Edição 1824 . 15 de outubro de 2003

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Genética
Diferente da mamãe

Dieta da fêmea altera a cor e a predisposição
para a obesidade dos filhotes de rato

 
Duke University
Os dois são geneticamente idênticos: a diferença está na dieta materna


Site VEJA Saúde

Costuma-se dizer que somos aquilo que comemos. Na semana passada, com a ajuda de camundongos amarelos, cientistas americanos demonstraram que também somos aquilo que nossa mãe comeu durante a gravidez. A pesquisa, realizada por oncologistas da Universidade Duke, uma das mais importantes dos Estados Unidos, constatou que suplementos alimentares consumidos por fêmeas grávidas alteram o funcionamento dos genes de seus filhotes sem modificar a seqüência no código genético. Foi possível chegar a essa conclusão porque o DNA dos camundongos contém uma espécie de gatilho perto do gene que determina não apenas a cor do pêlo, mas também a predisposição para obesidade, diabetes e câncer.

Há tempos se tem conhecimento de que a dieta da mãe – seja ela um rato, uma mosca ou um ser humano – afeta a propensão dos filhos a determinadas doenças, de diabetes a esquizofrenia e depressão, mas não se sabia como estabelecer com exatidão esse mecanismo. "Finalmente descobrimos como é essa relação de causa e efeito", disse o americano Randy Jirtle, coordenador da pesquisa. Agora se sabe que substâncias contidas nos alimentos funcionam como interruptores, ligando ou desligando genes no período em que o feto está em formação no útero materno. A pesquisa é um formidável avanço para um ramo relativamente novo da ciência, a epigenética, estudo de como fatores ambientais (dieta, stress e nutrição materna) podem alterar as funções do gene. Muitos cientistas acreditam que a origem das doenças está na seqüência genética. Mas isso não explica como um de dois gêmeos idênticos pode desenvolver esquizofrenia e o outro não.

A experiência foi realizada com uma variedade de camundongos chamada agouti. São animais gordos e com pelagem amarela, características determinadas por um gene específico. Normalmente, esse gene é superestimulado durante o desenvolvimento dos fetos. Como resultado, produz grande quantidade de uma proteína que torna os filhotes amarelados, obesos e propensos ao câncer e ao diabetes. Em todas as ninhadas, alguns filhotes nascem com pêlo escuro e sem tendência para a obesidade. Adicionando dosagem extra de ácido fólico, vitamina B12, colina e betaína (substâncias encontradas em alimentos) à dieta das fêmeas grávidas, os cientistas conseguiram bloquear a ativação do gene na fase fetal. Quase todos os filhotes nasceram de cor escura. Como os cientistas estudaram apenas um gene, eles não sabem ao certo quais os efeitos da mesma combinação sobre o restante do DNA. É possível que os suplementos que inibem a obesidade e alteram a cor dos camundongos estimulem ou inibam outros genes. Quais são ainda é um mistério.

 

 
 
 
 
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