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Economia
e Negócios
O
retrato do Brasil que avança
Estudo do IBGE mostra que investimento
na
área social mudou os indicadores do país
Um
país que caminha para a universalização de
serviços como água e energia elétrica e mantém
as crianças por mais tempo na escola, mas enfrenta a queda
nos rendimentos de quem trabalha e vê acelerar-se o envelhecimento
de sua população. É esse Brasil que emerge
da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), um
levantamento anual feito pelo IBGE. Na sexta-feira passada, o instituto
divulgou os resultados do estudo realizado em 2002. A coleção
de estatísticas permite, entre outras interpretações,
uma análise da era FHC, já que 2002 marca o fim dos
oito anos de governo do ex-presidente. Nesse período, o Brasil
conseguiu debelar a inflação, criou padrões
mais confiáveis de governabilidade especialmente na
condução da economia e registrou avanços
na área social. As disparidades regionais, porém,
ainda permanecem como desafios a ser enfrentados. "Com a Pnad, é
possível olhar o país em profundidade, saber onde
se está melhorando, qual a velocidade da melhora e o que
ainda precisa ser feito", explica o economista Marcelo Néri,
chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação
Getúlio Vargas.
Uma das novidades da pesquisa, feita a partir de um levantamento
em 130.000 domicílios, é a rapidez com que o país
vem ganhando espaço na corrida tecnológica. O número
de residências com computador conectado à internet
ainda é muito baixo, mas cresceu 23,5% em relação
ao ano anterior. O desempenho brasileiro não tem rival na
América Latina, embora seja pífio se comparado ao
dos países desenvolvidos. Outro dado importante é
o aumento do porcentual de crianças que estão na escola,
ao mesmo tempo que diminui o trabalho infantil. Esses números
já refletem, em parte, os resultados dos programas de ação
social colocados em prática nos últimos dois anos
do governo Fernando Henrique Cardoso. Entre os domicílios
pesquisados, 15,5% estavam inscritos em projetos desse tipo. Ainda
há muito a ser feito, é claro. No Nordeste, por exemplo,
o porcentual de analfabetos é de 21%, enquanto a média
nacional é de 11% e no Sul o índice é de 6%.
Mas os avanços nos últimos dez anos são visíveis.
Em 1992, menos de 20% das residências possuíam telefone.
Hoje, quase 62% dos domicílios já têm pelo menos
uma linha, e o celular vem ganhando terreno rapidamente. Atualmente,
9% das moradias fazem uso apenas da telefonia móvel. Esse
fenômeno pode ser resumido num conceito privatização.
Foi a partir de 1998, com a desestatização das empresas
do setor, que o acesso à telefonia começou a ser universalizado
no país. A explosão de consumo após o Plano
Real também fez aumentar o índice de bens duráveis
como geladeira, máquina de lavar roupa, rádio e televisão.
A partir de 1998, porém, as sucessivas crises na economia
provocaram, como mostra a Pnad, uma sensível diminuição
dos rendimentos dos trabalhadores. O desemprego também preocupa.
São mazelas que ainda saltam aos olhos, mas como um todo
o país melhorou nos últimos dez anos.
Fotos Claudio Rossi, Kiko Ferrite e Raul Junior
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Fotos Claudio Rossi, Kiko Ferrite e Raul Junior
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