Edição 1884 . 15 de dezembro de 2004

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Brasil
Baixa voltagem

Leilão vende energia barata porque
existe excesso de oferta no mercado

Passou no teste, com alguns arranhões, o leilão de energia elétrica baseado no modelo elaborado pela ministra Dilma Rousseff. Por um preço abaixo do esperado pelo setor privado, empresas geradoras venderam 17.008 megawatts médios de energia para as distribuidoras, o suficiente para abastecer a região metropolitana de São Paulo por mais de quatro anos. A energia contratada para o ano que vem saiu por 57 reais o megawatt/hora. O mercado esperava um valor entre 60 e 70 reais. Para os consumidores, isso deve refletir-se em redução da conta de luz. Mas as geradoras acham que o preço caiu demais e culpam o novo modelo, que as obrigou a vender energia de uma só vez. Segundo elas, o valor baixo desestimula novos investimentos. Já as distribuidoras acreditam que, se quiser baixar tarifas, o governo deve reduzir os tributos, que respondem por 51% das contas. A ministra Dilma diz que o preço do leilão é conseqüência do excesso de capacidade das geradoras. Ela está correta, mas é inegável que o modelo pressionou o preço ainda mais para baixo. Outro leilão, previsto para o primeiro semestre de 2005, vai vender energia nova. Ou seja, refletirá investimentos novos. Nesse caso, é melhor que os preços atraiam os investidores.

 

 
 
 
 
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