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Sucessão
Muito perto do alvo
Pode ser apenas coincidência, mas as
pesquisas eleitorais, mesmo feitas dois
anos antes do pleito, acertaram quem
seria o presidente eleito

Otávio Cabral
Luiz Inácio Lula da Silva é o
favorito para vencer a disputa presidencial de 2006. Na semana passada,
uma pesquisa realizada pelo Ibope mostrou que Lula lidera as intenções
de voto com porcentuais que variam de 42% a 49%, dependendo do elenco
de adversários. É possível, no entanto, que
a melhor notícia para o presidente seja outra. Embora sem
nenhuma base científica que lhes dê sustentação,
as pesquisas eleitorais feitas a dois anos de eleições
brasileiras anteriores acertaram na mosca. Em 1996, faltando dois
anos para o pleito presidencial, as pesquisas de opinião
pública informavam que o então presidente Fernando
Henrique Cardoso estava na liderança e, dois anos
mais tarde, FHC foi reeleito. Em 2000, a dois anos da última
eleição presidencial, as pesquisas apontavam Lula
como o preferido. Não deu outra. "Com o advento da reeleição,
o cenário político ficou menos sujeito a surpresas,
o que torna as pesquisas antecipadas um pouco mais significativas",
afirma o cientista político Ricardo Guedes, do instituto
Sensus. "Com a reeleição, se um presidente não
for muito mal no primeiro mandato, só se pode falar em sucessão
a cada oito anos", diz Carlos Augusto Montenegro, do Ibope.
Além da reeleição, a
estabilidade também resultou da normalidade política
e econômica, cenários ausentes nas disputas de 1989
e 1994. Na disputa de 1989, o eleitorado brasileiro estava encerrando
o longo jejum eleitoral da ditadura militar e foi apresentado ao
marketing agressivo da candidatura de Fernando Collor. Até
então sob a mordaça da "Lei Falcão", o país
só conhecia seus candidatos por fotografias inanimadas exibidas
na televisão. Em 1994, a novidade retumbante foi o bem-sucedido
Plano Real de Fernando Henrique Cardoso, que encerrou a cruel era
da inflação galopante e, logo depois de seu lançamento,
tornou-se um fator capaz de desequilibrar qualquer disputa eleitoral.
"O país está amadurecendo a cada eleição,
a democracia está se fortalecendo. Fenômenos como os
ocorridos em 1989 e em 1994 tendem a se tornar cada vez mais raros",
aposta Montenegro, do Ibope.
Com a pesquisa do Ibope, e os levantamentos
que os institutos Sensus e Datafolha pretendem lançar nos
próximos dias, a corrida sucessória de 2006 começa
a dar o ar de sua graça no calendário político
com uma notável antecedência. Não se trata de
uma criação brasileira, mas aqui o fenômeno
é exacerbado. Na disputa presidencial nos Estados Unidos,
as primeiras sondagens sobre o republicano George W. Bush e o democrata
John Kerry só começaram a ser divulgadas um ano antes
da eleição. Na França e na Inglaterra, as pesquisas
também costumam começar com apenas um ano de antecedência.
O que explica a tamanha antecipação brasileira são
a fragilidade dos partidos políticos e a relevância
atribuída pelo eleitor à figura pessoal do candidato.
Nos EUA, estima-se que cerca de 10% do eleitorado decida o voto
às vésperas da eleição. A imensa maioria
de um lado e de outro já sabe em quem votar e nada a faz
mudar de opinião. Sendo assim, pesquisa com muita antecedência
não traz notícias consistentes. "Havendo interesse
jornalístico, uma pesquisa vai ser feita e divulgada, independentemente
do tempo que falta para a votação", diz Mauro Paulino,
do Datafolha.
O Palácio do Planalto e o PT ficaram
animados com a pesquisa do Ibope, mas o PMDB, esse parceiro tão
volúvel e tão voraz, estragou a festa na semana passada.
A cúpula do partido resolveu renunciar aos cargos que a legenda
ocupa na Esplanada dos Ministérios e convocar uma convenção
nacional neste fim de semana, na qual pretende oficializar o rompimento
com o governo. Nada que não possa ser contornado pelo Palácio
do Planalto, pois há muito tempo o PMDB deixou de ser um
partido político para transformar-se numa confraria de interesses
regionais. No mesmo dia da revolta da cúpula, os líderes
do PMDB na Câmara e no Senado já lançaram nota
anunciando o boicote à convenção e reafirmando
apoio ao governo petista. A rebeldia da cúpula do PMDB pode
não representar obstáculo sério ao governo,
mas o precioso tempo de televisão de que o partido dispõe
no horário eleitoral gratuito vale tanto quanto ouro em pó
para a campanha reeleitoral de Lula.
Na
liderança
A dois anos da eleição
presidencial, Lula lidera as pesquisas com folga
seja qual for o candidato do PSDB


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