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Internet
Gincana da popularidade
Só quem é convidado pode participar
do Orkut, a comunidade virtual que
virou uma febre na internet

Marcelo Marthe
"Quem você conhece?" Com esse slogan,
um serviço disponível na internet acaba de se tornar
o mais novo fenômeno da cultura inútil. Trata-se do
Orkut, uma comunidade virtual que surgiu nos Estados Unidos há
apenas cinco meses, já conta com mais de 2 milhões
de usuários ao redor do planeta e não pára
de crescer. Programas que permitem estabelecer redes de amizades
ou de pessoas com interesses comuns não são propriamente
uma novidade. Ainda na infância da internet, fizeram sucesso
nessa área as salas de bate-papo e azaração.
Logo, também ganharam popularidade sites que oferecem discussões
sobre temas específicos. Mas a nova geração
desses serviços de comunicação interpessoal
vai além: possibilita ao usuário criar uma página
personalizada na qual exibe fotografias e dados pessoais. Mais que
apenas uma ficha de identidade do participante, seus correspondentes
em potencial encontrariam aí uma janela para a intimidade
do sujeito. O Orkut pertence a essa categoria.
O site não é o único
do gênero concorre, por exemplo, com similares como
o Friendster, o Tickle e o Meetup. Tornou-se bem mais popular que
os demais, entretanto, graças a um diferencial: ele acena
com o ideal de uma comunidade elitizada, acessível apenas
às pessoas, digamos, bem relacionadas. Isso porque é
preciso, obrigatoriamente, ser convidado por algum usuário
para participar do Orkut. A idéia de seu fundador, Orkut
Buyukkokten um cidadão turco de 29 anos que trabalha
como analista de sistemas do Google, o site de busca americano que
se transformou numa potência do mundo da informática
, era criar uma comunidade somente para "amigos de confiança",
que fosse livre de presenças indesejáveis e crescesse
de forma "orgânica e natural", nas palavras dele. Para muitos
internautas, o Orkut se assemelha mais a um clube privé.
Hoje, já se contam dezenas de sites em que "excluídos"
clamam por acesso à comunidade. Pode-se até mesmo
encontrar "convites" para admissão no Orkut à venda
na rede. Nesse mercado paralelo, uma indicação sai
por preços que variam de uns poucos centavos até 11
dólares.
Xico Buny
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| Orkut: ele é um dos programadores do site
Google |
O que explica o sucesso do Orkut é que
ele funciona como uma espécie de gincana virtual na qual
os usuários testam sua popularidade. Seja alguém em
busca de encontros amorosos, seja o integrante de um grupo de discussão
sobre literatura, o associado está sob constante avaliação
de seus pares. Quanto maior o número de contatos que possui,
maior sua popularidade. Ele também recebe notas dos outros
participantes em quesitos como beleza, simpatia e confiabilidade.
Um exemplo pode ser extraído do perfil do próprio
fundador: Orkut ostenta mais de 400 amigos e mais de 100 fãs
quer dizer, pessoas que se assumem como admiradoras do rapaz.
Fora esse apelo para o ego, o Orkut não oferece grandes atrativos.
Atualmente, existem vários serviços nesse mesmo formato
voltados à área dos negócios. Exemplos disso
são as comunidades que se destinam à busca e oferta
de empregos, como o LinkedIn, o Ecademy e o ZeroDegrees. No caso
do Orkut, o máximo de utilidade é a possibilidade
de integrar os famigerados grupos de discussão. O mais popular
deles, com quase 10.000 participantes,
é devotado a um tema que dá sono: a luta dos antiimperialistas
aguerridos pela adoção do sistema operacional de computadores
Linux, de uso gratuito, em vez dos produtos da americana Microsoft.
O Brasil conquistou um lugar de destaque no
Orkut. Com 23% dos participantes, o país é o segundo
com maior representação na comunidade. Em primeiro
lugar estão os Estados Unidos, com 36% dos associados, e
em terceiro aparece o Japão, que tem pouco mais de 4% deles.
A presença de tantos cidadãos nacionais num ambiente
tão exclusivo gera reações: hoje, há
vários grupos dentro do Orkut formados por americanos,
em especial com palavras de ordem na linha "fora, brasileiros!".
À medida que se torna mais popular,
o Orkut também vem acumulando uma legião de desafetos.
Há, em primeiro lugar, participantes insatisfeitos porque
o site vem perdendo sua aura de clube ao alcance de poucos. Incomoda-lhes,
sobretudo, o fato de que o Orkut, como já ocorre em boa parte
das comunidades virtuais, começa a ser invadido pelos chamados
spams as mensagens indesejáveis. Há, por outro
lado, aqueles que torcem o nariz justamente por causa de seu propalado
elitismo. "Fui convidada para o Orkut, mas me recusei a participar.
É uma panelinha virtual", denuncia a escritora carioca Simone
Campos, em sua página na rede. A última história
que vem se difundindo a respeito do Orkut tem um quê de paranóia.
Embora oficialmente o serviço seja independente do Google,
seu criador faz parte do time de programadores da empresa de Larry
Page e Sergey Brin. Por isso, espalhou-se na rede o boato de que
as informações que os usuários disponibilizam
em seus perfis seriam reutilizadas pelo Google com fins comerciais.
Teoria conspiratória das boas.
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Clube privé
Criado há apenas cinco
meses, o Orkut
já se tornou um dos sites mais populares
da rede. Saiba como funciona
O QUE É
Trata-se de uma rede
de relacionamentos virtual. Cada usuário tem
uma página em que exibe seu perfil, com fotos.
Dá para conversar com os amigos, entrar em grupos
de discussão e paquerar. Graças a um sistema
de avaliação de itens como beleza, simpatia
e quantidade de conhecidos, a popularidade do associado
é colocada à prova
COMO PARTICIPAR
O Orkut é um clube
fechado: só entra quem é convidado por
outro usuário. Uma vez admitido, o novo associado
tem de compartilhar seus dados pessoais e preferências
com os demais. Violência, racismo e pornografia
são vetados no site
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| O Orkut em números
O site tem mais de 2 milhões de usuários
47% deles são jovens de 18 a 25 anos
Com 23% dos associados, o Brasil é o segundo
país que mais usa o serviço. O primeiro são os Estados
Unidos, com 36%
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