babá, com as teses finais de um encontro
do PT realizado em Belo Horizonte, em 1999, os signatários
defendem a suspensão do pagamento da dívida externa,
a estatização do sistema bancário e financeiro,
a moratória da dívida interna, a reestatização
das empresas públicas que foram privatizadas, a implantação
de uma nova ordem mundial baseada na extinção da Otan,
da Organização Mundial do Comércio, do FMI
e do Banco Mundial. Pregam a ruptura com o sistema capitalista e
a construção de uma sociedade socialista.
Vale repetir que essas propostas foram apresentadas
como teses finais num encontro do PT, que naquela época achava
tudo isso muito natural. Hoje, para sorte dos brasileiros, os petistas
no governo deixaram de ser os bebês intelectuais que foram
no passado. Abriram os olhinhos e viram que o mundo é muito
mais complexo do que imaginavam. Por terem crescido, serão
chamados de neoliberais pelo grupo de Heloísa Helena.
O SOL não terá muito brilho
político nem hoje nem no futuro, porque jamais uma parcela
significativa da opinião pública vai levar a sério
as idéias radicais, ingênuas e fracassadas que seus
integrantes defendem. Isso não impedirá a senadora
Heloísa Helena de se firmar como uma respeitável figura
política, coisa que ela já é. Todos acompanharam
a coragem que exibiu e as lágrimas que derramou quando o
PT tentou em vão vergar-lhe a espinha dorsal.
Durante a fase da expulsão do PT, ela
vivia na mídia. O brasileiro pôde observar sua austeridade,
suas roupas despojadas e o cabelão preso à nuca. É
uma espécie de anti-Marta Suplicy. Por ironia, na semana
passada, após uma troca de elogios, Heloísa Helena
e o senador Eduardo Suplicy (ex-marido de Marta) aproximaram-se
um do outro, no plenário do Senado, abraçaram-se e
se beijaram, quase na boca.
O brasileiro não está muito
interessado no cérebro e na ideologia da senadora Heloísa
Helena. O que o brasileiro ama é o coração
e a fibra da mulher. Lula, José Dirceu, Antonio Palocci e
Luiz Gushiken, que não a quiseram mais no PT, talvez gostem
dela secretamente. Ela os faz lembrar do tempo em que eles também
comiam abelha.
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