Edição 1884 . 15 de dezembro de 2004

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Guerra ao Natal

O irreverente Papai Noel às
Avessas
não vê o que festejar


Isabela Boscov

Divulgação
Thornton: álcool e palavrões


O diretor americano Terry Zwigoff diz que os Natais de sua infância eram ocasiões estranhas, com uma árvore mixuruca e algumas velas de Hanuka (sua família é judia), e que a única foto sua numa dessas festas revela um menino de 4 anos perplexo com a lanterna a pilha que ganhou dos pais. Zwigoff é, portanto, o sujeito certo para dirigir Papai Noel às Avessas (Bad Santa, Estados Unidos, 2003). No filme, que estréia nesta sexta-feira, Billy Bob Thornton é um vagabundo alcoólatra que, todo fim de ano, se emprega como Papai Noel em lojas de departamentos – que depois ele assalta junto com seu comparsa, um anão que se veste de elfo. Thornton chega sempre bêbado e imundo ao emprego, vomita nas crianças e profere palavrões com a inspiração de quem recita em pentâmetro iâmbico. Ao arrombar uma casa, ele se envolve, sem querer, com um menino de 8 anos tão desajustado quanto ele próprio. Os dois acabam estabelecendo um vínculo que de normal não tem nada, mas que de alguma forma serve a ambos. Como em seus ótimos trabalhos anteriores – Mundo Cão e o documentário Crumb –, Zwigoff oferece compaixão a personagens que habitualmente seriam tratados como detestáveis. Seu filme é, em suma, contraprogramação natalina da melhor estirpe.

 
 
 
 
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