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Ciência Está
na cara Pesquisas desvendam os mecanismos usados pelo
cérebro para identificar rostos  Jerônimo
Teixeira
AP
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Goodall: a cientista sofre de prosopagnosia, distúrbio que a impede de reconhecer
faces humanas – mas não de diferenciar chimpanzés |
A inglesa Jane Goodall é talvez a maior especialista viva no estudo de
chimpanzés. Em suas pesquisas nas florestas da Tanzânia, ela aprendeu
a diferenciar um macaco do outro. No entanto, é incapaz de distinguir rostos
humanos. Jane sofre de uma condição neurológica chamada prosopagnosia:
a incapacidade de reconhecer faces. Essa doença limita bastante a vida
social de suas vítimas. Elas desenvolvem macetes para identificar pessoas
pelo cabelo, pela voz, pelo lugar onde sentam no ambiente de trabalho mas
a interação em festas e encontros sociais, onde as pessoas se misturam,
é quase impossível. Pesquisas recentes têm jogado luz sobre
essa estranha condição e sobre a habilidade só na
aparência trivial de reconhecer e memorizar feições.
Os psicólogos Brad Duchaine e Ken Nakayama, da Universidade Harvard, vêm
realizando uma série de pesquisas com vítimas da prosopagnosia.
Eles submeteram quarenta voluntários a uma bateria de testes em computador
para aferir a habilidade de reconhecer não apenas rostos, mas carros, cavalos,
casas, paisagens, ferramentas. Em alguns casos, o distúrbio afetava a identificação
de vários desses elementos. Muitos voluntários, contudo, apresentavam
uma dificuldade exclusiva com rostos humanos. "Muitos de nossos voluntários
têm limitações severas na identificação de faces,
mas são perfeitamente capazes de reconhecer outros objetos", diz Duchaine.
Em uma linha de pesquisa paralela, Galit Yovel e Nancy Kanwisher, dois neurocientistas
do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), confirmaram a natureza específica
do reconhecimento facial. Usando ressonância magnética, eles observaram
a atividade do cérebro de pessoas normais enquanto elas examinavam imagens
de rostos e de casas. Descobriram que existe uma área específica
dentro de uma região do cérebro chamada giro fusiforme que é
responsável pela identificação de rostos. Essa área
não mostra a mesma atividade quando o cérebro está processando
a imagem de uma casa. Esses resultados desbancam uma teoria segundo a qual o cérebro
usaria processos semelhantes para identificar rostos e outros objetos.
Apesar dos avanços na pesquisa, as causas da prosopagnosia ainda são
um mistério. É quase sempre um distúrbio congênito,
o que sugere uma origem genética. Também é possível
que a causa esteja ligada a problemas de visão na primeira infância
embora esteja programada em nosso cérebro, a capacidade de reconhecer
faces parece depender também de estímulos nessa fase. "É
provável que o reconhecimento facial seja como a linguagem: uma habilidade
que é ao mesmo tempo inata e adquirida", diz Yovel. |