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Televisão
Dupla
dinâmica
Acerola e Laranjinha, os
protagonistas da série
Cidade dos Homens,
crescem e aparecem

Marcelo
Marthe
Divulgação
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Darlan
(à dir.), com Douglas: "ficando" com a filha
de Regina Casé
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Assim
como Cidade de Deus representou um sopro de renovação
providencial para o cinema brasileiro, a série Cidade
dos Homens seu filhote legítimo trouxe
novos ares à televisão. Exibido pela primeira vez
há um ano, na Rede Globo, o programa fez sucesso com a mesma
receita consagrada pelo filme do diretor Fernando Meirelles: mostrando
a vida nos morros cariocas como ela é, com uma narrativa
pulsante e sem pasteurização. Primeira grande parceria
da emissora carioca com uma produtora independente a O2,
do próprio Meirelles , Cidade dos Homens alcançou
na época a média de 30 pontos de audiência,
marca altamente satisfatória para a faixa das 11 horas da
noite. A série volta ao ar a partir desta terça-feira,
e tem tudo para repetir o ótimo desempenho. Seus protagonistas
continuam a ser os garotos Acerola (Douglas Silva, que interpretava
Dadinho em Cidade de Deus) e Laranjinha (Darlan Cunha, que
vivia o personagem Filé com Fritas). A diferença é
que eles aparecem mais crescidos: agora são adolescentes,
e como tal estão em intensa ebulição hormonal.
A guerra social ainda é o elemento forte da trama, mas temas
mais leves, como a descoberta do amor e do sexo, ganham destaque
nos cinco novos episódios.
Oscar Cabral
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| Meirelles:
do baile funk ao Palácio do Planalto |
Cidade dos Homens se diferencia das fórmulas da teledramaturgia
nacional graças à sua narrativa arrojada. Essa característica
é reforçada na nova temporada. O primeiro episódio,
dirigido por Meirelles, é uma comédia que fala sobre
as investidas amorosas dos personagens. Enquanto Acerola é
um poço de insegurança, Laranjinha revela-se um dom-juan
que não se contenta em ficar com menos de quatro garotas
numa única noitada. A ação se passa num baile
funk e a edição usa e abusa do recurso de dividir
a tela em várias janelas, exibindo cenas paralelas. O segundo
episódio, que tem direção de Cesar Charlone,
responsável pela fotografia de Cidade de Deus, é
um drama. Acerola e Laranjinha vão a Brasília com
a intenção de entregar ao presidente Lula uma carta
de um presidiário que, apesar do término de sua pena,
continua detido. A ida desse presidiário do Nordeste para
São Paulo, na década de 50, dá mote a um flashback
em preto-e-branco de encher os olhos. O terceiro e o quarto programas
focalizam a tensão entre os moradores das favelas e a classe
média carioca, tendo como cenário a praia. E o último
deles conta a história de um primo de Laranjinha que tenta
deixar o tráfico.
A atuação dos garotos Douglas e Darlan chama a atenção:
eles estão ainda mais afiados que na temporada anterior.
Dos atores amadores que formaram o elenco de Cidade de Deus,
são até agora os que se deram melhor. "A Globo demonstrou
interesse em contratá-los", diz Meirelles. Douglas, de 14
anos, trocou a favela por um apartamento de classe média,
onde mora com a família. Darlan, de 15, continua na mesma
casa, na região central do Rio de Janeiro, mas seu círculo
social ampliou-se bastante. Atualmente, ele namora Benedita, filha
da atriz Regina Casé que dirige um dos episódios
de Cidade dos Homens. "É, estamos ficando", diz Darlan,
no melhor estilo Laranjinha.
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