Edição 1 628 -15/12/1999

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Ancelmo Gois

 

 

CRIME

Custo Brasil

Um analista de Wall Street, mexendo nas contas do grupo Pão de Açúcar, descobriu que o supermercado dispõe de 200 seguranças para proteger os diretores. A presença desse miniexército faz sentido – até porque o empresário Abilio Diniz já foi vítima de um seqüestro. O Brasil deve ser – ao lado de Rússia e Colômbia – líder em gasto empresarial com segurança pessoal.
 

Efeito CPI

Caiu em quase 80% o número de roubos de carga no Rio de Janeiro e em São Paulo, depois que começou a CPI do Narcotráfico. Num passado recente, já ocorreram sessenta roubos num dia nesse eixo.

 

 

ARQUITETURA

Palácio da Alvorada

Este governo é ruim de reformas. Walter Pecly, do cerimonial da Presidência, anunciou que o arquiteto Oscar Niemeyer é o autor da reforma do Palácio da Alvorada. Não é, não. O escritório dele foi contratado como fachada para fugir da burocracia – por ser o autor do projeto original e ter "notório saber", seu nome dispensa concorrência. O arquiteto da reforma é outro, Fernando Andrade. Niemeyer não quis fazer o projeto porque discorda das alterações. A ele caberá exclusivamente receber o dinheiro e repassá-lo integralmente a Andrade – que ele apenas indicou.

 

POLÍTICA

Mão na massa

Quando ele chegou, teve gente que achou que Élcio Álvares ia ser uma espécie de rainha da Inglaterra no Forte Apache. Mas o ministro da Defesa sabe das coisas. Pelo anteprojeto que cria a agência que vai regular a aviação civil, ela ficará vinculada a seu ministério e não ao comando da Aeronáutica. Cabe à agência também dar as cartas sobre as obras de infra-estrutura aeroportuária – um pudim de 3 bilhões de reais gerido atualmente pelos brigadeiros da Infraero.
 

Palanque eletrônico

De olho na sucessão presidencial, Eduardo Cunha tenta montar uma cadeia nacional de emissoras de rádio – quase todas ligadas a seitas evangélicas – para dar suporte à provável candidatura de Anthony Garotinho. Cunha presidiu a Telerj no governo Collor por indicação de PC Farias.
 

Marcha à ré

A língua de José Serra não pára de coçar. Mas o ministro se esforça para não quebrar a jura, que fez a si mesmo, de não comentar em público a reforma tributária. Ele acha que há gente e interesses divergentes demais mexendo nesse tacho. Desconfia que, do jeito que vai, a reforma pode acabar prejudicando a competitividade na economia e aumentando o déficit público e a guerra fiscal. Ou seja, tudo o que não se queria no início.

 

EDUCAÇÃO

Os vilões

Depois tem banqueiro ou usineiro reclamando da imagem chamuscada. Desde 1997 eles foram os campeões de ações contra o salário-educação. Só de atrasados o ministro Paulo Renato vai receber – já que o governo ganhou a causa no STF – cerca de l bilhão de reais. É dinheiro suficiente para comprar 300 milhões de livros escolares – que equivalem à demanda de três anos e meio.
 

Reprovado

De cada 100 faculdades que tiraram notas baixas no Provão (D e E), setenta são particulares.  

 

TV

O ressentido

Marluce Dias avisou que não vai mais tolerar críticas públicas de Chico Anysio à Rede Globo. O humorista, que é um poço até aqui de mágoa, disse ao jornal O Dia que se a emissora colocar no ar todo mundo que contratou vai ter de criar a "sétima-feira". Ficou ainda amuado com a volta de Jô Soares "com um salário maior que o meu".

 

ECONOMIA

Gente inocente

A guerra bilionária da AmBev é para profissionais. Isso vale para os dois lados. Atua no pelotão que pretende fuzilar a fusão da Brahma com a Antarctica o lobista Jack Corrêa. Ele vendeu em 1991, à então ministra Zélia Cardoso de Mello, um Fiat Uno zerinho a preço camarada – que ela pagou um ano depois.
 

Férias

O ministro Pedro Malan tira férias de duas semanas, por esses dias.
 

Timor

O brasileiro Persio Arida vai ajudar na recuperação econômica do Timor Leste – a ex-colônia portuguesa recém-libertada da Indonésia.
 

Barbie na cabeça

Mais um round na guerra das bonecas. O Ibope divulgou a pesquisa com o resultado das vendas de setembro e outubro, que respondem por 30% do faturamento do ano: Barbie, 31%, Susi, 17,6%.
 

Chegou lá

A Embraer vai fincar pela primeira vez sua bandeira no território chinês – um mercado gigante pela própria natureza. São dez aviões por 200 milhões de dólares. O anúncio será feito na viagem que o vice Marco Maciel fará à China.
 

Privatização

Emílio Carazzai, presidente da Caixa Econômica Federal, encomendou à Goldman Sachs um estudo para vender uns 30% do capital da Sasse – a seguradora estatal, sétima no ranking. Mas a idéia que prospera é transferir para a iniciativa privada um bloco maior – com direito ao controle.
 

Saúde na rede

Começa nesta semana o Planeta Vida. É um portal de saúde feito por empresários de sobrenome ilustre – liderados por Wolf Klabin, um carioca de 26 anos. Investirão 30 milhões de dólares em três anos.

 

A privatização da espada

Há duas semanas, a paulista Dutra Leilões incluiu em seu catálogo de vendas uma espada de bronze alemã que pertenceu ao almirante Tamandaré – patrono da Marinha e ex-titular da cédula de 1 cruzeiro antigo. No mundo civilizado um leilão desses despertaria interesse do Patrimônio Histórico ou mesmo de algum museu da Marinha. Aqui, como sempre, esses objetos vão para a casa dos endinheirados – onde poucos têm acesso.