Edição 1 628 -15/12/1999

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Livros

Uma Caminhada na Floresta, de Bill Bryson (tradução de Pedro Maia Soares; Companhia das Letras; 281 páginas; 27 reais) – Este livro é uma alternativa para quem sonha em encarar uma aventura em ambientes selvagens, mas não tem ânimo ou preparo físico para isso. Primeiro, porque traz belíssimas descrições de um dos mais famosos roteiros para naturalistas nos Estados Unidos, a Trilha dos Apalaches, que começa no Estado do Maine e vai até o da Geórgia. Segundo, porque Bryson é um narrador hábil e muito engraçado: ele brinca com os medos que a natureza desperta nas pessoas e ainda esboça deliciosos retratos satíricos dos ecochatos que encontra pelo caminho. Acompanhado de um amigo gorducho, Bryson não chegou nem perto de percorrer os mais de 3.000 quilômetros da trilha. Além de divertir-se, os sedentários se sentirão menos culpados depois da leitura.

Nau Capitânia, de Walter Galvani (Record; 320 páginas; 30 reais) – Todo mundo sabe que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, mas só especialistas no assunto conhecem outras passagens de sua vida. Praticamente não há livros sobre ele, mesmo em Portugal. Esta biografia, escrita por um jornalista gaúcho, é um passo para restaurar sua reputação. Escrita de maneira clara e agradável, ela é fruto de quatro anos de pesquisa, que envolveu a consulta a documentos raros e viagens à Europa. Além de revelar um Cabral de carne e osso, o trabalho ainda permite comparar seus feitos com os de heróis mais lembrados, como Vasco da Gama e Fernão de Magalhães. O livro mostra que, longe de ser um mero burocrata, como alguns já o retrataram, Cabral foi um nome-chave na era das navegações portuguesas.

 

Discos

The Sinatra Family Wish You a Merry Christmas, Frank Sinatra (Artanis/Trama) – Um caso raro de disco de Natal que pode ser ouvido com prazer durante o ano inteiro. Ele foi gravado em 1968 por Sinatra e seus três filhos, Frank Jr., Tina e Nancy. Esta última, pouco antes, chegara ao topo das paradas com a música These Boots Are Made for Walking. O repertório é uma mistura de clássicos natalinos e canções escritas especialmente para o disco. Os fãs do cantor irão reconhecer de imediato, ao fundo, a orquestra de Nelson Riddle, a melhor dentre todas as que o acompanharam em sua carreira. Os arranjos de Riddle estão mais próximos do jazz de boa cepa que dos acordes de Jingle Bells, e os filhos de Sinatra até que são bem afinadinhos. Mesmo nos tempos do LP, o disco nunca fora lançado no Brasil.

Early Days: The Best of Led Zeppelin, Volume One, Led Zeppelin (Atlantic/WEA) – O grupo é sinônimo do melhor que o rock pesado produziu nos anos 70. Era formado por três grandes instrumentistas e um cantor de voz privilegiada. Além disso, a música do Led Zeppelin não era apenas barulhenta. Suas canções tinham influências de outros gêneros musicais, como o funk e o reggae, e até mesmo dos sons orientais. Organizada por Jimmy Page, guitarrista do grupo, esta coletânea dá a exata dimensão da importância do Led Zeppelin para a história da música pop. Ela traz faixas dos quatro primeiros discos do conjunto, justamente os melhores. Entre elas está Stairway to Heaven, até hoje uma lição obrigatória para os guitarristas das novas gerações. Um segundo volume da coletânea será lançado no início do ano que vem.

 

Vídeo

O Quebra-nozes Maluco: para a garotada


O Quebra-nozes Maluco (The Nuttiest Nutcracker, Estados Unidos, 1999) – Este desenho animado não passou nos cinemas brasileiros – vale a pena alugar a fita para a criançada. Ele é baseado no clássico conto alemão O Quebra-nozes, que em 1892 inspirou o balé clássico homônimo, musicado por Tchaikovsky. A animação é de primeira qualidade, toda realizada em computador, e a história é muito simpática. Na noite de Natal, uma menina se junta a um bando de frutas para combater o malvado rei Rato. Uma curiosidade: um dos personagens é brasileiro. Trata-se de um coco, que canta um dos principais temas sonoros do desenho (não, não é um samba) e se veste como um integrante do bloco baiano Olodum.

 

Televisão

Especial Björk (sexta-feira, 20h30, no Eurochannel) – Gravado em Londres, este especial mostra por que a cantora islandesa Björk é considerada um dos grandes talentos da música pop mundial. A especialidade dessa descendente de esquimós é descobrir ritmos e incorporá-los a sua música. Björk já flertou com sons eletrônicos e chegou a homenagear a cantora Elis Regina em uma de suas composições. Ela se apresenta com uma banda cujos integrantes são naturais de países como Turquia, Irã e Índia. Ao contrário do que se possa imaginar, o cruzamento dessas culturas rende uma música acessível e deliciosa.