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Os Estados modernos, admite-se, precisam de serviços de inteligência, mesmo que eles possam se transformar em fontes de problemas, como muitas vezes acontece. O simples fato de trabalharem na surdina, com acesso aos desvãos do poder e à intimidade das pessoas, já os torna potencialmente perigosos. Tanto nos regimes de arbítrio quanto nas democracias, os espiões costumam ser refratários a controles. Enquanto buscam decifrar os segredos alheios, suas próprias ações são protegidas pelo sigilo. Daí ao abuso é um pulo. Se é difícil estabelecer limites para a ação dos espiões oficiais, isso não significa que não se deva tentar fiscalizar vez por outra o que eles andam fazendo. Este é o tema da reportagem que começa na página 38. Nela, se mostra como funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), extrapolando as funções que seriam aceitáveis no seu caso, andam espionando políticos, funcionários do próprio governo e até um jornalista, entre as histórias levantadas pelo editor especial Policarpo Júnior, da sucursal de VEJA em Brasília, numa exaustiva investigação que durou oito semanas e envolveu mais de trinta horas de conversas com integrantes do serviço de inteligência do governo.
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