|
|
Televisão
Cartão vermelho
Colecionador de encrencas, o comentarista
Jorge Kajuru perde o emprego na Bandeirantes

Ricardo Valladares
Fotos divulgação
 |
lgação
 |
| Kajuru (à dir.)
e cena de sua discussão com um boxeador: ele quase apanhou
|
Um dos maiores colecionadores de polêmicas
da televisão atual, o comentarista esportivo Jorge Kajuru
teve seu contrato rescindido pela Rede Bandeirantes na quarta-feira
passada. A causa imediata da demissão foi um episódio
ocorrido em 2 de junho. Antes da transmissão do jogo entre
Brasil e Argentina, à frente do estádio Mineirão,
em Belo Horizonte, Kajuru criticou o governo estadual pela quantidade
de ingressos que concedera a convidados vips. Veio então
um intervalo e, quando a transmissão recomeçou, ele
não estava mais no vídeo. A direção
da emissora considerou impróprias as críticas e o
tom em que haviam sido feitas. Suspendeu o apresentador naquele
momento e depois decidiu excluí-lo de seu elenco. "Eu falo
o que penso", diz Kajuru. No entender da Band, o apresentador passa
dos limites. "Não foram poucas as vezes em que ele fez acusações
sem provas e criticou decisões da empresa em pleno ar", diz
um diretor da emissora.
Kajuru colecionou encrencas com os patrões,
com colegas de profissão e com terceiros. Sua demissão
foi a gota d'água numa relação já estressada.
No ano passado ele reclamou ao vivo porque a Band cancelou a transmissão
de um jogo de basquete. No mês passado, fora suspenso por
ironizar o maior patrocinador da emissora. A apresentadora Astrid
Fontenelle, da própria Band, e o apresentador Milton Neves,
da Record, são seus desafetos. O comentarista já chamou
a primeira de "baranga" e vive às turras com o segundo, que
tem nove processos correndo contra ele. Kajuru já foi processado
109 vezes. Foi absolvido em 66, mas, em maio, sofreu um revés.
O governador de Goiás, Marconi Pirillo, conseguiu que a Justiça
o condenasse por difamação. Recentemente, Kajuru quase
apanhou diante das câmeras, depois de chamar o boxeador Mario
Soares de covarde durante uma entrevista. Nesse caso, a Band ficou
do seu lado.
Quando sua demissão foi sacramentada,
Kajuru foi para o flat onde mora em São Paulo e chorou. Entre
os que o apoiaram estão o apresentador José Luís
Datena e a diretora de programação Marlene Mattos,
ambos da Band. O primeiro ameaçou demitir-se em desagravo
ao amigo e a segunda fez o que pôde para impedir a demissão,
mas foi voto vencido (segundo alguns, um sinal de que ela está
perdendo poder na emissora). Kajuru, que recebia 100.000
reais por mês, diz que espera para logo algum convite da TV,
mas também estuda uma proposta do cantor Ivan Lins, amigo
que o convidou para ser seu empresário.
|