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Ministério
Ferido, mas na luta
José Dirceu lança batalha aberta
para voltar a ser o articulador
político do governo

Otávio Cabral
Na semana passada, o ministro José Dirceu,
da Casa Civil, mandou dois recados claros aos seus adversários
na guerra pelo poder em Brasília. O primeiro é que
está ferido, mas não morto. O outro recado é
que as decisões executivas mais importantes do governo continuam
passando por suas mãos. Ou seja, ele pode até morrer
na batalha, mas, como os grandes encouraçados, não
sucumbirá sem luta. Desde que foi alvejado pelo escândalo
do ex-assessor Waldomiro Diniz em fevereiro, José Dirceu
tem evitado aparecer em público numa posição
de quem ostensivamente guerreia para recuperar o prestígio
perdido. Parecia negar-se a confirmar seu enfraquecimento aos olhos
dos inimigos. Na semana passada, contudo, o ministro mudou de tática
e reagiu aos bombardeios com disposição leonina. Falou
com o ministro Antonio Palocci, da Fazenda, para refazer um pacto
antigo, segundo o qual Palocci não entra na política
e Dirceu não se mete na economia. Conversou, em seguida,
com seus principais aliados no Congresso com o propósito
de obter apoio para decapitar Aldo Rebelo, do PC do B, da articulação
política do governo. Por fim, esteve com o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, para quem reclamou de seu exílio
interno e reivindicou seu retorno à seara política.
Monica Zarattini/AE
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| O ministro José Dirceu: conversa com aliados
para detonar Rebelo |
Ninguém sabe se a reação do ministro José
Dirceu resultará na recuperação de sua força
no governo, mas o presidente Lula ficou tocado com o desabafo do
amigo e não escondeu sua simpatia pela idéia de vê-lo
de volta à articulação política do governo
e Aldo Rebelo como ministro da Defesa, no lugar do diplomata
José Viegas. O presidente Lula autorizou José Dirceu
a retomar a articulação no Senado, pelo menos no que
diz respeito à aprovação do novo valor do salário
mínimo. Com isso, Lula contempla duas necessidades. De um
lado, testa a volta de José Dirceu às negociações
com parlamentares, das quais está oficialmente afastado.
De outro, tenta reduzir o risco de ver o novo salário mínimo
derrotado no Senado, onde sua aprovação se afigura
bem mais complicada do que foi na Câmara dos Deputados. No
Senado, o ministro Aldo Rebelo tem trânsito mais restrito
do que na Câmara. Por duas razões. Primeiro, porque
ele próprio é deputado. Segundo, porque pertence a
um partido, o PC do B, que não tem nenhum senador. É,
por assim dizer, um duplo estranho entre os senadores.
Dida Sampaio/AE
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| O presidente: ter ou não ter Dirceu na articulação
política? |
Apesar do apreço inegável que tem por José
Dirceu, seu velho companheiro e figura essencial na campanha presidencial,
Lula não deixou claro se pretende remontar sua equipe nos
moldes desejados pelo ministro. Mesmo os aliados de Dirceu não
sabem dizer se o presidente ficou convencido da idéia e alguns
até divergem sobre a data em que a novidade poderia ser implementada.
Há quem aposte que a mudança é coisa imediata,
para os próximos dias. E não apenas em decorrência
da pressão de Dirceu, mas também porque a cúpula
do PT está insatisfeita com Aldo Rebelo, que foi autorizado
a punir os governistas que votaram contra o salário mínimo
cortando-lhes as emendas e abriu as punições
pela bancada dos petistas infiéis, poupando os três
infiéis de seu próprio partido. Rebelo nega que tenha
adotado tratamento diferente para uns e outros, mas o estrago já
está feito. Outros aliados de José Dirceu, no entanto,
apostam que a mudança não sai antes das eleições
municipais, cujos resultados deverão motivar alterações
no ministério, ocasião em que Lula aproveitaria para
mexer de uma só vez. Seja o que for, tudo não passa
de aposta para um governo que, até aqui, não se pautou
pelas decisões rápidas.
Na ginástica para recuperar os músculos
de antes, José Dirceu conta com três apoios fundamentais.
No Parlamento, tem o braço amigo de José Sarney, presidente
do Senado, e do deputado João Paulo Cunha, presidente da
Câmara. Os dois querem ser reeleitos para seus cargos, decisão
que pode voltar a ser apreciada no Congresso se houver convocação
extraordinária no recesso de julho. O terceiro apoio é
de José Genoíno, presidente do PT. Até o ministro
Antonio Palocci, com quem Dirceu vive uma disputa interminável,
não se comporta como um rival clássico eles
são, na verdade, como dois irmãos. Brigam entre si,
mas, na hora em que um terceiro quer tirar sua lasca da briga, voltam
a se unir. Uma coisa que José Dirceu ainda tem de amadurecer
no governo, porém, é sua própria escolha. Se
quer voltar a ser poderoso, precisa primeiro aceitar ser tratado
como tal, ou seja, admitir os bombardeios que, na política,
só costumam ser despejados sobre quem tem poder. Às
vezes, no entanto, o ministro dá a impressão de que
só admite viver sob um céu de brigadeiro, sem ataques
nem tramas. Em política, quem quer tanta tranqüilidade
precisa, antes de tudo, virar unanimidade ou não ter poder
algum.
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