Edição 1884 . 15 de dezembro de 2004

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Sucessão
Muito perto do alvo

Pode ser apenas coincidência, mas as
pesquisas eleitorais, mesmo feitas dois
anos antes do pleito, acertaram quem
seria o presidente eleito


Otávio Cabral

EXCLUSIVO ON-LINE
Notícias diárias sobre o governo Lula

Luiz Inácio Lula da Silva é o favorito para vencer a disputa presidencial de 2006. Na semana passada, uma pesquisa realizada pelo Ibope mostrou que Lula lidera as intenções de voto com porcentuais que variam de 42% a 49%, dependendo do elenco de adversários. É possível, no entanto, que a melhor notícia para o presidente seja outra. Embora sem nenhuma base científica que lhes dê sustentação, as pesquisas eleitorais feitas a dois anos de eleições brasileiras anteriores acertaram na mosca. Em 1996, faltando dois anos para o pleito presidencial, as pesquisas de opinião pública informavam que o então presidente Fernando Henrique Cardoso estava na liderança – e, dois anos mais tarde, FHC foi reeleito. Em 2000, a dois anos da última eleição presidencial, as pesquisas apontavam Lula como o preferido. Não deu outra. "Com o advento da reeleição, o cenário político ficou menos sujeito a surpresas, o que torna as pesquisas antecipadas um pouco mais significativas", afirma o cientista político Ricardo Guedes, do instituto Sensus. "Com a reeleição, se um presidente não for muito mal no primeiro mandato, só se pode falar em sucessão a cada oito anos", diz Carlos Augusto Montenegro, do Ibope.

Além da reeleição, a estabilidade também resultou da normalidade política e econômica, cenários ausentes nas disputas de 1989 e 1994. Na disputa de 1989, o eleitorado brasileiro estava encerrando o longo jejum eleitoral da ditadura militar e foi apresentado ao marketing agressivo da candidatura de Fernando Collor. Até então sob a mordaça da "Lei Falcão", o país só conhecia seus candidatos por fotografias inanimadas exibidas na televisão. Em 1994, a novidade retumbante foi o bem-sucedido Plano Real de Fernando Henrique Cardoso, que encerrou a cruel era da inflação galopante e, logo depois de seu lançamento, tornou-se um fator capaz de desequilibrar qualquer disputa eleitoral. "O país está amadurecendo a cada eleição, a democracia está se fortalecendo. Fenômenos como os ocorridos em 1989 e em 1994 tendem a se tornar cada vez mais raros", aposta Montenegro, do Ibope.

Com a pesquisa do Ibope, e os levantamentos que os institutos Sensus e Datafolha pretendem lançar nos próximos dias, a corrida sucessória de 2006 começa a dar o ar de sua graça no calendário político com uma notável antecedência. Não se trata de uma criação brasileira, mas aqui o fenômeno é exacerbado. Na disputa presidencial nos Estados Unidos, as primeiras sondagens sobre o republicano George W. Bush e o democrata John Kerry só começaram a ser divulgadas um ano antes da eleição. Na França e na Inglaterra, as pesquisas também costumam começar com apenas um ano de antecedência. O que explica a tamanha antecipação brasileira são a fragilidade dos partidos políticos e a relevância atribuída pelo eleitor à figura pessoal do candidato. Nos EUA, estima-se que cerca de 10% do eleitorado decida o voto às vésperas da eleição. A imensa maioria de um lado e de outro já sabe em quem votar e nada a faz mudar de opinião. Sendo assim, pesquisa com muita antecedência não traz notícias consistentes. "Havendo interesse jornalístico, uma pesquisa vai ser feita e divulgada, independentemente do tempo que falta para a votação", diz Mauro Paulino, do Datafolha.

O Palácio do Planalto e o PT ficaram animados com a pesquisa do Ibope, mas o PMDB, esse parceiro tão volúvel e tão voraz, estragou a festa na semana passada. A cúpula do partido resolveu renunciar aos cargos que a legenda ocupa na Esplanada dos Ministérios e convocar uma convenção nacional neste fim de semana, na qual pretende oficializar o rompimento com o governo. Nada que não possa ser contornado pelo Palácio do Planalto, pois há muito tempo o PMDB deixou de ser um partido político para transformar-se numa confraria de interesses regionais. No mesmo dia da revolta da cúpula, os líderes do PMDB na Câmara e no Senado já lançaram nota anunciando o boicote à convenção e reafirmando apoio ao governo petista. A rebeldia da cúpula do PMDB pode não representar obstáculo sério ao governo, mas o precioso tempo de televisão de que o partido dispõe no horário eleitoral gratuito vale tanto quanto ouro em pó para a campanha reeleitoral de Lula.

Na liderança

A dois anos da eleição presidencial, Lula lidera as pesquisas com folga seja qual for o candidato do PSDB




 
 
 
 
topovoltar