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Livros
Morrendo de rir
Sete contos do raivoso Tibor
Fischer, um craque do humor
negro na literatura inglesa

Marilia Pacheco Fiorillo
É uma pena que a tradução
brasileira tenha optado pelo título americano do livro de
Tibor Fischer, Adoro Morrer (tradução
de Roberto Grey; Rocco; 244 páginas; 32 reais). O título
da edição original inglesa era mais fiel ao espírito
provocador da obra: Don't Read This Book If You're Stupid
literalmente, Não Leia Este Livro Se Você É
Estúpido. São sete contos de humor negro cujos protagonistas,
embora situados na Londres dos anos 1990, poderiam circular por
qualquer outra metrópole globalizada: o cinqüentão
desempregado, o empresário pontocom quebrado no estouro da
bolha da internet, o pintor joão-ninguém que faz de
tudo para se tornar uma celebridade (Smith, no ponto alto da coletânea,
Retrato do Artista Quando Famoso Mercador da Morte).
Aparentemente
um bando de fracassados, os personagens de Adoro Morrer acabam
se revelando o extravagante bastião de resistência
em um mundo consumido pela tirania da fama e da grana. Sua forma
de resistir é a misantropia, um sonoro "não" a tudo
o que os circunda. O anti-herói de O Devorador de Livros,
por exemplo, desenvolveu uma técnica de ler simultaneamente
um livro à esquerda e outro à direita, o que lhe poupa
qualquer constrangedora convivência humana. Em Gelo Esta
Noite no Coração de Jovens Visitantes, o mais
sucinto e amargo dos contos, um repórter descreve a descoberta
de cadáveres numa vala comum, assassinados pelo regime de
Nicolae Ceausescu, na Romênia é a prova cabal
de que esquisito anda o mundo, e não quem não se encaixa
nele.
Filho de um casal de jogadores de basquete
húngaros, Fischer teve seu primeiro livro, Um Palmo Abaixo,
rejeitado por 58 editoras. Quando foi finalmente publicado, o romance
ganhou uma indicação ao Prêmio Booker, o mais
prestigioso da Inglaterra, em 1993. No ano passado, Fischer comprou
briga ao criticar acerbamente um livro de Martin Amis, um dos ícones
literários da geração imediatamente anterior.
Mexeu num vespeiro: o romancista americano John Updike diagnosticou-o
como "um autor que passa a perna em si mesmo". Fischer é
raivoso, sim. Mas e daí? Raiva e gargalhadas são uma
das melhores combinações literárias. Em tempos
bicudos, só mesmo rindo se castiga o descalabro.
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