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Brasil Aposta
no novo No Nordeste, prefeitos são mais jovens
que a média e não pertencem a siglas tradicionais
Eduardo
Maia/AE
 | | Carlos
Eduardo, do PSB, reeleito em Natal: quatro prefeitos obtiveram um segundo mandato
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As capitais dos estados nordestinos,
com a posse de seus novos prefeitos, poderão inaugurar uma etapa de renovação
política raramente vista na região. Dos nove eleitos, sete têm
menos de 50 anos de idade. A média etária é 46, a mais baixa
de todas as cinco regiões brasileiras. Aos 36 anos, a petista Luizianne
Lins, de Fortaleza, é a prefeita de capital mais jovem do país.
Mas, além da mudança geracional, há uma novidade política:
nenhum dos eleitos ou reeleitos é filiado aos partidos mais tradicionais
do Nordeste, como o PFL ou o PMDB. Entre os nove prefeitos, três são
petistas, outros três são filiados ao PDT, dois são do PSB
e um é tucano. "O Nordeste passa por uma renovação política
que é fruto do ocaso dos partidos tradicionais e do desgaste da prática
clientelista e autoritária", analisa o cientista político Michel
Zaidan, professor da Universidade Federal de Pernambuco. "Considero que é
uma tendência irreversível, pois não se trata somente de uma
mudança de geração, mas também de prática política.
No passado, tivemos políticos jovens com práticas velhas", acrescenta
Zaidan.
O exemplo mais notório é
o de Fernando Collor de Mello, o jovem que, aos 29 anos, comandou a prefeitura
de Maceió, mas chegou lá a bordo do autoritário método
da nomeação pelo presidente da República, o general João
Baptista Figueiredo. Aos 37 anos, candidatando-se pelo PMDB, Collor elegeu-se
governador de Alagoas, mas sua prática política, incluindo os acordos
com usineiros feitos por baixo do pano, não tinha nada de renovadora.
Mesmo o Ceará, que começou a sepultar o coronelismo local nos anos
80 com o primeiro triunfo eleitoral de Tasso Jereissati, se transformou num reduto
hegemônico de seus próprios renovadores. De início, virou
reduto do próprio tucano Tasso Jereissati e, pouco depois, também
do hoje ex-tucano Ciro Gomes, que, à semelhança de Collor, também
era jovem, também era nordestino por adoção e também
começara sua carreira política em partidos da velha-guarda. Embora
não haja nenhuma similaridade do ponto de vista ético entre Collor
e os cearenses, em ambos os casos a renovação política que
uma geração mais jovem poderia ter promovido acabou não se
materializando.
Jarbas
Oliveira
 | | Luizianne
Lins, do PT, eleita em Fortaleza: a mais jovem prefeita de capital do país |
Agora,
além da renovação e da decadência das oligarquias,
os eleitores das capitais nordestinas orientaram seus votos por razões
da política local, desprezando a polarização entre PT e PSDB
que ocorreu em outros pontos do país, como São Paulo, e valorizaram
aqueles que foram considerados bons administradores. Entre os nove prefeitos das
capitais nordestinas, quatro foram reeleitos: Marcelo Déda em Aracaju,
João Paulo no Recife, Carlos Eduardo em Natal e Tadeu Palácio em
São Luís, o mais velho da turma com seus 57 anos. No interior dos
estados nordestinos, porém, a realidade se mantém praticamente intocada.
Na Bahia, por exemplo, o mesmo PFL de Antonio Carlos Magalhães que não
conseguiu emplacar o prefeito de Salvador, cargo para o qual foi eleito o pedetista
João Henrique, acabou ganhando as eleições em mais de 80%
das prefeituras. Um dos fatores que explicam a persistência da velha política
no interior está nos meios de comunicação. Diz Zaidan: "As
principais emissoras de televisão e rádio do interior do Nordeste
são ligadas aos principais grupos políticos e são a única
fonte de informação da maioria das cidades. É difícil
pensar em mudança nesse cenário".
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