Edição 1824 . 15 de outubro de 2003

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Televisão
Dupla dinâmica

Acerola e Laranjinha, os protagonistas da série
Cidade dos
Homens, crescem e aparecem


Marcelo Marthe

 
Divulgação

Darlan (à dir.), com Douglas: "ficando" com a filha de Regina Casé

Assim como Cidade de Deus representou um sopro de renovação providencial para o cinema brasileiro, a série Cidade dos Homens – seu filhote legítimo – trouxe novos ares à televisão. Exibido pela primeira vez há um ano, na Rede Globo, o programa fez sucesso com a mesma receita consagrada pelo filme do diretor Fernando Meirelles: mostrando a vida nos morros cariocas como ela é, com uma narrativa pulsante e sem pasteurização. Primeira grande parceria da emissora carioca com uma produtora independente – a O2, do próprio Meirelles –, Cidade dos Homens alcançou na época a média de 30 pontos de audiência, marca altamente satisfatória para a faixa das 11 horas da noite. A série volta ao ar a partir desta terça-feira, e tem tudo para repetir o ótimo desempenho. Seus protagonistas continuam a ser os garotos Acerola (Douglas Silva, que interpretava Dadinho em Cidade de Deus) e Laranjinha (Darlan Cunha, que vivia o personagem Filé com Fritas). A diferença é que eles aparecem mais crescidos: agora são adolescentes, e como tal estão em intensa ebulição hormonal. A guerra social ainda é o elemento forte da trama, mas temas mais leves, como a descoberta do amor e do sexo, ganham destaque nos cinco novos episódios.

Oscar Cabral
Meirelles: do baile funk ao Palácio do Planalto


Cidade dos Homens
se diferencia das fórmulas da teledramaturgia nacional graças à sua narrativa arrojada. Essa característica é reforçada na nova temporada. O primeiro episódio, dirigido por Meirelles, é uma comédia que fala sobre as investidas amorosas dos personagens. Enquanto Acerola é um poço de insegurança, Laranjinha revela-se um dom-juan que não se contenta em ficar com menos de quatro garotas numa única noitada. A ação se passa num baile funk e a edição usa e abusa do recurso de dividir a tela em várias janelas, exibindo cenas paralelas. O segundo episódio, que tem direção de Cesar Charlone, responsável pela fotografia de Cidade de Deus, é um drama. Acerola e Laranjinha vão a Brasília com a intenção de entregar ao presidente Lula uma carta de um presidiário que, apesar do término de sua pena, continua detido. A ida desse presidiário do Nordeste para São Paulo, na década de 50, dá mote a um flashback em preto-e-branco de encher os olhos. O terceiro e o quarto programas focalizam a tensão entre os moradores das favelas e a classe média carioca, tendo como cenário a praia. E o último deles conta a história de um primo de Laranjinha que tenta deixar o tráfico.

A atuação dos garotos Douglas e Darlan chama a atenção: eles estão ainda mais afiados que na temporada anterior. Dos atores amadores que formaram o elenco de Cidade de Deus, são até agora os que se deram melhor. "A Globo demonstrou interesse em contratá-los", diz Meirelles. Douglas, de 14 anos, trocou a favela por um apartamento de classe média, onde mora com a família. Darlan, de 15, continua na mesma casa, na região central do Rio de Janeiro, mas seu círculo social ampliou-se bastante. Atualmente, ele namora Benedita, filha da atriz Regina Casé – que dirige um dos episódios de Cidade dos Homens. "É, estamos ficando", diz Darlan, no melhor estilo Laranjinha.

 
 
 
 
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