Edição 1884 . 15 de dezembro de 2004

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Educação
Assim vai mal

Um ranking de educação junta-se a outros
para mostrar que o Brasil precisa tomar jeito


Monica Weinberg


Jarbas Oliveira/Folha Imagem
Uma sala de aula de escola pública: no Brasil, a julgar pela OCDE, as particulares também são muito ruins

Saiu na semana passada mais um estudo cujos resultados são desastrosos para o Brasil na comparação com o mundo. Trata-se de uma pesquisa feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que avaliou o nível dos estudantes de quarenta países em três habilidades básicas: leitura, matemática e ciências. O levantamento foi feito com base numa prova respondida por 250.000 jovens, sorteados em escolas públicas e particulares, todos na faixa de 15 anos. Do Brasil, participaram 4.400 alunos. O péssimo resultado dos brasileiros nas três áreas avaliadas chama atenção no relatório. Em matemática, matéria que concentrou 53% das questões, o Brasil ficou com a última colocação, atrás de países mais pobres, como Tunísia e Indonésia. A metade dos jovens brasileiros está situada abaixo do grau 1, de uma escala de seis níveis, o que joga luz sobre um fato perturbador: eles estão concluindo o ensino fundamental sem saber somar nem subtrair. O quadro não melhora nas outras áreas. Em ciências, que deu ao Brasil a penúltima posição, os estudantes tiveram dificuldade em discernir os vários órgãos do corpo humano. Já na prova que mediu a capacidade de leitura, eles não conseguiram reter nem interpretar textos indicados nos primeiros anos escolares.

Os novos números ajudam a dimensionar o tamanho de um velho problema brasileiro: apesar da notável massificação do ensino na última década, a qualidade continua sofrível. O estudo também dá pistas de caminhos que resultaram na melhoria da educação em outros países. Um deles é o volume de recursos reservado à formação dos estudantes. A Finlândia, campeã em dois rankings, gasta 4.100 dólares por ano para educar cada aluno. É um investimento quatro vezes maior que o do Brasil. Mas nem tudo se resume a dinheiro, e o caso dos Estados Unidos ilustra bem isso. Os estudantes americanos recebem 60% mais verbas do que os finlandeses, mas não passaram do 28º lugar em matemática nem do 22º em ciências. Isso acontece porque o país não faz uma distribuição tão equilibrada dos recursos, conclui a pesquisa. "O Brasil precisa melhorar nas duas áreas: aumentar o orçamento para a educação e distribuir melhor o dinheiro", diz Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do Inep, o instituto do Ministério da Educação voltado para a pesquisa.

O governo chegou a comemorar o resultado do Brasil porque as notas tiveram uma discreta melhora em relação ao mesmo exame aplicado em 2000. Mas o que importa, em qualquer área avaliada, é avançar na comparação internacional. A coleção de dados apresentada pela OCDE é apenas um entre vários indicadores que mostram como o Brasil está em situação desvantajosa para competir. O país responde por minguado 0,5% das citações nas melhores revistas científicas do mundo, tem 0,2% dos pedidos internacionais de patentes e ocupa a 43ª posição num ranking de 72 países que mede o nível de desenvolvimento tecnológico, feito pela Organização das Nações Unidas. "Não dá para esperar que o Brasil produza tecnologia de ponta para dar um salto econômico, se os jovens não sabem fazer uma conta de somar", diz o economista Eduardo Viotti, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Nos Estados Unidos, onde as notas também deixaram a desejar, a Sociedade Americana para o Progresso, que reúne importantes entidades científicas, pensa numa estratégia para elevar o padrão de ensino e manter a liderança nas áreas de produção intelectual. Para o Brasil, a missão é livrar-se da lanterna. E o país só conseguirá superar sua condição de atraso se aprender com a cartilha das nações que estão no topo do ranking. Elas fizeram investimentos pesados e contínuos na educação, sem trocar de política a cada novo governo nem inventar fórmulas milagrosas.

 

 


 
 
 
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