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Acusado
de subornar legista, irmão de PC
entra na mira da CPI do Narcotráfico
Expedito
Filho e
Leonel Rocha, de
Maceió
O deputado Augusto Farias, de
Alagoas, pode ser a próxima vítima
a virar pó na malha fina da CPI do Narcotráfico.
Na semana passada, um grupo de deputados da
CPI esteve em Maceió para tomar os depoimentos
do médico e coronel da Polícia
Militar George Sanguinetti e do ex-governador
de Alagoas Geraldo Bulhões. Ficaram impressionados
com o que ouviram. Em seu relato, Sanguinetti
informou à CPI que, durante uma reunião
na casa de Bulhões, ouviu do funcionário
público Eduardo Amaral, filho do coronel
José de Azevedo do Amaral, secretário
de Segurança na época do crime,
que Augusto Farias pagou 400.000
dólares ao legista Fortunato Badan Palhares,
da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp,
para que ele fraudasse a conclusão do
laudo pericial da morte de Paulo César
Farias. O objetivo do suborno seria tornar crível
a versão da polícia alagoana de
que Suzana Marcolino matou PC, então
seu namorado, suicidando-se em seguida. De acordo
com essa versão, bastaria a assinatura
de Palhares, um dos legistas mais requisitados
do país, para que o caso parasse por
aí.
Dorival Elze
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Badan
Palhares vai processar Sanguinetti e o
ex-governador Bulhões por crime
contra a honra
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Bulhões não só confirmou
as informações de Sanguinetti
como acrescentou que a história do suposto
suborno lhe fora contada em sua casa no início
do ano passado. Esta não é a primeira
vez que Augusto Farias tem seu nome envolvido
em denúncias feitas à CPI do Narcotráfico.
O caminhoneiro Jorge Meres, uma das principais
testemunhas da CPI, acusou Augusto e seu irmão
Rogério de comandarem uma quadrilha de
ladrões de caminhões de carga.
Ficou no diz-que-me-diz-que. Era a palavra do
caminhoneiro bandido contra a do deputado. Diante
dessa nova acusação, a situação
de Augusto Farias se complica, e já se
aposta na Câmara dos Deputados que, se
a denúncia for confirmada, dificilmente
o deputado escapará da cassação.
Na sexta-feira, a advogada Tereza Doro, que
defende Badan Palhares, anunciou que vai processar
Sanguinetti por crime contra a honra e, por
tabela, o ex-governador Geraldo Bulhões,
caso não se confirme a versão
da compra do laudo por 400.000
dólares.
Entre amigos
Das três pessoas
que ouviram falar no suposto suborno de Palhares,
duas são conhecidas de longa data da
família Farias. O ex-governador Bulhões
elegeu-se pelas mãos tesoureiras de PC
Farias, provocando um racha no coração
do governo Collor. Renan Calheiros, que também
concorria ao governo alagoano, rompeu com Collor
e deixou a liderança do governo na Câmara,
cargo que exercia, denunciando PC de comandar
um esquema de corrupção. "Decidi
contar tudo sobre os 400.000
dólares para ajudar a esclarecer a morte
do amigo PC", justificou Bulhões.
A família Amaral também
é outra velha amiga dos Farias. O delegado
Cícero Torres, que até hoje garante
que o crime foi passional, seguido de suicídio,
estava sob as ordens do coronel José
de Azevedo do Amaral, três vezes secretário
de Segurança do Estado. Torres é
também amigo íntimo de Eduardo
Amaral, que agora se tornou a grande chave para
esclarecer o caso. Ouvido por VEJA, Amaral,
como era previsível, negou a história
do suborno. Se houve mesmo uma ação
entre amigos para escamotear o crime e esconder
os verdadeiros culpados, o elo começa
a se quebrar.
Sanguinetti é o único
desafeto declarado de Augusto Farias. Na semana
passada, ele informou também à
CPI que o deputado Augusto Farias tentou matá-lo
para evitar as críticas que vinha fazendo
às investigações do caso
PC. Augusto Farias teria ido ao presídio
de segurança máxima contratar
os serviços de pistolagem do coronel
da PM Manoel Cavalcante que, mesmo vendo o sol
nascer quadrado, comanda uma quadrilha de matadores
profissionais. Sanguinetti foi o primeiro a
contestar o laudo de Badan Palhares e desde
o começo vem apontando o deputado como
principal suspeito das mortes de Suzana e PC
Farias.
A CPI não sabe se a ameaça
de morte realmente aconteceu. Caso seja verdadeira,
dificilmente se deveria às críticas
que Sanguinetti fez ao laudo de Badan Palhares.
O perito não esteve no local do crime,
não viu os corpos e baseou sua análise
em apenas três fotografias. Faltava-lhe
também experiência. Embora seja
professor de medicina legal, Sanguinetti não
tinha prática como legista, o que tornava
sua análise pouco sólida. Somente
agora ele apresentou algo mais que simples insinuações.
O cerco se fecha
Cabe agora à
CPI do Narcotráfico a difícil
tarefa de desvendar a nuvem de mistério
que cerca o caso PC. Criada há nove meses,
a CPI cassou o deputado Hildebrando Pascoal,
aquele que fatiava suas vítimas com motosserra,
trancafiou 28 pessoas do seu grupo e desvendou
uma quadrilha que roubava caminhões de
carga para trocar por cocaína na Bolívia,
comandada pelos deputados estaduais José
Gerardo e Francisco Caíca, do Maranhão.
Da malha criminosa, com teias marginais no Acre,
Maranhão e São Paulo, revelada
pelo motorista Jorge Meres, fazia parte também
o deputado Augusto Farias, como representante
do Estado de Alagoas. Para saber se esse elo
existe de fato, a CPI resolveu investigar o
irmão de PC. Começou pelo misterioso
assassinato do ex-tesoureiro e ampliou seus
tentáculos para os negócios da
família Farias. Uma subcomissão,
comandada pelo deputado Robson Tuma, composta
pelos deputados Padre Roque, Eber Silva e Lino
Rossi, iniciou uma devassa na vida patrimonial
do deputado. Entre os documentos, estão
a certidão de tutela dos filhos de PC,
três declarações de imposto
de renda do deputado, recibos de pagamentos
de funcionários dos Farias e fotos de
campanha. Foram apreendidos, ainda, dois computadores
e uma papelada que comprova as ligações
do parlamentar com outras empresas da família
Farias. A CPI acredita que, agora, o cerco se
fechou. Toda a verdade sobre o caso PC Farias
pode vir à tona. "A vida de Augusto Farias
se complicou muito", diz o deputado Padre Roque,
do PT paranaense. Se já vinha produzindo
resultados positivos, a CPI do narcotráfico
acaba de dar seu passo principal. Um dos maiores
mistérios da história recente
do país talvez esteja prestes a encontrar
uma solução.
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