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Cinema
Guerra ao Natal
O irreverente Papai Noel às
Avessas não vê o que festejar

Isabela Boscov
Divulgação
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| Thornton: álcool e palavrões |
O diretor americano Terry Zwigoff diz que os Natais de sua infância
eram ocasiões estranhas, com uma árvore mixuruca e
algumas velas de Hanuka (sua família é judia), e que
a única foto sua numa dessas festas revela um menino de 4
anos perplexo com a lanterna a pilha que ganhou dos pais. Zwigoff
é, portanto, o sujeito certo para dirigir Papai Noel
às Avessas (Bad Santa, Estados Unidos, 2003).
No filme, que estréia nesta sexta-feira, Billy Bob Thornton
é um vagabundo alcoólatra que, todo fim de ano, se
emprega como Papai Noel em lojas de departamentos que depois
ele assalta junto com seu comparsa, um anão que se veste
de elfo. Thornton chega sempre bêbado e imundo ao emprego,
vomita nas crianças e profere palavrões com a inspiração
de quem recita em pentâmetro iâmbico. Ao arrombar uma
casa, ele se envolve, sem querer, com um menino de 8 anos tão
desajustado quanto ele próprio. Os dois acabam estabelecendo
um vínculo que de normal não tem nada, mas que de
alguma forma serve a ambos. Como em seus ótimos trabalhos
anteriores Mundo Cão e o documentário
Crumb , Zwigoff oferece compaixão a personagens
que habitualmente seriam tratados como detestáveis. Seu filme
é, em suma, contraprogramação natalina da melhor
estirpe.
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