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Cinema
Sucesso monstruoso
Ainda mais inteligente que o original,
Shrek 2 vira um gigante da
bilheteria

Isabela Boscov
Dreamworks Pictures
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| O ogro verde, que agora enfrenta o pior dos
terrores: conhecer os sogros |
O fenômeno é recente, mas é
tão sólido que já está virando tradição:
os desenhos animados de produtoras como a Pixar, de Procurando
Nemo, e a DreamWorks, de Shrek, são uma das poucas
garantias que o cinema oferece hoje de satisfação,
criatividade, bons personagens e execução impecável
em troca do preço de um ingresso. Mais: esse é um
dos poucos gêneros em que as continuações de
um sucesso nascem não só da caça por mais dinheiro,
mas de novas e melhores idéias. Foi assim com Toy Story
e sua seqüência, e é assim também com Shrek
2 (Estados Unidos, 2004), que a partir desta sexta-feira
retoma as aventuras do ogro verde. Agora casado com a princesa Fiona,
que por amor adotou a mesma forma corpulenta e esverdeada que o
marido, Shrek enfrenta o pior dos terrores: conhecer os sogros,
que calham de ser um rei e uma rainha humanos e, naturalmente, pouco
inclinados a acolher uma criatura monstruosa. A chegada do casal
ao reino de Tão Tão Distante, portanto, inclui desde
um jantar desastroso em família até um complô,
orquestrado pelo rei e pela Fada Madrinha, para afastar Fiona do
ogro e entregá-la ao Príncipe Encantado o fútil,
vaidoso e amoral filho da Fada.
Se o enredo é simples, as oportunidades
cômicas que ele enseja são magníficas, e magnificamente
exploradas pela equipe da DreamWorks e do ateliê de computação
gráfica Pacific Data Images, que novamente co-assina a produção.
Tão Tão Distante é uma réplica medieval
de Beverly Hills, a Fada Madrinha tem a ambição implacável
de uma Martha Stewart e as paródias a sucessos de Hollywood,
de Missão Impossível a Flashdance, são
brilhantes. O Burro continua a ter as melhores falas, mas dessa
vez enfrenta a competição daquele que é o melhor
personagem do novo episódio: o Gato de Botas, um mercenário
de sotaque espanhol (na versão original, dublado por Antonio
Banderas) que, sempre que a situação aperta, larga
a espada e recorre ao mais eficaz dos truques felinos o irresistível
olhar de coitadinho.
Shrek 2 caminha para se tornar um gigante
na bilheteria. Lançado nos Estados Unidos em 19 de maio,
o filme chegou aos 300 milhões de dólares em apenas
dezoito dias, superando com folga a marca anterior, de 22 dias,
de Homem-Aranha. Há bons motivos para essa performance.
Ágil e colorido, ele agrada em cheio àquele que, em
tese, é seu público-alvo as crianças.
E, roteirizado com grande erudição na área
da cultura pop, seduz aquele que, cada vez mais, é o espectador
que propele a renda das animações os adultos,
que têm muito mais com que se divertir aqui do que em qualquer
outra comédia lançada neste ano.
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