Edição 1824 . 15 de outubro de 2003

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Partidos
Acidente e sucessão

Com rara agilidade, PTB elege
o sucessor de Martinez, morto
em desastre aéreo


Alexandre Oltramari

 
Aniele Nascimento/Gazeta do Povo/AE
José Paulo Lacerda/AE
O avião na serra de Guaratuba e o deputado José Carlos Martinez: pescaria acaba em tragédia

Em política, diz-se que não existe espaço vazio, pois, ao primeiro sinal de vácuo, alguém salta para ocupá-lo. Na semana passada, durante a sucessão no comando do PTB, depois da morte do deputado José Carlos Martinez, o ditado ganhou uma expressão tão verdadeira que beirou a falta de sensibilidade. Na manhã de sábado 4, junto com dois amigos, Martinez, então presidente do PTB, embarcou num de seus aviões para pescar em Piçarras, em Santa Catarina. Com o mau tempo, o avião espatifou-se na serra de Guaratuba, no litoral do Paraná, matando o piloto, os dois amigos e o deputado. O mesmo mau tempo que provocou o acidente também dificultou as buscas – mas não a sucessão no PTB. O avião só foi encontrado no domingo, quando a cúpula do partido, reunida em Curitiba, já estava mergulhada nas intrigas para escolher o sucessor de Martinez. Na terça-feira, enquanto prosseguia a tentativa de resgate dos corpos, o suplente do deputado, Airton Roveda, já perambulava pela Câmara, em Brasília, em busca de informação para assumir o cargo. Na quarta-feira, quando finalmente os corpos foram resgatados, o PTB e o suplente já estavam resolvidos.

 
Egberto Nogueira
Ana Araújo

Fleury e Jefferson: disputa rapidíssima pelo comando do PTB

Assim que o avião de Martinez foi dado como desaparecido, os deputados do PTB começaram a voar para Curitiba. Dos 52 membros da bancada na Câmara, 42 viajaram para a capital paranaense. Imaginava-se que se tratava de um bloco de solidariedade, mas logo se viu que não era só isso. No próprio domingo, o deputado Luiz Antonio Fleury, de São Paulo, começou a se movimentar para suceder a Martinez. Seu colega Roberto Jefferson, do Rio de Janeiro, percebeu a manobra e convocou uma reunião com todos os deputados presentes em Curitiba. Na segunda-feira, por aclamação, foi ungido o novo presidente do PTB. Nesse dia, o avião de Martinez acabara de ser avistado pelas equipes de resgate. Na terça-feira, Airton Roveda, suplente de Martinez, já visitava a Câmara para saber dos procedimentos para assumir a cadeira. "Só vim ao banco", dizia ele, ao explicar as razões de sua súbita presença no prédio, como se para fazer uma operação bancária fosse preciso deslocar-se de Curitiba a Brasília. Na verdade, Roveda, que é ex-deputado, tem até endereço fixo em Brasília, pois, mesmo sem mandato, ele segue ocupando o apartamento funcional da Câmara. Nunca o devolveu. "Fui ficando, ficando, ficando", esclarece. Mas, agora, ele garante que vai devolver. "Esse apartamento é uma porcaria. Agora que tenho mandato, vou pegar o auxílio-moradia." O auxílio é de 3.000 reais por mês. Dá-lhe, Roveda!

 
 
 
 
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