Edição 1884 . 15 de dezembro de 2004

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Televisão
O Ibope é o mesmo,
mas os gastos...

Embora invista quase dez vezes mais,
a Globo perde para o SBT nas manhãs


Ricardo Valladares

 
Ilustração Atimica Studio

A Rede Globo investe um caminhão de dinheiro em suas manhãs de segunda a sexta-feira. Todos os meses, são 5 milhões de reais em gastos de produção, além de 3 milhões consumidos com os salários de seus apresentadores. Na mesma faixa de horário, o SBT gasta 800.000 reais por mês – quase dez vezes menos. Quando o assunto são os índices de audiência, contudo, há uma inversão espantosa: com média de 8,6 pontos no Ibope, o SBT vem levando vantagem sobre a concorrente nos últimos tempos. A Globo perdeu a liderança em várias frentes. Já virou rotina os programas Xuxa no Mundo da Imaginação, Sítio do Pica-Pau Amarelo e TV Globinho tomarem sovas matinais do SBT. A única que ainda não deixou cair a peteca é Ana Maria Braga, apesar de ter perdido duas vezes recentemente. Ana Maria ganha quase aquilo que o SBT gasta com toda sua programação matutina: 750.000 reais por mês. É um contraste e tanto com os atuais campeões de audiência nas manhãs, os adolescentes Kauê Santin, de 14 anos, e Jéssica Esteves, de 13. Apresentadores do Bom Dia & Cia, ambos têm salário de 3.000 reais por mês (com a ajuda do merchandising, eles podem levar para casa até 30.000 reais – mas o dinheiro extra não sai dos cofres da emissora). A principal tarefa dos garotos é anunciar as produções animadas dos estúdios Disney e Cartoon, o verdadeiro ponto forte do programa.

Não é a primeira vez que as manhãs da Globo sofrem ameaça dos desenhos de outra rede. Quando Angélica estava à frente do infantil Bambaluá, em 2000, viu sua audiência despencar por culpa da série japonesa Pokémon, exibido pela Record na época. Para enfrentá-la, a Globo recorreu à artilharia pesada. Comprou uma animação similar, Digimon, por 5.000 dólares o capítulo, o dobro do usual. Custou caro, mas a série quadruplicou a audiência e reanimou a carreira de Angélica. Na crise atual, a Globo perdeu fôlego nas manhãs por causa do infantil de Xuxa, cujas derrotas constantes para os desenhos do SBT aos poucos se irradiaram para outras atrações.

Por enquanto, a erosão da audiência não trouxe prejuízos financeiros para a Globo. Suas atrações rendem 18 milhões de reais por mês, contra 2,3 milhões do SBT. A Globo tem uma programação mais diversificada e de qualidade superior, o que faz diferença na visão do mercado publicitário. "Não é só a audiência que importa. Os programas da Globo atraem um público mais qualificado", diz Ivan Marques, da agência F/Nazca. A luz vermelha, no entanto, já se acendeu na direção da emissora. Para tentar reverter o problema, pela terceira vez Xuxa será socorrida por um novo diretor. Jorge Fernando assume o cargo com uma missão especial: preparar terreno para uma reformulação total do programa da apresentadora, e ajudar a estancar a sangria na audiência matinal.

 

 
 
 
 
topovoltar