DISCOS
Greatest
Hits, Lenny Kravitz (Virgin)
Um dos maiores talentos surgidos na música pop americana
da década passada, Lenny Kravitz soube garimpar com maestria
as melhores sonoridades produzidas nos anos 60 seu visual
estilo "hippie de boutique", aliás, nada tem de casual.
Nos cinco discos que lançou até hoje, Kravitz encarnou
diversos personagens daquela época. A canção
Believe,
por exemplo, lembra os hinos pacifistas de John Lennon. A balada
It Ain't Over 'Til It's Over
é digna de pertencer aos melhores trabalhos de James Brown.
E o rock psicodélico Are
You Gonna Go My Way parece saído
de um disco perdido de Jimi Hendrix. Essa coletânea comprova,
no entanto, que Kravitz tem luz própria e também
faz bonito na hora de flertar com ritmos mais modernos, como tecno
e rap.
Rosa
Passos Canta Caymmi, Rosa Passos
(Lumiar Discos) Em vinte anos de carreira, a cantora baiana
Rosa Passos se notabilizou por traduzir pérolas da MPB
para o paladar de platéias mais jovens. Entre seus trabalhos
estão discos dedicados à obra de Ary Barroso e aos
bossa-novistas. Agora, chegou a vez de Rosa reler as melodias
dolentes de Dorival Caymmi. Não é uma tarefa fácil,
já que o trabalho do compositor foi cantado por gente do
quilate de Gal Costa, Gilberto Gil e Os Novos Baianos. Mas os
resultados são acima da média, principalmente pela
delicadeza da cantora. Ao contrário de Caymmi, adepto do
vocal "estoura-peito", Rosa praticamente sussurra as letras das
canções. A artimanha funciona à perfeição
em baladas como Só Louco
e Marina.
VÍDEO
Beautiful
People (Inglaterra, 1999. Cult)
Um sérvio e um croata, ex-vizinhos de vilarejo,
se esbarram no ônibus e partem para a guerra lá mesmo,
nas ruas de Londres. Assim o diretor bósnio Jasmin Dizdar
inicia Beautiful People,
em que vários refugiados da ex-Iugoslávia mudam
sua vida e a das pessoas que encontram na Inglaterra
de 1993, enquanto o conflito ruge nos Bálcãs. Dizdar
não consegue escapar de alguns clichês, mas tem um
dom raro: sabe justapor tragédias das mais comoventes à
comédia desbragada. O saldo é um filme originalíssimo.
TELEVISÃO
Tony Tomsic
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| Johanson:
a evolução em foco |
Em Busca das Origens Humanas
(quarta-feira, à 0h, no National Geographic) Uma
série que discute a evolução da espécie
humana tem tudo para ser um programinha soporífero, certo?
Não neste caso. Em se tratando de uma superprodução
da National Geographic,
o visual encanta. A narrativa, com reconstituições
da vida dos primeiros hominídeos, é dinâmica.
De quebra, quem guia o espectador é uma autoridade insuspeita:
o paleontólogo americano Don Johanson, descobridor de Lucy,
o mais célebre fóssil de antepassados do homem.
A façanha é contada no primeiro dos três episódios
da série, que irá ao ar às quartas.
LIVROS
Mao
Tsé-Tung, de Jonathan
Spence, e Joana d'Arc,
de Mary Gordon (tradução de Marcos Santarrita; Objetiva;
228 e 194 páginas; 19 reais) A série Breves
Biografias, à qual pertencem
esses dois lançamentos, faz um sucesso tremendo nos Estados
Unidos. Motivo: seus perfis de celebridades históricas
têm preços atraentes e levam sempre a assinatura
de um especialista de peso. Para escrever sobre o ditador comunista
Mao Tsé-Tung, por exemplo, chamou-se o historiador inglês
Jonathan Spence, uma sumidade em assuntos da China. No livro,
ele reafirma o caráter cruel do tirano, mas revela também
aspectos menos conhecidos da sua juventude como os poemas
apaixonados que Mao escreveu à primeira mulher e até
os lucros obtidos quando foi dono de uma livraria. Já a
biografia de Joana d'Arc, da americana Mary Gordon, não
se detém só no relato da vida da francesa que morreu
queimada em 1431, aos 19 anos, e virou mártir. A autora
busca desfazer a mistificação criada em torno da
personagem.
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Os
mais vendidos Crítica
A
série humorística que o americano Jerry Seinfeld
protagonizou na televisão tinha uma peculiaridade:
zero de enredo. Na verdade, Seinfeld
não era mais que uma conversa fiada entre nova-iorquinos
quarentões. Por isso, ficou conhecida como uma "série
sobre nada". Não é à toa que o recém-lançado
livro com as piadas de Seinfeld foi batizado aqui como O
Melhor Livro sobre Nada (Frente
Editora; 158 páginas; 19 reais). Publicado nos Estados
Unidos em 1993, época em que o seriado estava no
auge, o livro também não tem um propósito
específico. Trata-se de uma compilação
de microtextos com observações sobre o dia-a-dia
de um judeu nova-iorquino de classe média alta. Banheiro
de avião, academia de ginástica, alarmes de
carros, conta de restaurante chique, nada escapa ao crivo
do comediante.
Sony
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| Seinfeld
(o quarto da esq. para a dir.): não é um Woody
Allen, mas é bom |
O humor de Seinfeld, porém, está a léguas
de distância do refinamento de um Woody Allen, outro
que faz troça do cotidiano de Nova York. Enquanto
Allen se ocupa de Deus, da morte e da secretária
eletrônica, Seinfeld fica só com a secretária
eletrônica. Se não fosse assim, é pouco
provável que ele tivesse protagonizado o seriado
favorito dos americanos durante quase dez anos (e levado
225 milhões de dólares pela brincadeira).
Mas ele sabe disso, e essa despretensão o redime.
"Reparei que uma livraria é um laxante maravilhoso.
Não sei por quê. Não sei se é
o silêncio ou todo o material disponível para
leitura, mas basta entrar ali e acontece uma coisa", diz
o comediante numa das primeiras piadas do livro. A próxima
vez que você for a uma livraria e "algo acontecer"
(o que, aliás, seria um fraseado melhor para a piada),
não hesite leve o livro de Seinfeld com você.
Flávio
Moura
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