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Moda
Feras para vestir
Exposição conta a história
dos usos
(e abusos) das peles e plumas nas
roupas feitas para aparecer

Tania Menai, de Nova York
Divulgação/MOMA
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| Ava em pele de onça, em foto de 1952: uma
galeria para os felinos |
É uma exposição de moda
em que não se vêem babados, lacinhos, tecidos vaporosos
ou outros atributos convencionais da feminilidade. Aqui, é
o lado fera da mulher e do homem também que
explode, numa sinfonia de penas, peles e couros, explorando como
animais e humanos interagem desde sempre em matéria de vestimenta,
com os primeiros a serviço dos segundos, claro. O título
da exposição aberta na semana passada no Instituto
de Moda do Metropolitan Museum de Nova York é auto-explicativo:
Wild: Fashion Untamed (Selvagem: A Moda Indomada). Mas como
qualquer exibição, especialmente de moda, uma novata
no mundo dos museus, precisa ser legitimada por uma porção
de idéias complicadas, as roupas de oncinha e outras estampas
do gênero são apresentadas como representações
de assuntos controversos como racismo, sexismo e, claro, ambientalismo.
O que interessa mesmo é que o conjunto tem um enorme impacto
e serve para ressaltar como o mundo selvagem ainda evoca emoções
poderosas, mesmo, ou sobretudo, na mais urbana das metrópoles.
Alcyr N. da Silva
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ilva
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| O cocar de Miele, com body de
couro vermelho, e o look totalmente animal do revolucionário
Gernreich, na década de 60: mundo selvagem |
Dividida por temas peles, felinos, plumas
e couro , a exposição tem entre os 100 trajes
exibidos algumas preciosidades históricas, como o casaco
de plumas de cisne criado em 1957 para Marlene Dietrich. Do manto
da diva salta-se para o irreverente vestido em forma de cisne desenhado
por Marjan Djodjov e envergado pela cantora Björk na cerimônia
do Oscar em 2001. Os brasileiros Alexandre Herchcovitch, com poderosas
peças de látex, e Carlos Miele também estão
presentes. "Escolhi as roupas que melhor representam o tema, que
têm ligação socioeconômica com a vida
urbana e, claro, que traduzem um design interessante", disse a VEJA
o britânico Andrew Bolton, curador da exposição.
"Herchcovitch, um artista de vanguarda, utilizou a borracha para
criar vestidos negros que colocam a mulher em uma posição
de femme fatale, dominadora. Já Miele usou penas de uma forma
delicada, abordando a sexualidade feminina de outra forma."
A seção dedicada às plumas,
como o enorme cocar de Miele, é a maior e mais vistosa da
exposição. A ala dos felinos traz desde peles em sua
encarnação bem próxima dos animais de que são
tiradas até vestidos do italiano Roberto Cavalli, o papa
do gênero e um dos patrocinadores da mostra. Nessa ala também
se encontra a maravilhosa foto da atriz Ava Gardner em 1952, de
maiô de oncinha, posando em um cenário de oncinha,
bem próxima a um conjunto de 1964, de Yves Saint Laurent,
de cetim estampado de oncinha. Na ala dos couros, aparecem referências
ao "look total", criado no século XVIII para os homens e
reeditado para as mulheres nos anos 60 pelo revolucionário
Rudi Gernreich, com estampas de dálmatas, vacas, girafas
e zebras. Os casacos e acessórios de pele vêm em seguida,
passando pelas estolas, que entraram para a história da moda
no fim do século XVI, e depois pelos regalos, os protetores
de mão obrigatórios para senhoras elegantes nos dois
séculos seguintes. Precavendo-se contra inevitáveis
protestos, a exposição abre espaço para peles
sintéticas e para as campanhas de proteção
dos animais das organizações Peta e Lynx. Muito meritórias,
mas deslocadas diante da celebração ao sacrifício
de animais em nome da vaidade, como no fenomenal casaco longo, todo
em pele de raposa branca, que o ex-rapper e hoje empresário
Sean "P. Diddy" Combs emprestou à exposição.
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