Edição 1884 . 15 de dezembro de 2004

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Sexo
Elas estão insatisfeitas

Pelo menos é o que disseram
os entrevistados japoneses
em duas pesquisas

 
AFP
Mulheres em piscina ao sul de Tóquio: número de solteiras aumentou 30%

O governo do Japão enfrenta mais uma dificuldade para conter a queda do crescimento demográfico e o envelhecimento rápido de sua população: os japoneses estão fazendo menos sexo. O país ocupa a pior colocação em duas pesquisas que medem a freqüência com que as pessoas mantêm relação sexual. Em um desses rankings, feito pela fabricante de camisinhas Durex, o país asiático ficou em 41º lugar entre 41 nações avaliadas. Os japoneses afirmaram ter mantido 46 relações por ano, quase três vezes menos que os líderes, os franceses, com 137. Em levantamento realizado pela Pfizer, que produz o Viagra, com pessoas acima de 40 anos, o desempenho japonês foi o mesmo: a lanterna da lista, atrás de outros 27 países. Apenas 21% dos pesquisados no Japão disseram ter feito sexo pelo menos uma vez por semana. No Brasil, esse porcentual foi de 75%, o que valeu o primeiro lugar para os brasileiros. Nesse estudo, os entrevistados japoneses também apareceram como os mais insatisfeitos com o relacionamento, tanto no aspecto emocional como no que diz respeito ao prazer físico.

Outros indicadores também sugerem uma menor freqüência sexual no Japão. A venda de camisinhas no país está em franca queda. Em 1980, foram comprados 737 milhões de preservativos. Já os dados mais recentes indicam que esse número não passou de 419 milhões no ano passado. Além disso, o total de casamentos diminuiu em 2003 pelo segundo ano consecutivo, uma revolução para uma sociedade acostumada a ver no matrimônio o objetivo máximo de vida das mulheres. No ano passado, apenas 1,1 milhão de bebês nasceram nas maternidades japonesas, um número pequeno em relação ao tamanho da população (127,6 milhões de habitantes). Foi a terceira queda seguida. A taxa de fertilidade no Japão já era de 1,3 criança por mulher no ano passado, uma das mais baixas do mundo.

Um conjunto de fatores explica esse fenômeno. As mulheres reclamam da falta de prazer nas relações sexuais e da ausência de carinho dos homens. Querem estabelecer relacionamentos, mas sem todo o pacote do casamento tradicional japonês, que inclui cuidar da casa e colaborar com o sucesso profissional do marido. Na ausência de parceiros que atendam a esses anseios, elas preferem dispensar o casamento. Hoje, 54% das japonesas que beiram os 30 anos são solteiras. O porcentual representa um crescimento de 30,6% em relação a 1985. Até a década de 70, mulheres solteiras aos 25 anos eram jocosamente comparadas a "pães amanhecidos". Agora, de uma maneira ou de outra, elas parecem ter conquistado maior autonomia.

 
 
 
 
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