Edição 1858 . 16 de junho de 2004

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Cinema
Sucesso monstruoso

Ainda mais inteligente que o original,
Shrek 2 vira um gigante da bilheteria


Isabela Boscov

 
Dreamworks Pictures
O ogro verde, que agora enfrenta o pior dos terrores: conhecer os sogros

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Trailer do filme

O fenômeno é recente, mas é tão sólido que já está virando tradição: os desenhos animados de produtoras como a Pixar, de Procurando Nemo, e a DreamWorks, de Shrek, são uma das poucas garantias que o cinema oferece hoje de satisfação, criatividade, bons personagens e execução impecável em troca do preço de um ingresso. Mais: esse é um dos poucos gêneros em que as continuações de um sucesso nascem não só da caça por mais dinheiro, mas de novas e melhores idéias. Foi assim com Toy Story e sua seqüência, e é assim também com Shrek 2 (Estados Unidos, 2004), que a partir desta sexta-feira retoma as aventuras do ogro verde. Agora casado com a princesa Fiona, que por amor adotou a mesma forma corpulenta e esverdeada que o marido, Shrek enfrenta o pior dos terrores: conhecer os sogros, que calham de ser um rei e uma rainha humanos e, naturalmente, pouco inclinados a acolher uma criatura monstruosa. A chegada do casal ao reino de Tão Tão Distante, portanto, inclui desde um jantar desastroso em família até um complô, orquestrado pelo rei e pela Fada Madrinha, para afastar Fiona do ogro e entregá-la ao Príncipe Encantado – o fútil, vaidoso e amoral filho da Fada.

Se o enredo é simples, as oportunidades cômicas que ele enseja são magníficas, e magnificamente exploradas pela equipe da DreamWorks e do ateliê de computação gráfica Pacific Data Images, que novamente co-assina a produção. Tão Tão Distante é uma réplica medieval de Beverly Hills, a Fada Madrinha tem a ambição implacável de uma Martha Stewart e as paródias a sucessos de Hollywood, de Missão Impossível a Flashdance, são brilhantes. O Burro continua a ter as melhores falas, mas dessa vez enfrenta a competição daquele que é o melhor personagem do novo episódio: o Gato de Botas, um mercenário de sotaque espanhol (na versão original, dublado por Antonio Banderas) que, sempre que a situação aperta, larga a espada e recorre ao mais eficaz dos truques felinos – o irresistível olhar de coitadinho.

Shrek 2 caminha para se tornar um gigante na bilheteria. Lançado nos Estados Unidos em 19 de maio, o filme chegou aos 300 milhões de dólares em apenas dezoito dias, superando com folga a marca anterior, de 22 dias, de Homem-Aranha. Há bons motivos para essa performance. Ágil e colorido, ele agrada em cheio àquele que, em tese, é seu público-alvo – as crianças. E, roteirizado com grande erudição na área da cultura pop, seduz aquele que, cada vez mais, é o espectador que propele a renda das animações – os adultos, que têm muito mais com que se divertir aqui do que em qualquer outra comédia lançada neste ano.

 
 
 
 
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