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Consumo
Garçom,
mais uma pílula
Empresa vende na internet
um comprimido que promete
acabar com a ressaca

Adriana
Negreiros
Montagem sobre foto Photodisc
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Entre
outras pesquisas que consumiram tempo e recursos, os cientistas
soviéticos tentaram, nos anos da Cortina de Ferro, desenvolver
uma pílula que permitisse aos espiões da KGB tomar
tanto álcool quanto desejassem sem se embebedar. A idéia
era permitir a confraternização em torno da garrafa
até que o interlocutor, sob o efeito da bebida, revelasse
segredos que o agente não esqueceria nas horas seguintes.
A RU-21, a pílula que resultou dessas pesquisas, foi um fracasso.
Os arapongas russos saíam das noitadas tão bêbados
quanto antes, e o projeto foi abandonado. Mas não para sempre.
Embora não evitasse o pifão, o produto, de acordo
com os pesquisadores, mostrou-se eficaz no combate aos efeitos posteriores
do álcool, como a dor de cabeça, a vertigem, o enjôo
e os outros sintomas que denunciam, na manhã seguinte, os
exageros de uma noitada. Como outros segredos comunistas, esse também
tornou-se público depois da dissolução da União
Soviética. Em 1999, a Academia de Ciência da Rússia,
responsável por esses estudos, revelou a fórmula de
sua descoberta.
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| Caixa
com vinte unidades da RU-21: dois comprimidos depois de cada
par de drinques |
Agora,
a RU-21 está à venda na internet, e faz sucesso principalmente
em Hollywood, entre artistas que precisam apresentar-se inteiros
nos sets de filmagem depois de alguns exageros em festas e coquetéis.
"Uso para proteger meu fígado e minha pele", diz a modelo
americana Beverly Peele, uma entusiasta do novo produto. De acordo
com a empresa que comercializa a pílula, a Spirit Sciences,
o suplemento age também contra os malefícios do álcool
no organismo. "As ressacas custam à economia dos Estados
Unidos mais de 158 bilhões de dólares por ano em faltas
ao trabalho e baixo rendimento", afirma Emil Chiaberi, diretor da
companhia, que garante não ter gasto um centavo em publicidade.
"Um produto como esse não precisa disso." Uma cartela com
vinte pílulas custa 5 dólares e a posologia consiste
em tomar dois comprimidos a cada dois drinques.
A RU-21 é vendida como um suplemento dietético e por
isso não precisa de aprovação da Food and Drug
Administration, o órgão americano responsável
pela inspeção de alimentos e medicamentos. Quando
uma pessoa ingere bebida alcoólica, seu fígado transforma
as moléculas de etanol em uma substância tóxica
chamada acetaldeído. É essa substância que causa
os efeitos desagradáveis posteriores. A pílula, dizem
seus defensores, acelera o metabolismo do álcool e transforma
o acetaldeído em ácido acético, uma substância
menos agressiva que não provoca ressaca. Médicos e
associações de combate ao alcoolismo não gostam
da novidade, vista como um novo estímulo à bebedeira.
Uma das principais críticas é sobre a ausência
de testes confiáveis que analisem os efeitos de longo prazo
da ingestão dessa pílula. Considerando que o próprio
álcool já causa danos irreversíveis por efeito
cumulativo, a ponderação faz sentido.
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