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Moda
As elites produtivas
Jovens e bem-nascidos estilistas
o circuito Rio–São Paulo dão novos
ares à semana de moda paulista

Bel Moherdaui
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Na passarela: de
um lado, as aplicações
e os bordados da revelação Isabela Capeto... |
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...do outro, o glamour
do longo de Tufvesson e o despojamento da grife Raia de Goeye
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Eles são jovens,
bem-nascidos e adoram inventar moda. Os cariocas Carlos Tufvesson
e Isabela Capeto e as paulistanas Fernanda de Goeye e Paula Raia
são o sangue fresco por trás das grifes estreantes
na São Paulo Fashion Week, a grande vitrine da moda que começa
nesta quarta-feira. Para chegar lá, precisaram se diferenciar
no mar de aspirantes. "Sempre recebemos muitas solicitações
de novas grifes. Para a escolha, precisamos entender a trajetória
da marca, ter certeza de que tem estrutura, já vende e terá
continuidade. Também é fundamental que o estilo esteja
amadurecido. O fato de estar há muito ou pouco tempo no mercado
não é sinônimo de sucesso", explica Graça
Cabral, diretora de comunicação da empresa que organiza
a São Paulo Fashion Week. Em comum os quatro estilistas têm,
portanto, além da faixa etária, a origem social, a
educação em renomadas faculdades de moda no exterior,
a capacidade de imprimir personalidade própria a suas criações.
É essa a qualidade mais patente do
trabalho de Isabela Capeto, 34 anos, considerada uma das revelações
nacionais. Com uma grife praticamente recém-nascida, com
apenas um ano de trajetória profissional, ela já vende
peças na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Itália.
Tudo, evidentemente, em quantidades mínimas, como exigem
as roupas de feitura artesanal. Enfeitadas por bordados e aplicações,
elas têm ao mesmo tempo um espírito moderno e o cobiçado
ar de brechó, como no vestido anos 50 de algodão bordado
com rosas e na bata de seda com fios dourados bordada com marabu
que ela exibirá no desfile do dia 22. "Confesso que tenho
uma certa dificuldade com camisetas básicas", brinca Isabela.
"Como meu trabalho é artesanal, as peças nunca saem
idênticas." A idéia da exclusividade, mais cultivada
à medida que as marcas de massa dominam o mercado, permeia
o trabalho dos novos estilistas. Na grife criada pelas amigas Paula
Raia e Fernanda de Goeye, de alguns modelos são feitas apenas
doze peças. Os jeans chegam a 100 exemplares por modelo,
no máximo.
Fernanda tem no currículo a experiência
como consumidora, vendedora e estilista da Daslu, a superbutique
paulistana. Da sala de criação da linha própria
da loja, ela partiu para o Fashion Institute of Technology, em Nova
York. Na volta, uniu-se à amiga da faculdade de arquitetura
e criou a grife que leva o sobrenome das duas. O estilo da marca
é um espelho de suas criadoras, eméritas representantes
de uma nova tribo, a das patricinhas modernizadas, que cultivam
alternativas menos previsíveis ao guarda-roupa homogêneo
de sua espécie. "Elas encaram a moda de uma forma contemporânea,
partem do jeitão como as pessoas gostam de se vestir. Fazem
moda para quem tem dinheiro, sim, mas gostam de colocar um elemento
perturbador que dê um charme à roupa. Tem gente que
acha horrível, mas é cool", analisa a consultora Constanza
Pascolato.
Comparado às novas colegas, Carlos
Tufvesson, aos 36 anos, é um veterano. Desde pequeno acompanhava
a produção dos desfiles da mãe, a estilista-socialite
Glorinha Pires Rebelo. "Fui comprador de acessórios da grife
e depois comecei a trabalhar em uma linha mais jovem. Só
que eu não criava, comprava uma revista, rasgava e dava para
a modelista copiar", assume ele. O estilo próprio começou
a nascer quando foi estudar na Domus Academy de Milão. Trabalhou
na Itália por quatro anos e voltou para iniciar carreira
individual no Rio, onde se especializou em vestidos de festa, como
o longo branco com tiras de crepe georgette na foto à esquerda.
"Hoje, no nosso escritório é proibido olhar revista,
para não sermos influenciados", avisa ele. É assim
que se começa a trabalhar a sério.
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