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Música
A insustentável leveza
do pop
Como
alguns quilos a mais podem
prejudicar um artista na hora de
negociar um contrato com as gravadoras

Sérgio Martins
Joel Rocha
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Léo
Jaime
Sua gordura se deve a um
raro problema de saúde
Altura: 1,77 metro
Peso: 105 quilos
Pratos prediletos: comida italiana |
Um dos artistas mais bem-sucedidos da música
pop da década de 80, Léo Jaime, 44 anos, encontra
dificuldades para lançar um novo trabalho. Desde Todo
Amor (1995), seu último disco, ele é ignorado
pelas gravadoras do país apesar de fazer cerca de
vinte shows por mês e ter sucessos como A Vida Não
Presta cantados em uníssono pelas platéias. A
razão do ostracismo, segundo o cantor, é o fato de
ele estar gordo. "Cansei de ouvir gente do meio musical sugerindo
que eu faça regime", diz. A irritação de Léo
Jaime aumenta porque seu peso está relacionado a um problema
de saúde. Ele sofre da chamada "síndrome da sela vazia":
seu cérebro não produz hormônios que ajudam
no emagrecimento. "A história está cheia de grandes
músicos e cantores gordos. Nunca imaginei que o peso seria
um problema para mim", afirma o cantor.
Rui Mendes
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Sony Music
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Ed
Motta
Gordo feliz, ele come de
tudo e não está nem aí
Altura: 1,80 metro
Peso: 130 quilos
Prato predileto: cheio |
Patrícia,
do grupo Rouge
Gordinha culpada, ela sempre cai em tentação
e depois sai à procura de novos regimes
Altura: 1,60 metro
Peso: 58 quilos
Pratos prediletos: pizza com refrigerante e chocolate
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De fato, a gordura raramente é um empecilho
na carreira musical. No canto lírico, existe até uma
associação entre peso elevado e talento. A crença
não tem base científica ao contrário
do que se imaginou outrora, ser gordo não implica ter uma
caixa torácica maior e assim conseguir alcançar notas
mais altas. A associação entre gordura e boa voz provavelmente
surgiu por causa dos castrati (cantores que eram castrados
para preservar uma voz límpida e engordavam como efeito colateral)
ou porque os bons cantores ganhavam regalias nas cortes do passado
e cultivavam o corpanzil como sinal de status. Seja como for, há
um generoso registro histórico de tenores e barítonos
corpulentos e até hoje é assim que eles aparecem
na imaginação popular.
Em outros gêneros, como jazz ou rock,
também não é comum o boicote aos mais cheios.
Nem no exterior nem no Brasil. Ed Motta e Chorão, da banda
Charlie Brown Jr., são exemplos de cantores gordos bem resolvidos.
Obeso desde a infância, Ed Motta nunca deixou de afirmar que
seu prato predileto é o prato cheio. Chorão, um ídolo
adolescente, é tido como "limpa-trilho". O corpão
de 100 quilos é mantido à custa de fast food e carnes
gordurosas. No pop produzido para as massas, no entanto, freqüentemente
a aparência é tão importante quanto a música.
Aí as dificuldades aparecem. "Nesse campo existe uma tendência
a valorizar mais a estética", diz o produtor Rick Bonadio.
Bonadio produz o grupo Rouge e suas integrantes vivem em
regime. "Uma vez, me entupi de chocolates antes de uma apresentação.
Nosso show é cheio de pulos e, enquanto eu dançava,
a comida parecia querer saltar para fora", conta uma das rouges,
Patrícia, de 20 anos, que confessa brigar com a balança.
Léo Jaime sempre fez justamente esse tipo de pop leve (sem
trocadilho). Por isso, ele tomou uma decisão drástica.
Em vez de optar pelo regime, vai dar uma banana às gravadoras.
Deverá entrar em estúdio em breve para bancar um disco
independente. Além disso, vai mudar um pouco o estilo. "Será
um pop punk", diz ele.
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