Edição 1823 . 8 de outubro de 2003

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Sociedade
Chama o personal

Os personal trainers deram filhotes: agora
tem personal-alguma-coisa para tudo


Bel Moherdaui

 
Claudio Rossi
André Valentim/Strana
O "personal make-up stylist" Costa com a cliente Marie e o "personal car" Souza: facilidade

Quando madames e senhores endinheirados começaram a contratar um instrutor para acompanhar peso a peso, em casa, a ginástica de cada dia, inventaram uma nova e promissora atividade, aberta a infinitas variantes: o personal-alguma-coisa. O personal trainer original foi seguido pelo personal stylist (que ensina a se vestir) e pela personal organizer (que no começo cuidava de pôr uma casa em ordem, mas hoje em dia ocupa um papel praticamente de mãe substituta do cliente). E a lista não pára de crescer – bem como a criatividade na hora de dar rótulo (em inglês, evidentemente) à atividade. O carioca Cid Nunes de Souza, por exemplo, é "personal car", escrito e apresentado assim mesmo. Ele explica: "Se o carro tem algum defeito, vou a três oficinas para fazer o orçamento e ainda acompanho o conserto no local escolhido pelo cliente". Troque o carro por um cachorro e a "pet sitter" paulista Maria Cecília Bentini está aí para o que der e vier. "Quando o dono viaja, passo na casa dele, dou comida ao seu bicho de estimação e o levo para passear. Com a vantagem de que o animal não precisa se acostumar com um lugar estranho", conta Maria Cecília, que cobra entre 30 e 40 reais a hora.

Acompanhantes de carro e de animais ainda são tipos de prestadores de serviços personalizados – será que é assim que se traduz? – em fase de afirmação. Já as personal organizers (mulheres, sempre, por motivos óbvios) têm até firma montada. A carioca Liza Kós, da Santa Ajuda, e a paulistana Márcia Babolin, da Organiza, fazem a mudança de casa (penduram as roupas nos armários e colocam todos os enfeites no devido lugar), arrumam malas, montam álbuns de fotos e contornam sufocos domésticos em geral. "Uma vez um cliente me ligou de madrugada dizendo que tinha estourado um cano. Resolvi o problema com um telefonema", gaba-se Liza. Outra consultoria em franca expansão é a do personal diet care, um nutricionista particular que monta o cardápio do dia-a-dia para quem tem algum problema de saúde, quer perder peso ou simplesmente não tem tempo nem paciência de planejar as refeições da família. Fácil não é, como bem sabem as donas-de-casa. "Tem casa em que o marido tem colesterol alto, a mulher quer emagrecer e o filho não come nada", descreve a mineira Ermelinda Lara, que monta a lista de compras do supermercado e ensina a cozinheira a preparar os pratos. No quesito estética, completa o trabalho do personal stylist o personal make-up stylist, um maquiador que, além de pintar o rosto da cliente, dá aula particular de automaquiagem – cerca de 1.200 reais por três horas, se o professor for o goiano radicado em São Paulo Marcos Costa, que também limpa e organiza a frasqueira das senhoras. "Quando é preciso, saio junto para comprar produtos novos e também soluciono dúvidas pelo telefone", explica ele, que ajudou a estilista Marie Toscano a se entender melhor com sua caixa de batons, sombras e afins. "Não tenho tempo de ir ao cabeleireiro toda vez que vou a uma festa, então resolvi aprender a me virar sozinha", diz ela. Em Belém, uma especialidade em alta é o personal dancer – ou dançarino de aluguel, como se promove Wemerson Santos, indo na contramão do idioma dominante. "Sempre sobra muita dama nas festas. Então, elas contratam um dançarino para acompanhá-las", explica ele, que também acompanha grupos e cobra entre 50 e 100 reais por quatro horas de rodopios no salão.

 
 
 
 
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