Edição 1824 . 15 de outubro de 2003

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Televisão
Vai um boi aí?

De gado a máquinas de waffles, os
programas de vendas oferecem de
tudo. Até uma musa eles têm


Ricardo Valladares


Oscar Cabral
Viviane: receitas queimadas e cachê de 15 000 reais

Há tempos os programas de vendas vêm ganhando espaço nas emissoras. A novidade é que a clientela já se tornou tão fiel que elegeu até uma musa: a paulistana com forte sotaque carioca (ela foi criada no Rio de Janeiro) Viviane Romanelli, de 41 anos, contratada do canal Shoptime. Viviane apresenta receitas ao vivo – um mero pretexto para utilizar os produtos que vende no programa TV UD – e é uma recordista, com marcas como a venda de 500 máquinas de waffles em 90 minutos. O mais impressionante: 49% do seu público é composto de homens. "Ela é muito persuasiva, e fisga o telespectador mesmo quando fala sem olhar para a câmera", diz Marlene Mattos, diretora da Rede Globo e empresária da vendedora. Quando faz palestras ou se apresenta em feiras de utilidades domésticas, Viviane ganha cachê de celebridade: de 12.000 a 15.000 reais por três horas de trabalho. O segredo de sua popularidade, acredita ela, é o jeito íntimo com que trata o espectador. "É como se ele estivesse ali na cozinha comigo", diz Viviane, que jura testar os produtos antes de mascateá-los no ar e faz o gênero estabanada (ela é especialista em queimar receitas ao vivo). "Esse é o charme do programa", diz Carlito Camargo, o diretor do Shoptime, que faturou 140 milhões de reais no ano passado.


Reprodução de tv
O Canal do Boi: aqui, basta um animal limpo e gordo

Nem todas as lojas eletrônicas precisam de balconistas tão glamorosas quanto a do TV UD. No Canal do Boi, por exemplo, basta mostrar um animal limpo e gordo. Com sede em Campo Grande e oitenta funcionários, o canal existe há sete anos (nos últimos quatro, tem ido ao ar 24 horas por dia) e é recebido pela DirecTV ou por parabólica. A programação é simples: exibem-se leilões de gado, reportagens sobre pecuária ou eventos especiais com criadores de gado. O canal conta com cerca de 60.000 criadores cadastrados para participar dos leilões. Eles fazem seus lances com base em imagens dos animais e algumas especificações estampadas na tela – a procedência do boi, sua circunferência escrotal e seu peso. Os valores ficam entre 4.000 e 250.000 reais, e o orgulho do dono do Canal do Boi, José Cláudio Godoy, é o índice de inadimplência entre seus inscritos: 0%, segundo ele.

Curioso também é o 1.001 Noites, programa exibido madrugada adentro pela CNT e que realiza leilões de tapetes, jóias e quadros. Em Curitiba, onde é gerado desde 1995, o programa ganhou o apelido de "serial killer", por causa da maneira como mostra suas jóias – com o foco fechado nas mãos, pescoço e orelhas de suas modelos, sem que se possa ver a quem pertencem. A medida é muito econômica: as modelos freqüentemente são as próprias funcionárias da produtora, ou "quem estiver passando pelo estúdio", brinca o dono do programa, Paulo César Caleffe.

 
 
 
 
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