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Partidos
Acidente e sucessão
Com
rara agilidade, PTB elege
o sucessor de Martinez, morto
em desastre aéreo

Alexandre
Oltramari
Aniele Nascimento/Gazeta do Povo/AE
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José Paulo Lacerda/AE
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avião na serra de Guaratuba e o deputado José Carlos Martinez:
pescaria acaba em tragédia |
Em
política, diz-se que não existe espaço vazio,
pois, ao primeiro sinal de vácuo, alguém salta para
ocupá-lo. Na semana passada, durante a sucessão no
comando do PTB, depois da morte do deputado José Carlos Martinez,
o ditado ganhou uma expressão tão verdadeira que beirou
a falta de sensibilidade. Na manhã de sábado 4, junto
com dois amigos, Martinez, então presidente do PTB, embarcou
num de seus aviões para pescar em Piçarras, em Santa
Catarina. Com o mau tempo, o avião espatifou-se na serra
de Guaratuba, no litoral do Paraná, matando o piloto, os
dois amigos e o deputado. O mesmo mau tempo que provocou o acidente
também dificultou as buscas mas não a sucessão
no PTB. O avião só foi encontrado no domingo, quando
a cúpula do partido, reunida em Curitiba, já estava
mergulhada nas intrigas para escolher o sucessor de Martinez. Na
terça-feira, enquanto prosseguia a tentativa de resgate dos
corpos, o suplente do deputado, Airton Roveda, já perambulava
pela Câmara, em Brasília, em busca de informação
para assumir o cargo. Na quarta-feira, quando finalmente os corpos
foram resgatados, o PTB e o suplente já estavam resolvidos.
Egberto Nogueira
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Ana Araújo
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Fleury
e Jefferson: disputa rapidíssima pelo comando
do PTB
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Assim
que o avião de Martinez foi dado como desaparecido, os deputados
do PTB começaram a voar para Curitiba. Dos 52 membros da
bancada na Câmara, 42 viajaram para a capital paranaense.
Imaginava-se que se tratava de um bloco de solidariedade, mas logo
se viu que não era só isso. No próprio domingo,
o deputado Luiz Antonio Fleury, de São Paulo, começou
a se movimentar para suceder a Martinez. Seu colega Roberto Jefferson,
do Rio de Janeiro, percebeu a manobra e convocou uma reunião
com todos os deputados presentes em Curitiba. Na segunda-feira,
por aclamação, foi ungido o novo presidente do PTB.
Nesse dia, o avião de Martinez acabara de ser avistado pelas
equipes de resgate. Na terça-feira, Airton Roveda, suplente
de Martinez, já visitava a Câmara para saber dos procedimentos
para assumir a cadeira. "Só vim ao banco", dizia ele, ao
explicar as razões de sua súbita presença no
prédio, como se para fazer uma operação bancária
fosse preciso deslocar-se de Curitiba a Brasília. Na verdade,
Roveda, que é ex-deputado, tem até endereço
fixo em Brasília, pois, mesmo sem mandato, ele segue ocupando
o apartamento funcional da Câmara. Nunca o devolveu. "Fui
ficando, ficando, ficando", esclarece. Mas, agora, ele garante que
vai devolver. "Esse apartamento é uma porcaria. Agora que
tenho mandato, vou pegar o auxílio-moradia." O auxílio
é de 3.000 reais por mês. Dá-lhe, Roveda!
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