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Educação
Assim vai mal
Um ranking de educação junta-se
a outros
para mostrar que o Brasil precisa tomar jeito

Monica Weinberg
Jarbas Oliveira/Folha Imagem
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| Uma sala de aula de escola pública: no Brasil,
a julgar pela OCDE, as particulares também são muito ruins |
Saiu na semana passada mais um estudo cujos
resultados são desastrosos para o Brasil na comparação
com o mundo. Trata-se de uma pesquisa feita pela Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE), que avaliou o nível dos estudantes de quarenta países
em três habilidades básicas: leitura, matemática
e ciências. O levantamento foi feito com base numa prova respondida
por 250.000 jovens, sorteados em escolas
públicas e particulares, todos na faixa de 15 anos. Do Brasil,
participaram 4.400 alunos. O péssimo
resultado dos brasileiros nas três áreas avaliadas
chama atenção no relatório. Em matemática,
matéria que concentrou 53% das questões, o Brasil
ficou com a última colocação, atrás
de países mais pobres, como Tunísia e Indonésia.
A metade dos jovens brasileiros está situada abaixo do grau
1, de uma escala de seis níveis, o que joga luz sobre um
fato perturbador: eles estão concluindo o ensino fundamental
sem saber somar nem subtrair. O quadro não melhora nas outras
áreas. Em ciências, que deu ao Brasil a penúltima
posição, os estudantes tiveram dificuldade em discernir
os vários órgãos do corpo humano. Já
na prova que mediu a capacidade de leitura, eles não conseguiram
reter nem interpretar textos indicados nos primeiros anos escolares.
Os novos números ajudam a dimensionar
o tamanho de um velho problema brasileiro: apesar da notável
massificação do ensino na última década,
a qualidade continua sofrível. O estudo também dá
pistas de caminhos que resultaram na melhoria da educação
em outros países. Um deles é o volume de recursos
reservado à formação dos estudantes. A Finlândia,
campeã em dois rankings, gasta 4.100
dólares por ano para educar cada aluno. É um investimento
quatro vezes maior que o do Brasil. Mas nem tudo se resume a dinheiro,
e o caso dos Estados Unidos ilustra bem isso. Os estudantes americanos
recebem 60% mais verbas do que os finlandeses, mas não passaram
do 28º lugar em matemática nem do 22º em ciências.
Isso acontece porque o país não faz uma distribuição
tão equilibrada dos recursos, conclui a pesquisa. "O Brasil
precisa melhorar nas duas áreas: aumentar o orçamento
para a educação e distribuir melhor o dinheiro", diz
Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do Inep,
o instituto do Ministério da Educação voltado
para a pesquisa.
O governo chegou a comemorar o resultado do
Brasil porque as notas tiveram uma discreta melhora em relação
ao mesmo exame aplicado em 2000. Mas o que importa, em qualquer
área avaliada, é avançar na comparação
internacional. A coleção de dados apresentada pela
OCDE é apenas um entre vários indicadores que mostram
como o Brasil está em situação desvantajosa
para competir. O país responde por minguado 0,5% das citações
nas melhores revistas científicas do mundo, tem 0,2% dos
pedidos internacionais de patentes e ocupa a 43ª posição
num ranking de 72 países que mede o nível de desenvolvimento
tecnológico, feito pela Organização das Nações
Unidas. "Não dá para esperar que o Brasil produza
tecnologia de ponta para dar um salto econômico, se os jovens
não sabem fazer uma conta de somar", diz o economista Eduardo
Viotti, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Nos Estados Unidos, onde as notas também deixaram a desejar,
a Sociedade Americana para o Progresso, que reúne importantes
entidades científicas, pensa numa estratégia para
elevar o padrão de ensino e manter a liderança nas
áreas de produção intelectual. Para o Brasil,
a missão é livrar-se da lanterna. E o país
só conseguirá superar sua condição de
atraso se aprender com a cartilha das nações que estão
no topo do ranking. Elas fizeram investimentos pesados e contínuos
na educação, sem trocar de política a cada
novo governo nem inventar fórmulas milagrosas.
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