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Internacional A
lei dos espiões Reestruturação
dos serviços de inteligência dos EUA abre guerra interna
antes de sair do papel
Kathy Willens/AP
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| Colin Powell mostra na ONU prova das armas
de Saddam: erro da CIA |
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O
serviço de inteligência dos Estados Unidos fracassou em dois momentos
cruciais da história recente: o ataque terrorista de 11 de setembro de
2001 e a invasão do Iraque. No primeiro caso, não previu os atentados.
No segundo, alardeou a existência de um arsenal secreto que, viu-se depois
da invasão, Saddam Hussein não tinha. Como evitar que tais falhas
voltem a ocorrer? Na semana passada, o Congresso americano aprovou um pacote de
leis que abre caminho para a maior reforma dos serviços de inteligência
dos EUA desde a criação da CIA, o serviço de espionagem,
há meio século. O presidente George W. Bush prometeu sancioná-la
sem emendas. A maior novidade é a nomeação de um diretor
de inteligência, subordinado diretamente ao presidente e encarregado de
coordenar as agências de informação que antes trabalhavam
com relativa autonomia. Chefiará um novo órgão, chamado Diretório
Nacional de Inteligência (NID, na sigla em inglês). Quem perde poder
é o diretor da CIA, que acumulava essa função e agora só
cuidará do serviço de espionagem.
A rede de informações do governo americano é composta de
quinze agências e mais de 200.000 funcionários,
entre agentes secretos, analistas, burocratas e informantes. Uma investigação
dos atentados de 11 de setembro concluiu que, por rivalidade entre as agências
ou devido à cultura do segredo nascida na Guerra Fria, uma não conversava
com a outra. Relatórios sobre a ameaça representada pelo terrorista
Osama bin Laden acabaram engavetados. A reforma proposta na lei vai resolver esse
problema? Dentro e fora do governo, muita gente acha que a mudança será
inócua. Isso porque as principais modificações ocorreram
no organograma da burocracia em Washington. "Provavelmente teria sido mais útil
investir maciçamente na renovação do quadro de agentes e
priorizar a coleta de informações no mundo islâmico, no qual
se originam as ações terroristas", diz o cientista político
Richard Schultz, especialista em segurança nacional. Em sua opinião,
centralizar o poder nas mãos de um diretor não melhora a eficiência
das agências, e sim estimula a rivalidade entre elas.
As várias agências estão em pé de guerra contra a nova
lei. Principalmente porque ela dá ao NID o controle de suas verbas. Donald
Rumsfeld, o secretário de Defesa, é um dos críticos da reforma.
Atualmente, o Pentágono controla as agências de vigilância
eletrônica, que consomem 80% do orçamento de 40 bilhões de
dólares dos serviços de informação. Para evitar um
confronto mais sério, um acordo parlamentar retirou do novo diretor do
NID o poder de manejar as verbas. Os atentados de 11 de setembro deixaram evidente
que o serviço de inteligência americano precisa de boa reforma. A
dúvida é se essa é a reforma certa. |