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Saúde
Tem de agüentar
Cientistas americanos começam
a averiguar as causas da ressaca.
Mas a cura ainda está muito longe

Sandra Brasil
Pedro Rubens
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A reclamação é procedente:
a ciência é capaz de mandar naves ao espaço
exterior, perscrutar as mais infinitesimais partículas da
matéria, decifrar o genoma humano e, quando a questão
é tratar de um dos mais banais males da humanidade
a ressaca , nada, nadinha. Ou, quando muito, uma solução
ainda em potencial, e literalmente espinhosa, o extrato do fruto
de um tipo de cáctus, a mais recente novidade para combater
sintomas como boca seca e enjôo. Num artigo sobre o tema,
o jornal The New York Times invoca até a ética
médica como um dos motivos da falta de interesse em tratar
a ressaca, diante da possibilidade de que uma pílula anticarraspana
incentive as pessoas a beber mais. Se não existe remédio,
pesquisas recentes começam a examinar melhor os mecanismos
da ressaca. Nenhuma grande surpresa: um dos principais motivos do
efeito deletério dos excessos do copo é a presença
nas bebidas alcóolicas de substâncias tóxicas
liberadas na fermentação. "Essas substâncias
são venenos, e o corpo reage de acordo", explica o médico
Jeffrey Wiese, que participou de uma pesquisa promovida pela Universidade
da Califórnia em São Francisco. Ou seja: o sistema
imunológico, acionado, responde ativando os sintomas conhecidos
de quem já tomou uma dose (ou várias) a mais. Há
estudos voltados justamente para conter a reação imunológica
e, dessa forma, atenuar os efeitos do excesso de bebida no corpo.
Ressaca, na verdade, não é uma,
são várias. "O excesso de álcool ataca o sistema
nervoso central e dá sono e, depois, irritação;
corrompe mecanismos químicos cerebrais, provocando dor de
cabeça; irrita as mucosas do aparelho digestivo, causando
náuseas, vômito e diarréia; e inibe a ação
do hormônio antidiurético, levando a sede e boca seca",
lista o médico Ronaldo Laranjeira, professor de psiquiatria
da Universidade Federal de São Paulo e especialista em dependência
química. "É difícil chegar a um remédio
só que combata tudo isso." No Brasil, o Engov, veteraníssimo
comprimido de mais de trinta anos que contém antiemético
(combate enjôo), analgésico e antiácido, ainda
é o último recurso de multidões de vítimas
da síndrome do dia seguinte. Outras receitas são comer
alimentos gordurosos antes ("para que o organismo absorva o álcool
mais devagar") e ricos em amidos depois ("para enxugar o álcool")
ambas contidas no recém-lançado Guia Definitivo
da Ressaca, obra assinada pelo jornalista britânico Richard
Drunkard (bêbado, em inglês), que vem a ser pseudônimo
da brasileiríssima Renata Bottini, moradora de Campinas.
Bebedores eméritos têm, cada um, sua fórmula.
O escritor Mario Prata, 58 anos, que trocou o uísque pelo
vinho ("Não dizem que dois copos fazem bem à saúde?
Imagine uma garrafa!"), enfrenta ressacas com litros e mais litros
de água e refrigerante. Já o mais famoso consumidor
de cerveja do país, Zeca Pagodinho, 45 anos, apela para a
fórmula condenada pela medicina como quase suicida: "O melhor
mesmo é tomar outra". *
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