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Genética
Diferente
da mamãe
Dieta da fêmea
altera a cor e a predisposição
para a obesidade dos filhotes de rato
Duke University
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| Os
dois são geneticamente idênticos: a diferença
está na dieta materna |
Costuma-se
dizer que somos aquilo que comemos. Na semana passada, com a ajuda
de camundongos amarelos, cientistas americanos demonstraram que
também somos aquilo que nossa mãe comeu durante a
gravidez. A pesquisa, realizada por oncologistas da Universidade
Duke, uma das mais importantes dos Estados Unidos, constatou que
suplementos alimentares consumidos por fêmeas grávidas
alteram o funcionamento dos genes de seus filhotes sem modificar
a seqüência no código genético. Foi possível
chegar a essa conclusão porque o DNA dos camundongos contém
uma espécie de gatilho perto do gene que determina não
apenas a cor do pêlo, mas também a predisposição
para obesidade, diabetes e câncer.
Há tempos se tem conhecimento de que a dieta da mãe
seja ela um rato, uma mosca ou um ser humano afeta
a propensão dos filhos a determinadas doenças, de
diabetes a esquizofrenia e depressão, mas não se sabia
como estabelecer com exatidão esse mecanismo. "Finalmente
descobrimos como é essa relação de causa e
efeito", disse o americano Randy Jirtle, coordenador da pesquisa.
Agora se sabe que substâncias contidas nos alimentos funcionam
como interruptores, ligando ou desligando genes no período
em que o feto está em formação no útero
materno. A pesquisa é um formidável avanço
para um ramo relativamente novo da ciência, a epigenética,
estudo de como fatores ambientais (dieta, stress e nutrição
materna) podem alterar as funções do gene. Muitos
cientistas acreditam que a origem das doenças está
na seqüência genética. Mas isso não explica
como um de dois gêmeos idênticos pode desenvolver esquizofrenia
e o outro não.
A experiência foi realizada com uma variedade de camundongos
chamada agouti. São animais gordos e com pelagem amarela,
características determinadas por um gene específico.
Normalmente, esse gene é superestimulado durante o desenvolvimento
dos fetos. Como resultado, produz grande quantidade de uma proteína
que torna os filhotes amarelados, obesos e propensos ao câncer
e ao diabetes. Em todas as ninhadas, alguns filhotes nascem com
pêlo escuro e sem tendência para a obesidade. Adicionando
dosagem extra de ácido fólico, vitamina B12, colina
e betaína (substâncias encontradas em alimentos) à
dieta das fêmeas grávidas, os cientistas conseguiram
bloquear a ativação do gene na fase fetal. Quase todos
os filhotes nasceram de cor escura. Como os cientistas estudaram
apenas um gene, eles não sabem ao certo quais os efeitos
da mesma combinação sobre o restante do DNA. É
possível que os suplementos que inibem a obesidade e alteram
a cor dos camundongos estimulem ou inibam outros genes. Quais são
ainda é um mistério.
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