Edição 1858 . 16 de junho de 2004

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Olimpíadas
Ele já é um fenômeno

Jadel Gregório faz a melhor marca
do ano no salto triplo e acha pouco


André Fontenelle


Jonne Roriz/AE
O salto de Jadel: ele agora quer passar João do Pulo


Mau aluno, aos 13 anos o paranaense Jadel Gregório preferia correr atrás dos outros a estudar. Uma professora viu nisso um talento. "Quer treinar na pista?", ela perguntou. Ele quis. Foi para a escolinha de esportes do Sesi, na cidade paulista de Marília. Jogou basquete, nadou e foi goleiro de futebol. Encantou-se pelo handebol, mas não tinha dinheiro para comprar um tênis específico para o esporte. "Não gostava de dar voltas na quadra no treino de basquete, tinha receio da natação porque só tinha eu de negro e no futebol já nem sei qual era o problema", diz. Sobrou o atletismo. Aos 23 anos, Jadel pesa 103 quilos, tem 2,02 metros de altura e diz, nesta curta entrevista, que pode voar além da marca de 17,72 metros, conquistada há duas semanas – a melhor do ano em competições oficiais de todo o planeta.

Veja – Superar o salto de João do Pulo é questão de tempo?
Jadel – Isso não é impossível. Nesse salto mesmo, foi uma coisa mínima que não me deixou passar a marca. Mas vai acontecer em breve, com certeza.

Veja – Você vai ganhar a medalha de ouro em Atenas?
Jadel – Olhe, já me incomoda ter gente falando "não aceito bronze, não: tem de trazer o ouro". Quem quer cobrar algo de mim tem de ver o que eu passo e passei.

Veja – O que você passou? Isso o fez pensar em desistir?
Jadel – Fez. Quando vim treinar em São Paulo, não tinha amizades nem dinheiro. Todo mundo viajava no fim de semana, eu não tinha dinheiro. Queria comer uma coisa diferente, não tinha dinheiro. Ficava sozinho, imaginando: isso aqui não é para mim.

Veja – Esse último salto mudou algo em sua vida?
Jadel – Ah, agora tem gente que promete mundos e fundos. Mas não se pode acreditar em tudo. Nunca tive de subir na coluna de ninguém para me promover. Não gosto, agora que estou concluindo alguns de meus objetivos, que alguém venha falar que teve parte.

Veja – Você se refere a pesquisadores da Universidade de São Paulo que teriam feito um trabalho com você...
Jadel – Isso causou um fuá danado. Esse negócio é mentira. Ninguém vem aqui sentir a dor que eu sinto. Fica parecendo que o Jadel é formado em laboratório. Eles não têm contato comigo. Pediram autorização para o meu técnico, dizendo que era um trabalho de faculdade. De repente eu vejo na TV. Não podem colocar minha imagem na TV para que acreditem no trabalho deles.

 


 
 
 
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