Edição 1824 . 15 de outubro de 2003

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Economia e Negócios
O retrato do Brasil que avança

Estudo do IBGE mostra que investimento na
área social mudou os indicadores do país


Outros dados da pesquisa

Um país que caminha para a universalização de serviços como água e energia elétrica e mantém as crianças por mais tempo na escola, mas enfrenta a queda nos rendimentos de quem trabalha e vê acelerar-se o envelhecimento de sua população. É esse Brasil que emerge da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), um levantamento anual feito pelo IBGE. Na sexta-feira passada, o instituto divulgou os resultados do estudo realizado em 2002. A coleção de estatísticas permite, entre outras interpretações, uma análise da era FHC, já que 2002 marca o fim dos oito anos de governo do ex-presidente. Nesse período, o Brasil conseguiu debelar a inflação, criou padrões mais confiáveis de governabilidade – especialmente na condução da economia – e registrou avanços na área social. As disparidades regionais, porém, ainda permanecem como desafios a ser enfrentados. "Com a Pnad, é possível olhar o país em profundidade, saber onde se está melhorando, qual a velocidade da melhora e o que ainda precisa ser feito", explica o economista Marcelo Néri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas.

Uma das novidades da pesquisa, feita a partir de um levantamento em 130.000 domicílios, é a rapidez com que o país vem ganhando espaço na corrida tecnológica. O número de residências com computador conectado à internet ainda é muito baixo, mas cresceu 23,5% em relação ao ano anterior. O desempenho brasileiro não tem rival na América Latina, embora seja pífio se comparado ao dos países desenvolvidos. Outro dado importante é o aumento do porcentual de crianças que estão na escola, ao mesmo tempo que diminui o trabalho infantil. Esses números já refletem, em parte, os resultados dos programas de ação social colocados em prática nos últimos dois anos do governo Fernando Henrique Cardoso. Entre os domicílios pesquisados, 15,5% estavam inscritos em projetos desse tipo. Ainda há muito a ser feito, é claro. No Nordeste, por exemplo, o porcentual de analfabetos é de 21%, enquanto a média nacional é de 11% e no Sul o índice é de 6%.

Mas os avanços nos últimos dez anos são visíveis. Em 1992, menos de 20% das residências possuíam telefone. Hoje, quase 62% dos domicílios já têm pelo menos uma linha, e o celular vem ganhando terreno rapidamente. Atualmente, 9% das moradias fazem uso apenas da telefonia móvel. Esse fenômeno pode ser resumido num conceito – privatização. Foi a partir de 1998, com a desestatização das empresas do setor, que o acesso à telefonia começou a ser universalizado no país. A explosão de consumo após o Plano Real também fez aumentar o índice de bens duráveis como geladeira, máquina de lavar roupa, rádio e televisão. A partir de 1998, porém, as sucessivas crises na economia provocaram, como mostra a Pnad, uma sensível diminuição dos rendimentos dos trabalhadores. O desemprego também preocupa. São mazelas que ainda saltam aos olhos, mas como um todo o país melhorou nos últimos dez anos.

 
Fotos Claudio Rossi, Kiko Ferrite e Raul Junior

 

 

Fotos Claudio Rossi, Kiko Ferrite e Raul Junior

 

 

 
 
 
 
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