Edição 1858 . 16 de junho de 2004

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Moda
As elites produtivas

Jovens e bem-nascidos estilistas
o circuito Rio–São Paulo dão novos
ares à semana de moda paulista


Bel Moherdaui

 
Na passarela: de um lado, as aplicações
e os bordados da revelação Isabela Capeto...
...do outro, o glamour do longo de Tufvesson e o despojamento da grife Raia de Goeye

Eles são jovens, bem-nascidos e adoram inventar moda. Os cariocas Carlos Tufvesson e Isabela Capeto e as paulistanas Fernanda de Goeye e Paula Raia são o sangue fresco por trás das grifes estreantes na São Paulo Fashion Week, a grande vitrine da moda que começa nesta quarta-feira. Para chegar lá, precisaram se diferenciar no mar de aspirantes. "Sempre recebemos muitas solicitações de novas grifes. Para a escolha, precisamos entender a trajetória da marca, ter certeza de que tem estrutura, já vende e terá continuidade. Também é fundamental que o estilo esteja amadurecido. O fato de estar há muito ou pouco tempo no mercado não é sinônimo de sucesso", explica Graça Cabral, diretora de comunicação da empresa que organiza a São Paulo Fashion Week. Em comum os quatro estilistas têm, portanto, além da faixa etária, a origem social, a educação em renomadas faculdades de moda no exterior, a capacidade de imprimir personalidade própria a suas criações.

É essa a qualidade mais patente do trabalho de Isabela Capeto, 34 anos, considerada uma das revelações nacionais. Com uma grife praticamente recém-nascida, com apenas um ano de trajetória profissional, ela já vende peças na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Itália. Tudo, evidentemente, em quantidades mínimas, como exigem as roupas de feitura artesanal. Enfeitadas por bordados e aplicações, elas têm ao mesmo tempo um espírito moderno e o cobiçado ar de brechó, como no vestido anos 50 de algodão bordado com rosas e na bata de seda com fios dourados bordada com marabu que ela exibirá no desfile do dia 22. "Confesso que tenho uma certa dificuldade com camisetas básicas", brinca Isabela. "Como meu trabalho é artesanal, as peças nunca saem idênticas." A idéia da exclusividade, mais cultivada à medida que as marcas de massa dominam o mercado, permeia o trabalho dos novos estilistas. Na grife criada pelas amigas Paula Raia e Fernanda de Goeye, de alguns modelos são feitas apenas doze peças. Os jeans chegam a 100 exemplares por modelo, no máximo.

Fernanda tem no currículo a experiência como consumidora, vendedora e estilista da Daslu, a superbutique paulistana. Da sala de criação da linha própria da loja, ela partiu para o Fashion Institute of Technology, em Nova York. Na volta, uniu-se à amiga da faculdade de arquitetura e criou a grife que leva o sobrenome das duas. O estilo da marca é um espelho de suas criadoras, eméritas representantes de uma nova tribo, a das patricinhas modernizadas, que cultivam alternativas menos previsíveis ao guarda-roupa homogêneo de sua espécie. "Elas encaram a moda de uma forma contemporânea, partem do jeitão como as pessoas gostam de se vestir. Fazem moda para quem tem dinheiro, sim, mas gostam de colocar um elemento perturbador que dê um charme à roupa. Tem gente que acha horrível, mas é cool", analisa a consultora Constanza Pascolato.

Comparado às novas colegas, Carlos Tufvesson, aos 36 anos, é um veterano. Desde pequeno acompanhava a produção dos desfiles da mãe, a estilista-socialite Glorinha Pires Rebelo. "Fui comprador de acessórios da grife e depois comecei a trabalhar em uma linha mais jovem. Só que eu não criava, comprava uma revista, rasgava e dava para a modelista copiar", assume ele. O estilo próprio começou a nascer quando foi estudar na Domus Academy de Milão. Trabalhou na Itália por quatro anos e voltou para iniciar carreira individual no Rio, onde se especializou em vestidos de festa, como o longo branco com tiras de crepe georgette na foto à esquerda. "Hoje, no nosso escritório é proibido olhar revista, para não sermos influenciados", avisa ele. É assim que se começa a trabalhar a sério.

 
 
 
 
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